O Panathlon Clube de Lisboa e o CNID têm sido parceiros em várias realizações, nomeadamente na Ética Summit e ambos defendem valores elevados sobre os comportamentos no Desporto. A propósito das recomendações europeias para combater o discurso do ódio no desporto, o Panathlon, presidido por Mário Almeida, tomou uma posição importante, em que chama a atenção dos meios de Comunicação Social para as suas responsabilidades.
‘O Panathlon Clube de Lisboa saúda a publicação, em 5 de outubro de 2026, das recomendações europeias para o combate ao discurso de ódio no Desporto, elaboradas por um grupo de peritos nacionais no âmbito do Plano de Trabalho da União Europeia para o Desporto 2024–2027, e manifesta o seu apoio à orientação nelas expressa.
O relatório reconhece que o discurso de ódio constitui um problema complexo e transversal, presente desde o desporto de formação até à alta competição, com manifestações nos recintos desportivos e no ambiente digital. Assinala igualmente as dificuldades de denúncia, frequentemente associadas ao receio de represálias, à desconfiança nos mecanismos existentes e à perceção de que denunciar não produz
consequências.
Neste contexto, as recomendações europeias apontam para uma intervenção integrada, destacando-se cinco áreas fundamentais:
• Governação e políticas: reforçar as políticas de prevenção e combate ao discurso de ódio, envolvendo autoridades públicas, organizações desportivas e sociedade civil.
• Denúncia e recolha de dados: assegurar canais de denúncia acessíveis e credíveis e melhorar o conhecimento sobre a dimensão e as manifestações do fenómeno.
• Ambiente digital: enfrentar a propagação do discurso de ódio nas plataformas digitais,
reconhecendo a ligação crescente entre comportamentos online e offline.
• Proteção e apoio às vítimas: reforçar os mecanismos de apoio e proteção, acompanhados de respostas e sanções adequadas.
• Prevenção e educação: promover uma cultura de respeito, com particular atenção às crianças e aos jovens e ao combate ao racismo, à discriminação de género e a outras formas de discriminação.
O Panathlon Clube de Lisboa reconhece nestas orientações uma abordagem necessária, mas considera essencial sublinhar que o combate ao discurso de ódio não se esgota na sua dimensão regulamentar, disciplinar ou de segurança. Estamos perante uma questão central de ética e integridade desportivas.
O Desporto assenta na competição, na emoção e na afirmação de identidades e pertenças. Mas nenhuma dessas características suspende o respeito devido à pessoa. A dignidade humana, o respeito pelo adversário, a igualdade, a inclusão e o fair play são parte constitutiva daquilo que confere ao Desporto a sua dimensão educativa e social.
Quando comportamentos de humilhação, intimidação ou discriminação são tolerados ou normalizados, não atingem apenas as suas vítimas: comprometem também a credibilidade e a integridade do próprio Desporto.
As organizações desportivas têm, neste domínio, uma responsabilidade que ultrapassa a existência de regulamentos e sanções. A sua cultura revela-se nos comportamentos que promovem, nos exemplos que valorizam e naquilo que toleram.
Não agir também comunica. O silêncio, a relativização ou a ausência de resposta perante
comportamentos de ódio podem contribuir para a sua normalização. A responsabilidade institucional exige coerência entre os valores proclamados e as práticas efetivamente adotadas.
1 O relatório foi preparado pelo grupo “Open Method of Coordination (OMC)” “Luta contra o discurso de ódio no desporto.” in Fight against hate speech in sport. O Panathlon Clube de Lisboa considera igualmente indispensável sublinhar a responsabilidade
editorial dos meios de comunicação social, incluindo os grandes órgãos de comunicação, na forma como tratam e difundem manifestações de ódio.
A liberdade de imprensa e o dever de informar são pilares essenciais das sociedades democráticas.
Mas informar sobre o discurso de ódio não é o mesmo que transformá-lo em instrumento de captação de audiências. A repetição desnecessária de expressões ofensivas, a exploração do conflito e a circulação insistente de imagens ou excertos podem amplificar aquilo que se pretende denunciar.