Mitsubishi SpaceJet
SpaceJet | |||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| JA21MJ, o primeiro avião do modelo | |||||||||
| Descrição | |||||||||
| Tipo / Missão | jato regional | ||||||||
| País de origem | |||||||||
| Fabricante | Mitsubishi Heavy Industries | ||||||||
| Quantidade produzida | 7 protótipos MRJ90 e 1 protótipo MRJ70[1] | ||||||||
| Primeiro voo em | 11 de novembro de 2015 | ||||||||
| Passageiros | 70/96 | ||||||||
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O Mitsubishi SpaceJet (三菱スペースジェット), chamado originalmente de Mitsubishi Regional Jet, foi um projeto de jato regional da empresa japonesa Mitsubishi Aircraft Corporation (MAC), subsidiária da Mitsubishi Heavy Industries (MHI). O programa durou de 2007 a 2023.
Os trabalhos que deram origem ao SpaceJet começaram em 2003, com apoio do Governo do Japão. A MHI apresentou o conceito no Show Aéreo de Paris em junho de 2007 e lançou o programa um ano depois. A certificação de tipo era prevista para 2012. Seria o primeiro avião comercial japonês desde o NAMC YS-11, de 1962. Mudanças extensas no projeto, feitas no fim da década de 2000, aumentaram o peso do avião e afetaram sua viabilidade comercial. A célula seria construída principalmente em alumínio, com partes de compósito de fibra de carbono, entre elas a empenagem. O bimotor de asa baixa teria dois Pratt & Whitney PW1000G sob as asas e foi o primeiro programa de aeronave a escolher esse turbofan com engrenagens. Em junho de 2019, a Mitsubishi mudou o nome do programa Mitsubishi Regional Jet (MRJ, 三菱リージョナルジェット) para SpaceJet. O M90, chamado antes de MRJ90, levaria de 86 a 96 passageiros. O MRJ70, menor, levaria de 70 a 80. Este foi substituído pelo SpaceJet M100, 1,1 m mais comprido, concebido para atender melhor às cláusulas de escopo dos Estados Unidos com 76 assentos e uma cabine de classes mistas. O modelo concorreria com a Família Embraer E-Jet E2.
Após atrasos no desenvolvimento, o voo inaugural do MRJ90 ocorreu em 11 de novembro de 2015. O programa de ensaio em voo usou oito aviões, sete MRJ90 e um MRJ70. Os ensaios demoraram mais do que o previsto e a entrada em serviço foi adiada outras vezes. Em outubro de 2020, o programa foi suspenso. A Mitsubishi cancelou o SpaceJet em fevereiro de 2023.[2] Sete aviões de ensaio foram desmontados. O único exemplar restante foi preservado.
Desenvolvimento
[editar | editar código]Lançamento
[editar | editar código]Em 2003, o Governo do Japão iniciou um programa de pesquisa de cinco anos e 50 bilhões de ienes, cerca de US$ 420 milhões, para estudar um jato regional japonês com 30 a 90 lugares. A MHI chefiava o trabalho.[3][4] Em 2004, a empresa concentrava seus estudos em uma cabine com 2 m de altura e 2,8 m de largura, com quatro assentos por fileira e capacidade para 30 a 50 passageiros. A expectativa era fazer um protótipo voar em 2007 e entregar o primeiro avião em 2010.[5] No ano seguinte, a MHI passou a estudar um modelo maior, com 70 a 90 lugares.[6][4]
Em junho de 2007, a MHI apresentou o conceito no Show Aéreo de Paris, com uma maquete em tamanho natural da cabine. A proposta previa o primeiro jato regional cuja célula seria feita inteiramente de material compósito. A certificação era esperada para 2012.[7][4] A Mitsubishi ofereceu formalmente o MRJ às companhias aéreas em outubro de 2007. Seria o primeiro avião comercial japonês desde o NAMC YS-11, cuja produção terminou em 1974. A fabricante também foi a primeira a escolher o turbofan com engrenagens Pratt & Whitney PW1000G, que prometia reduzir em 12% o consumo específico de combustível. O motor forneceria 67 kN de empuxo no MRJ70, de 70 a 80 lugares, e 75,7 kN no MRJ90, de 86 a 96. O custo previsto de desenvolvimento era de 150 bilhões de ienes, cerca de US$ 1,275 bilhão.[8] O NAMC YS-11 da década de 1960 havia sido produzido com prejuízo.[9]
Em 28 de março de 2008, a MHI lançou oficialmente o programa Mitsubishi Regional Jet após receber da All Nippon Airways uma encomenda inicial de 25 aviões, 15 firmes e 10 opções. A companhia pretendia colocar o modelo em serviço em 2013.[10][11] A Mitsubishi buscava 20% de um mercado estimado em 5.000 aviões de 70 a 90 lugares ao longo de vinte anos. Os ensaios em voo começariam no fim de 2011. Avaliado em US$ 1,9 bilhão, o programa precisaria vender de 300 a 400 unidades para recuperar o investimento.[12] A Mitsubishi Aircraft Corporation (MAC) reunia a controladora Mitsubishi Heavy Industries e a acionista minoritária Toyota.[13][4] A Subaru Corporation, que já fabricava componentes aeroespaciais, colaborou no projeto. Outras empresas também participariam, entre elas a Boeing, que prestou consultoria e forneceria suporte aos clientes.[14][15]
Projeto
[editar | editar código]Em setembro de 2009, a Mitsubishi apresentou mudanças extensas no projeto. As asas e a caixa de asa passariam a ser feitas de alumínio, no lugar de compósitos de fibra de carbono. Os compósitos corresponderiam a 10% a 15% da célula e ficariam restritos à empenagem.[16][4] A altura interna da cabine aumentou 4 cm, para 204 cm, e a altura da fuselagem passou a 296 cm. A cabine ficou mais arredondada, larga e alta que a dos concorrentes.[16][17] O programa sofreu um atraso de seis meses. O projeto definitivo foi congelado em meados de 2010, o primeiro voo passou para o segundo trimestre de 2012 e as entregas, para o começo de 2014.[16][18] Os intervalos de manutenção previstos eram de 750 horas de voo para cada verificação A e 7.500 horas para cada verificação C.[19]
Uma versão alongada para 110 passageiros, o MRJ100, estava em estudo desde dezembro de 2008.[20] A empresa havia feito um estudo de projeto dessa opção até março de 2011.[21] Cinco anos depois, a versão ainda estava em avaliação.[22]
O peso máximo de decolagem do MRJ90, de 39,6 t, ultrapassava o limite de 39 t imposto pelas cláusulas de escopo às companhias aéreas regionais dos Estados Unidos. A SkyWest e a Trans States Holdings poderiam converter suas encomendas de 100 e 50 MRJ90 para o MRJ70, 1,4 m mais curto. Juntas, essas encomendas correspondiam a 67% dos 223 pedidos firmes do MRJ90. O MRJ70, porém, teria apenas 69 lugares em duas classes e só chegaria ao limite de 76 assentos em configuração inteiramente econômica. A Mitsubishi queria aumentar sua capacidade para concorrer com o Embraer 175 e o Bombardier CRJ900, que atendiam às regras.[23]
A Mitsubishi trabalhou em um projeto de 76 lugares e três classes, com mais assentos premium que o MRJ70 e peso máximo de decolagem dentro do limite de 39 t. O desenho seria apresentado no Show Aéreo de Paris de junho de 2019.[24] O MRJ70 reformulado receberia o nome SpaceJet M100 e teria sua certificação prevista para 2022. A Mitsubishi cogitava fabricá-lo nos Estados Unidos.[25] O custo do programa chegaria a 800 bilhões de ienes até a estreia prevista do SpaceJet M90, em 2020.[26]
Montagem
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Em 15 de setembro de 2010, a Mitsubishi Aircraft Corporation anunciou que havia começado a preparar os desenhos de produção e avançava para a fabricação.[27][28] A montagem do primeiro avião começou em abril de 2011, com a construção da saída de emergência da cabine de comando.[29][30] Em dezembro de 2012, a entrega do MRJ90 era prevista para 2017.[31][32]
Uma fábrica para o avião foi construída no Aeroporto de Nagoia, em Nagoia, em terreno comprado do governo. O investimento chegou a 60 bilhões de ienes.[33] A apresentação do MRJ ocorreu ali em 2014. O local havia abrigado o desenvolvimento do caça Mitsubishi A6M Zero.[34] No começo de 2013, a Pratt & Whitney adiou a certificação do PW1200G para o segundo semestre de 2014.[31] Em junho de 2013, a Mitsubishi anunciou que abriria uma unidade de controle de qualidade em Illinois para acompanhar o fornecimento de componentes do MRJ fabricados nos Estados Unidos.[35][36]
Em agosto de 2013, a Mitsubishi anunciou o terceiro atraso do programa. O primeiro voo, antes esperado para o fim daquele ano, passaria ao segundo trimestre de 2015. A primeira entrega à ANA, cliente de lançamento, ocorreria no segundo trimestre de 2017, e não mais em 2015. O cronograma foi alterado por problemas no fornecimento de peças, inclusive os motores da Pratt & Whitney.[37] Em 7 de setembro de 2013, foram exibidos um protótipo da asa esquerda e quatro seções de alumínio da fuselagem. As seções dianteira, central dianteira, central traseira e traseira seriam unidas em outubro.[38] A Mitsubishi contratou especialistas estrangeiros para as relações com fornecedores, os ensaios em solo e em voo e a certificação.[39][40]
O primeiro MRJ90 estava inteiramente montado em maio de 2014. O trabalho nas outras células também avançava.[41][42] A primeira célula capaz de voar foi apresentada em 18 de outubro de 2014.[43][44] A MHI empregou métodos de produção como reforçadores longitudinais integrais nas asas, tolerâncias muito estreitas, jateamento de superfícies curvas e moldagem por transferência de resina assistida a vácuo. Essas técnicas buscavam elevar a qualidade e diminuir o custo da correção de falhas, para manter o preço competitivo.[45]
Ensaios
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O voo inaugural do MRJ90 ocorreu em 11 de novembro de 2015.[46][47] Em 24 de dezembro, a Mitsubishi adiou a primeira entrega do MRJ por um ano, para meados de 2018.[48][49] O adiamento foi atribuído à resistência insuficiente das asas e à reformulação do trem de pouso para aumentar a segurança.[50]
Grande parte dos ensaios em voo do MRJ90 ocorreu no Aeroporto Internacional de Grant County, em Moses Lake, no estado de Washington. O espaço aéreo congestionado do Japão dificultava a programação dos voos.[51][52] Os ensaios estáticos de resistência terminaram em 1 de novembro de 2016 e confirmaram que a célula suportava uma vez e meia a carga máxima.[53]
Em janeiro de 2017, a primeira entrega foi adiada por mais dois anos, para meados de 2020.[54][55] A mudança da baia de aviônicos e dos chicotes elétricos causou o novo atraso. Em março, o programa de voos para certificação foi ampliado de 2.500 para 3.000 horas.[56] Falhas em documentar os trabalhos para a certificação, ou problemas semelhantes, causaram ao menos parte de quatro dos cinco adiamentos. O custo de desenvolvimento subiu para 350 bilhões de ienes, cerca de US$ 3,17 bilhões, o que poderia impedir a recuperação integral dos gastos.[57] A Mitsubishi planejava usar cinco aviões de ensaio em voo e dois de ensaio em solo, mas estimou que precisaria de mais uma ou duas unidades após o adiamento para 2020.[58][59]
Em 26 de abril de 2017, o quinto MRJ estava pintado nas cores da ANA e aguardava apenas os motores e o cone do nariz. Os aviões 6 e 7 já tinham fuselagem e asas unidas, mas ainda não as caudas. O oitavo, primeiro MRJ70, estava no começo da linha de montagem. A Mitsubishi planejava fabricar doze aviões ao mesmo tempo. As seções da fuselagem seriam unidas na primeira estação. Trem de pouso, asas e estabilizadores horizontais seriam instalados na segunda. Os componentes principais seriam reunidos na terceira, os equipamentos internos instalados na quarta e os ensaios em solo feitos na quinta. A aeronave pronta seguiria para a pintura.[58] A consultoria de engenharia AeroTEC, de Seattle, encontrou problemas na certificação dos aviônicos e de sua fiação. Um incêndio, o alagamento causado pelo rompimento de uma tubulação ou fragmentos de uma explosão de motor poderiam criar um ponto único de falha. Isso exigiu mudanças no equipamento das baias, cujo desenho foi então congelado. O sistema de interconexão da fiação elétrica precisou ser reconfigurado com a ajuda da especialista contratada Latécoère. Até junho de 2017, os quatro protótipos haviam completado 940 horas de ensaios em voo e tinham disponibilidade superior a 98%.[60] Em 21 de agosto, um motor do FTA-2 apagou em voo a 170 km a oeste do Aeroporto Internacional de Portland, onde o avião pousou. O PW1200G sofreu danos parciais e a frota de ensaios ficou em solo até que a causa fosse descoberta.[61][62] Os voos de ensaio recomeçaram em 6 de setembro.[63]
Em dezembro de 2017, a campanha de ensaios do MRJ havia chegado à metade. Foram 1.500 horas de voo, com menos de 1% dos ensaios cancelados por problemas técnicos. O ritmo aumentava com os testes preparados antes da reformulação da baia de aviônicos em janeiro de 2017. Ensaios especiais em pista, condições ambientais extremas e grandes altitudes terminariam em 2018. Um avião adicional com o projeto revisto entraria na campanha no segundo semestre daquele ano. Ele seria usado para testar a fiação contra raios e campos de radiofrequência de alta intensidade.[64] Outros dois aviões, os números 10007 e 10010, haviam recebido pintura branca e estavam em montagem estrutural. A previsão era incorporá-los aos ensaios perto do fim de 2018.[65] No fim de 2017, cumprir o prazo de meados de 2020 parecia difícil.[66]
Em janeiro de 2018, a reorganização da baia de aviônicos e o novo trajeto da fiação estavam quase prontos. O objetivo era resistir a casos extremos, como a explosão de uma bomba ou a entrada de água sob o piso.[67][68] Quatro aviões de ensaio passaram por atualizações e testes em solo entre fevereiro e março, em Moses Lake. Depois seriam usados em voos para avaliar formação natural de gelo, aviônicos, piloto automático, desempenho, estabilidade e controle.[69]
Em abril de 2018, a frota havia acumulado 1.900 horas de voo.[70] A marca de 2.000 horas foi atingida em maio. Como grande parte do envelope de voo já havia sido explorada, o trimestre seguinte seria dedicado ao desempenho em pista, com ensaios de decolagem, pouso e velocidades mínimas de controle.[71] Em maio, os aviões 8 e 9, da versão MRJ70, estavam na etapa final da linha de montagem. A entrega era prevista para o fim de 2021, um ano depois da entrada do MRJ90.[23] Um MRJ pintado nas cores da ANA foi exposto no Show Aéreo de Farnborough de julho, junto ao Embraer 190 E2, de porte semelhante, e ao Airbus A220, maior.[72][73]
Em outubro de 2018, a Bombardier processou a Mitsubishi em Seattle. A empresa acusou ex-funcionários de furtar segredos comerciais para ajudar a certificação do MRJ nos Estados Unidos.[74][75] Os quatro protótipos MRJ90 haviam acumulado 2.400 horas. A certificação era esperada para o fim de 2019 ou o começo de 2020 e a primeira entrega, para meados de 2020. O MRJ70 entraria em serviço em 2022.[76] O programa perdeu 47,2 bilhões de ienes nos seis meses encerrados em 30 de setembro de 2018, além do déficit de 110 bilhões de ienes acumulado antes disso. A Mitsubishi Heavy Industries injetou 220 bilhões de ienes, cerca de US$ 1,94 bilhão, na Mitsubishi Aircraft. Sua participação passou de 64% para 86,7%, e o capital aumentou de 100 bilhões para 270 bilhões de ienes.[77] A Mitsubishi pediu que as acusações fossem rejeitadas. Uma audiência no Tribunal de Distrito dos Estados Unidos em Seattle estava prevista para 11 de janeiro de 2019.[78] Em dezembro de 2018, a Agência de Aviação Civil do Japão concedeu a autorização de inspeção de tipo. Os quatro MRJ90 em Moses Lake poderiam começar os voos de certificação no início de 2019.[79]
Em abril de 2019, um juiz federal rejeitou as acusações da Bombardier. A ação tinha fundamentos, mas não havia prova de que a Mitsubishi soubesse dos segredos comerciais.[80][81] O programa somava 2.600 horas de voo e passava por ensaios com vento cruzado e diferentes condições climáticas. Mais dois MRJ90 eram esperados até o meio do ano.[82]
Em 24 de junho de 2019, a Bombardier e a Mitsubishi anunciaram a venda do programa CRJ à Mitsubishi por US$ 550 milhões, além da assunção de US$ 200 milhões em passivos. O negócio abrangia as atividades de manutenção, suporte, reforma, marketing e vendas da série CRJ. A Mitsubishi também receberia os centros da rede de suporte em Montreal e Toronto, no Canadá, os centros de serviço de Bridgeport e Tucson, nos Estados Unidos, e os certificados de tipo.[83][84]
Mudança de nome
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Em junho de 2019, a Mitsubishi mudou o nome do programa MRJ para SpaceJet. O MRJ90 passou a se chamar SpaceJet M90. A empresa também anunciou o SpaceJet M100, versão de 76 lugares concebida para atender às cláusulas de escopo dos Estados Unidos. O novo modelo seria 1,1 m mais longo que o MRJ70 abandonado e 1,3 m mais curto que o M90.[85][86]
O E175-E2 era mais pesado que o E175 que atendia às cláusulas de escopo. Seus motores GTF eram maiores, a fuselagem tinha um quadro a mais e a envergadura era 2,3 m maior. Com a cabine lotada, o avião poderia levar apenas 4 t de combustível sem ultrapassar o peso máximo de 39 t, o que limitava seu alcance a cerca de 1.760 km. A cabine do M100 acomodaria seus 76 assentos com menos folga que a do E175-E2. Sua asa seria mais leve, 3,2 m mais curta e teria winglets menores que os do MRJ90. No peso máximo previsto pelas cláusulas, o M100 poderia levar 50% mais combustível que o E175-E2 e percorrer 2.780 km com 76 passageiros. Sem essa restrição, a versão de 42 t voaria 3.540 km com 84 passageiros.[87] A reformulação do M100 adiou sua entrada prevista em serviço para 2023, um ano depois do antigo cronograma do MRJ70. O M90 daria origem ao M200.[88]
A fuselagem, 61 cm mais longa, levaria 88 passageiros em classe única. A envergadura de 27,7 m seria 1,2 m menor, com uma ponta de asa inclinada e redesenhada. A asa mais curta permitiria operar no Aeroporto de Aspen-Pitkin County, no Colorado. O CRJ700 era o último jato em produção capaz de operar ali, até a aprovação do E175 da SkyWest no fim de 2024. O M90 em sua configuração definitiva voou pela primeira vez em 18 de março de 2020 e depois se juntou ao restante da frota de ensaios em Moses Lake.[89]
Encerramento
[editar | editar código]Em maio de 2020, a Mitsubishi reduziu pela metade o orçamento do SpaceJet para o ano fiscal encerrado em 31 de março de 2021. A empresa manteve o compromisso com a versão básica M90, mas decidiu reavaliar o M100 diante dos efeitos da pandemia de COVID-19 sobre a aviação.[90][91] Todo o trabalho feito fora do Japão, inclusive os ensaios do M90 em Moses Lake, voltou para a sede da empresa em Nagoia.[92][93] Em outubro, a Mitsubishi fez outro corte no orçamento e anunciou uma "pausa temporária" em quase todas as atividades do SpaceJet. Continuaria apenas a documentação de certificação de tipo enquanto a empresa avaliava uma possível retomada.[94][95]
Em abril de 2021, a Mitsubishi Aircraft cortou 95% de seus funcionários e manteve 150 pessoas. O orçamento do programa, que havia sido de 370 bilhões de ienes no exercício de 2018, foi reduzido pela metade em 2020 e cairia para 20 bilhões de ienes, cerca de US$ 194 milhões, a partir do exercício de 2021.[96] Em outubro de 2021, a fabricante informou à Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos que não planejava retomar o desenvolvimento e a produção do SpaceJet.[97][98]
Em 17 de abril de 2022, o terceiro protótipo MRJ construído, que tivera o registro JA23MJ, foi desmontado.[99]
Em 6 de fevereiro de 2023, a Mitsubishi Heavy Industries encerrou de vez o projeto SpaceJet. A empresa citou a incerteza sobre o tamanho do mercado de jatos regionais e anunciou que dissolveria a subsidiária Mitsubishi Aircraft Corporation.[100][101][102] O anúncio acompanhou o relatório financeiro da Mitsubishi, que afirmou não esperar efeitos materiais nos resultados consolidados ou individuais.[103]
Em 8 de março de 2023, outro protótipo, registrado como JA21MJ, foi desmontado.[104]
Um novo protótipo, o número 10, foi construído em 2020 para obter a certificação. Esse avião, o único exemplar preservado, será exposto no Museu da Aviação de Aichi a partir do fim de 2026.[105]
Especificações
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| Variante | M90 | M100 |
|---|---|---|
| Classe única | 88 assentos com passo de 79 cm | 84 assentos com passo de 79 cm |
| Classes mistas | 81, com 9 assentos executivos a 91 cm e 72 econômicos a 76 cm[107] | 76, com 12 executivos, 12 econômicos premium e 52 econômicos[87] |
| Carga | 18,2 m³ | 13,6 m³ |
| Cabine | 2,02 m de altura × 2,76 m de largura | |
| Comprimento | 35,8 m[107] | 34,5 m |
| Envergadura | 29,2 m | 27,8 m |
| Altura da empenagem | 10,4 m | 10,3 m |
| Peso máximo de decolagem | 42,8 t | 42,0 t[nota 1] |
| Peso operacional vazio | 26.000 kg[108] | |
| Capacidade de combustível | 12.100 L, correspondentes a 9.680 kg | |
| Motores (2) | Pratt & Whitney PW1200G | |
| Diâmetro do ventilador | 142 cm[109] | |
| Empuxo por motor | 78,2 kN | |
| Alcance[nota 2] | 3.770 km | 3.540 km[nota 1] |
| Número de Mach máximo operacional | Mach 0,78 a 11.900 m | |
| Teto de serviço | 11.900 m | |
| Decolagem, peso máximo, nível do mar, ISA | 1.740 m | 1.760 m[nota 1] |
| Pouso, peso máximo, pista seca | 1.480 m | 1.550 m |
Notas
- 1 2 3 O limite das cláusulas de escopo dos Estados Unidos era de 39 t de peso máximo de decolagem, 2.780 km de alcance com 76 passageiros e 1.550 m de distância de decolagem.
- ↑ Com 102 kg por passageiro, atmosfera ISA, sem vento, velocidade de cruzeiro de longo alcance e aeroporto alternativo a 185 km.
Clientes
[editar | editar código]Histórico de encomendas
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Em 2008, a All Nippon Airways tornou-se a primeira cliente, com uma encomenda de 15 MRJ90 e opção para mais dez.[110]
Em março e outubro de 2008, o Sankei Shimbun e o Fuji Sankei Business I informaram que o Governo do Japão compraria dez MRJ para transportar autoridades em voos curtos e operar em aeroportos pequenos, complementando os Boeing 747 usados pela aviação oficial japonesa.[111][112] A possibilidade ainda era estudada em julho de 2013. Os MRJ poderiam complementar os novos Boeing 777 nos voos oficiais domésticos e de curta distância.[113]
No Show Aéreo de Farnborough de julho de 2012, a SkyWest aceitou comprar cem MRJ90, com entregas entre 2017 e 2020. O negócio valia US$ 4,2 bilhões pelos preços de tabela. Na conferência da Regional Airlines Association de 2013, realizada em Montreal, no Canadá, a Mitsubishi anunciou que a ANI Group Holdings havia cancelado o memorando de entendimento para cinco MRJ assinado em junho de 2011. A empresa não deu outros detalhes.[114]
Em 20 de julho de 2016, um funcionário do Ministério dos Transportes do Irã anunciou a compra de 25 aviões ATR para a Iran Aseman Airlines. A Mitsubishi também havia demonstrado interesse em oferecer vinte MRJ em uma compra posterior.[115] O Irã abandonou os planos de comprar o MRJ em 21 de maio de 2017. A ausência de um cronograma de entrega e a falta de ensaios foram apontadas como as razões principais.[116]
Após seis anos de atrasos, o futuro do MRJ era incerto. Duas companhias regionais dos Estados Unidos sujeitas a cláusulas de escopo respondiam por 70% das encomendas. O MRJ90 era pesado demais, enquanto o MRJ70 levava sete passageiros a menos que o limite de 76.[117] O programa sofreu cinco adiamentos e perdeu 10% dos pedidos após a Swift Air comprar os ativos da Eastern Air Lines. A Mitsubishi Aircraft encerrou o exercício em março de 2018 com patrimônio líquido negativo de US$ 979 milhões.[72] Em dezembro de 2018, o MRJ90 tinha 213 encomendas firmes e 194 compromissos de compra.[79] Parte dos pedidos foi cancelada ou convertida para o M100 em 2019. Em 31 de outubro daquele ano, operadores dos Estados Unidos haviam assumido 115 compromissos com a nova versão.[118]
Em 19 de junho de 2019, a Mitsubishi assinou um memorando de entendimento com um cliente não identificado dos Estados Unidos para quinze SpaceJet M100 de 76 lugares, que seriam entregues a partir de 2024.[119]
Em 5 de setembro de 2019, a companhia regional Mesa Airlines assinou um memorando de entendimento para até cem SpaceJet M100. Cinquenta seriam encomendas firmes e os outros cinquenta, direitos de compra. As entregas começariam em 2024.[120]
Em 31 de outubro de 2019, a Trans States Holdings cancelou uma encomenda de cem MRJ90, cinquenta firmes e cinquenta opcionais, porque o avião não atendia às cláusulas de escopo das companhias aéreas dos Estados Unidos.[121]
Encomendas pendentes antes do cancelamento
[editar | editar código]| Data da encomenda | Companhia ou comprador | Entrada em serviço prevista | Tipo | Observações | ||
|---|---|---|---|---|---|---|
| M100 | M90 | Opções | ||||
| 27 de março de 2008 | Japão, All Nippon Airways[110] | 2025 | - | 15 | 10 | Seriam operados pela ANA Wings |
| 11 de julho de 2012 | Estados Unidos, SkyWest Airlines[122][123] | 2022 | - | 100 | 100 | |
| 28 de janeiro de 2015 | Japão, Japan Airlines[124][125] | 2023 | - | 32 | - | Seriam operados pela J-Air |
| 11 de julho de 2016 | Suécia, Rockton AB, arrendadora[126] | 2020 | - | 10 | 10 | |
| 5 de setembro de 2019 | Estados Unidos, Mesa Airlines[127] | 2024[128] | 50 | - | 50 | |
| Total | 50 | 157 | 170 | |||
Encomendas canceladas
[editar | editar código]| Data da encomenda | Companhia ou comprador | Tipo | Observações | ||
|---|---|---|---|---|---|
| MRJ70 | MRJ90 | Opções | |||
| 16 de junho de 2011 | Hong Kong, ANI Group Holdings[129], arrendadora | 5 | - | Memorando de entendimento cancelado em 2013[114] | |
| 2014 | Estados Unidos, Eastern Air Lines | - | 20 | 20 | A companhia encerrou as operações em 2017, e a encomenda foi cancelada em janeiro de 2018[130] |
| 14 de julho de 2014 | Mianmar, Air Mandalay[131] | - | 6 | 4 | A companhia encerrou as operações em 2018[132] |
| 2 de outubro de 2009 | Estados Unidos, Trans States Holdings[133] | - | 50 | 50 | Cancelada em outubro de 2019 porque o M90 não atendia às cláusulas de escopo dos Estados Unidos[134] |
| 16 de fevereiro de 2016 | Estados Unidos, Aerolease Aviation, arrendadora | - | 10 | 10 | Contrato encerrado em 8 de janeiro de 2021[135] |
Ver também
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- Airbus A220, jato de tamanho próximo que entrou em serviço em 2016
- Embraer E-Jets, família de jatos regionais que inclui o Embraer 175
- Família Embraer E-Jet E2, família concorrente de nova geração
- Sukhoi Superjet 100, jato regional russo de capacidade semelhante
Referências
- ↑ «PICTURES: Mitsubishi offers glimpse of MRJ production». Flight International (em inglês). 26 de abril de 2017
- ↑ Tsuneoka, Chieko (7 de fevereiro de 2023). «Japan Ends Multibillion-Dollar Bid to Enter Passenger-Jet Market». The Wall Street Journal (em inglês). Tóquio
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Ligações externas
[editar | editar código]- Página da Mitsubishi Aircraft Corporation
- Fehrm, Bjorn (2 de janeiro de 2018). «Mitsubishi Aircraft Corporation's tough 2017». Leeham (em inglês)
- Trimble, Stephen (6 de julho de 2018). «Mitsubishi poised to put MRJ90 centre-stage». Flightglobal (em inglês)
- Rexroth, Alexa (28 de junho de 2018). «Mitsubishi Sees Clear Skies Ahead for MRJ». AIN Online (em inglês)
- Aboulafia, Richard (27 de setembro de 2018). «Opinion: Why Japan's Aerospace Strategy Needs A Rethink». Aviation Week & Space Technology (em inglês)

