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Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Nobel da Economia)
Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel
Membros do comitê reunidos para anunciar o prêmio de Economia de 2008
Anúncio do prêmio de 2008 pela Academia Real das Ciências da Suécia
DescriçãoPesquisas em economia
Nome anteriorPrêmio do Banco da Suécia de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel
PatrocinadorSveriges riksbank
OrganizaçãoFundação Nobel
LocalEstocolmo
PaísSuécia
Primeira cerimônia1969
Última cerimônia2026
ApresentaçãoAcademia Real das Ciências da Suécia
Detentor atualRobert E. Hall e Michael Woodford[1]
Destaques
Valor em 202612 milhões de coroas suecas[2][3]
Prêmios concedidos58, de 1969 a 2026[4]
Pessoas premiadas101, de 1969 a 2026[4]
Página oficial

O Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, também chamado de Nobel de Economia, é uma premiação anual de pesquisas em economia, administrada pela Fundação Nobel e financiada pelo Sveriges riksbank, o banco central da Suécia. Seu nome oficial é Prêmio Sveriges Riksbank de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel.[5][6][7] O banco criou o prêmio em 1968, quando completou 300 anos, para homenagear Alfred Nobel.[8][9][10][11][11]

A premiação não faz parte dos cinco Prêmios Nobel previstos no testamento de Alfred Nobel, mas integra as atividades da fundação que os administra.[12][13][14] A Academia Real das Ciências da Suécia, responsável pelos Nobels de Física e Química, escolhe os laureados por um processo semelhante ao dessas categorias. Os resultados são anunciados na mesma semana, e a entrega ocorre na cerimônia dos Nobels em Estocolmo, em 10 de dezembro.[12][15][16][17]

Na primeira edição, em 1969, o prêmio foi dividido entre o neerlandês Jan Tinbergen e o norueguês Ragnar Frisch, por desenvolverem modelos matemáticos para analisar como os processos econômicos mudam com o tempo.[11][18][19][20] A escolha dos laureados e o uso do nome Nobel também foram questionados por economistas e por familiares de Alfred Nobel.[21][22]

Criação e financiamento

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O Sveriges Riksbank instituiu o prêmio em 1968, no seu tricentenário, por meio de uma doação à Fundação Nobel que assegurou seu financiamento por tempo indeterminado. O banco paga o valor entregue aos laureados e as despesas administrativas da premiação.[16][10]

A quantia entregue aos laureados, igual à dos demais Prêmios Nobel, foi de 10 milhões de coroas suecas em 2007 e 2022, de 11 milhões em 2023, 2024 e 2025 e de 12 milhões em 2026.[23][2][24][25][3][26] Em 2006, o Riksbank destinou 6,5 milhões de coroas suecas à administração do prêmio, valor equivalente a cerca de 1 milhão de dólares ou 700 mil euros nas taxas médias de janeiro de 2008.[27][28] O banco manteve um repasse anual de 1 milhão, previsto até o fim de 2008, para a divulgação de informações sobre a premiação nos sites da Fundação Nobel.[29]

Relação com os Prêmios Nobel

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O testamento de Alfred Nobel estabeleceu prêmios de Física, Química, Fisiologia ou Medicina, Literatura e Paz, sem prever uma categoria de Economia.[9][30] O prêmio criado pelo Riksbank segue procedimentos semelhantes de indicação, avaliação dos candidatos e entrega.[12][16][24][6]

Os estatutos aprovados em 19 de dezembro de 1968 determinam que a Academia Real das Ciências da Suécia aplique as regras dos prêmios instituídos pelo testamento de Nobel, com a escolha de trabalhos em ciências econômicas que beneficiem a humanidade.[16][31] Os laureados em Economia recebem o prêmio na mesma cerimônia dos laureados nas categorias suecas do Nobel.[9][32]

Indicação e escolha dos laureados

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Anúncio do prêmio de Economia pelo comitê da Academia Real das Ciências da Suécia, em 2008

A Academia Real das Ciências da Suécia organiza intercâmbios de pesquisadores com academias de outros países e publica periódicos científicos, além de conceder os Nobels de Física e Química, o prêmio de Economia e o Prêmio Crafoord.[33] Em setembro, o comitê de Economia envia convites a milhares de professores universitários e pesquisadores de diferentes países para que proponham candidatos à edição do ano seguinte. Membros da Academia e antigos laureados também podem fazer indicações.[17][16][17][12]

As propostas e os documentos que as sustentam devem chegar antes de 1.º de fevereiro, e ninguém pode apresentar a própria candidatura.[17][12] O comitê tem cinco membros eleitos pela Academia e pode contar com membros adicionais que possuem direito a voto. Especialistas convidados avaliam trabalhos nas áreas em exame, e o comitê apresenta sua recomendação antes do fim de setembro. Em caso de empate nas votações do comitê, o presidente tem o voto de desempate.[16][12]

A decisão final cabe à Academia, que vota no início de outubro após examinar a proposta do comitê e a avaliação de sua classe de ciências sociais.[16][34][17] Até três pessoas podem dividir o prêmio de uma edição, e os escolhidos devem estar vivos no momento do anúncio. Os nomes dos candidatos e de quem os propôs, assim como os pareceres e as discussões da seleção, ficam sob sigilo por 50 anos.[12]

Na cerimônia de 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel, cada laureado recebe do rei da Suécia um diploma, uma medalha de ouro e um documento que confirma o valor do prêmio. A entrega ocorre em Estocolmo, junto com os Nobels de Física, Química, Fisiologia ou Medicina e Literatura.[9][32]

Laureados

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Laureados de Economia, Física e Química reunidos em um evento da Academia Real das Ciências da Suécia, em 2013

Ragnar Frisch e Jan Tinbergen dividiram o primeiro prêmio, em 1969, pelo desenvolvimento e pela aplicação de modelos dinâmicos à análise dos processos econômicos.[20] De 1969 a 2026, foram concedidos 58 prêmios a 101 pessoas.[4] Na edição de 2025, Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt foram premiados por explicar como a inovação gera crescimento econômico.[26][35]

Na edição de 2026, Robert E. Hall e Michael Woodford dividiram o prêmio por suas pesquisas sobre os fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica. Seus modelos relacionam as decisões de consumo e de preços das famílias e empresas às medidas fiscais e monetárias usadas para reduzir as oscilações da economia.[1][36]

Elinor Ostrom, em 2009, Esther Duflo, em 2019, e Claudia Goldin, em 2023, foram as três mulheres premiadas até 2026. Goldin foi a primeira a receber o prêmio sem dividi-lo com outros pesquisadores.[37][38][4][39]

Premiação de pesquisadores de outras áreas

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Com doutorado em ciência política, Herbert Simon recebeu o prêmio de 1978 por suas pesquisas sobre a tomada de decisões em organizações econômicas e foi o primeiro laureado cuja formação era de outra área.[40][41] Os cientistas políticos Elinor Ostrom e James Robinson foram premiados em 2009 e 2024.[42][43] O psicólogo Daniel Kahneman, professor de Psicologia e Assuntos Públicos da Universidade de Princeton, recebeu o prêmio de 2002 por pesquisas sobre julgamento e decisão que aproximaram a psicologia da economia comportamental.[44]

Em fevereiro de 1995, após a escolha de John Forbes Nash em 1994, a revisão do prêmio incluiu uma discussão sobre a participação de pesquisadores de ciências sociais, como ciência política, psicologia e sociologia, e de especialistas de outras áreas no comitê.[45][21] As regras da Academia permitem a participação de integrantes de sua classe de ciências sociais e a convocação de especialistas de outras instituições.[17][nota 1][nota 2]

Controvérsias e críticas

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Uso do nome Nobel

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O advogado sueco de direitos humanos Peter Nobel, sobrinho-bisneto de Alfred Nobel, criticou o uso do nome de sua família e afirmou que nenhum familiar havia pretendido criar um prêmio de Economia.[22][47] Para ele, Alfred Nobel rejeitava a busca do lucro acima do bem-estar da sociedade, e o uso do nome Nobel na premiação era uma estratégia de relações públicas dos economistas para aumentar sua reputação.[22]

Acusações de parcialidade

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A ausência de Joan Robinson entre os laureados foi criticada pelo economista Alex Millmow como um sinal de preferência pela economia ortodoxa. Millmow atribuiu a exclusão ao receio de que Robinson recusasse o prêmio ou usasse a cerimônia para atacar essa corrente.[48][49]

Autoridade dos laureados

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No banquete do Nobel de 1974, Friedrich Hayek afirmou que teria desaconselhado a criação de um prêmio de Economia se tivesse sido consultado. Sua objeção era que a premiação dava ao laureado uma autoridade que nenhum economista deveria ter.[21][50] Para Hayek, nas ciências naturais os colegas poderiam contestar um especialista que ultrapassasse os limites de seu conhecimento, enquanto as opiniões dos economistas alcançavam políticos, jornalistas, servidores públicos e pessoas sem formação na área. Hayek aceitou o prêmio apesar dessas reservas.[50]

Escolhas contestadas

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Revisão do alcance do prêmio

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A escolha do matemático John Forbes Nash em 1994 provocou uma disputa no comitê sobre a premiação de pesquisas em teoria dos jogos e sobre as condições de saúde de Nash para participar da cerimônia.[62][63] As discussões levaram à revisão do funcionamento do comitê, com mandatos de três anos e a abertura a pesquisadores de outras ciências sociais.[45][21] A Academia mantém a exigência de pesquisas em ciências econômicas e permite duas reeleições consecutivas, até o limite de nove anos.[17][16]

Denominações

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O nome oficial é Prêmio Sveriges Riksbank de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, em sueco Sveriges riksbanks pris i ekonomisk vetenskap till Alfred Nobels minne, abreviado no país como Ekonomipriset.[5][6][7][64] As publicações em inglês usaram as denominações abaixo.[nota 3] Em 2006, o Riksbank determinou que sua denominação inglesa passasse a usar Sveriges Riksbank a partir de 1.º de setembro, em lugar de Bank of Sweden.[7]

Denominações usadas em publicações em inglês
PeríodoDenominação em inglêsTradução para o português
1969 a 1970Prize in Economic Science dedicated to the memory of Alfred Nobel[65][66]Prêmio de Ciência Econômica dedicado à memória de Alfred Nobel
1971Prize in Economic Science[67]Prêmio de Ciência Econômica
1972Bank of Sweden Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel[68]Prêmio do Banco da Suécia de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel
1973 a 1975Prize in Economic Science in Memory of Alfred Nobel[69][70]Prêmio de Ciência Econômica em Memória de Alfred Nobel
1976 a 1977Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel[53][71]Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel
1978 a 1981Alfred Nobel Memorial Prize in Economic Sciences[40][72]Prêmio Memorial Alfred Nobel de Ciências Econômicas
1982Alfred Nobel Memorial Prize in Economic Science[73]Prêmio Memorial Alfred Nobel de Ciência Econômica
1983Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel[74]Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel
1984 a 1990Alfred Nobel Memorial Prize in Economic Sciences[75][76]Prêmio Memorial Alfred Nobel de Ciências Econômicas
1991Sveriges Riksbank (Bank of Sweden) Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel[77]Prêmio Sveriges Riksbank, Banco da Suécia, de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel
1992 a 2005Bank of Sweden Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel[78][79]Prêmio do Banco da Suécia de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel
Desde 2006The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel[80][81]Prêmio Sveriges Riksbank de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel

Ver também

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Notas

  1. ↑ Em 2007, quatro dos cinco membros do comitê eram professores de Economia, e o quinto era professor de Estatística Econômica. O secretário era professor de Bancos e Seguros.[46]
  2. ↑ Samuel Brittan interpretou a revisão como uma ampliação do prêmio para as ciências sociais, com a inclusão de dois membros de outras áreas no comitê. Os estatutos mantêm a exigência de trabalhos em ciências econômicas, sem restringir a formação universitária dos candidatos.[21][16]
  3. ↑ As traduções da tabela esclarecem as diferenças entre as denominações em inglês e não constituem uma lista de nomes oficiais em português. A decisão do Riksbank de 2006 manteve o nome sueco do banco na denominação inglesa por rejeitar a tradução "Bank of Sweden".[7]

Referências

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  80. ↑ «The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 2006: Press Release» (em inglês). Fundação Nobel. 9 de outubro de 2006. Consultado em 11 de outubro de 2026
  81. ↑ «The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 2007: Press Release» (em inglês). Fundação Nobel. 15 de outubro de 2007. Consultado em 11 de outubro de 2026

Bibliografia citada

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  • Nasar, Sylvia (1998). A Beautiful Mind (em inglês). Nova York: Simon & Schuster. ISBN 0-684-81906-6 

Leitura adicional

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Ligações externas

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