Venceslau I, rei da Boêmia
| Venceslau I, rei da Boêmia | |
|---|---|
| Nascimento | 1205 Praga |
| Morte | 23 de setembro de 1253 (47–48 anos) Počaply |
| Sepultamento | convento de Santa Inês da Boêmia |
| Progenitores | |
| Cônjuge | Cunegunda da Suábia |
| Filho(a)(s) | Vladislau da Morávia, Otacar II da Boêmia, Beatriz da Boêmia, Inês da Boêmia |
| Irmão(ã)(s) | Inês de Praga, Ana da Boêmia, Duquesa da Silésia, Judite da Boêmia, Dagmar da Boêmia, Přemyslid, Margrave da Morávia, Vratislav, Vladislaus, Margrave of Moravia, Božislava |
| Ocupação | aristocrata |
| Cargo(s) | |
| Título | rei |
Venceslau I (em tcheco/checo: Václav I.; c. 1205 – 23 de setembro de 1253), chamado O Caolho, foi Rei da Boêmia de 1230 a 1253.
Venceslau era filho de Otacar I da Boêmia e sua segunda esposa Constança da Hungria.[1]
Casamento e filhos
[editar | editar código]Em 1224, Venceslau casou-se com Cunegunda de Hohenstaufen, terceira filha de Filipe da Suábia, Rei da Germânia, e sua esposa Irene Angelina. Venceslau encorajou um grande número de alemães a se estabelecer nas aldeias e cidades da Boêmia e da Morávia. Edifícios de pedra começaram a substituir os de madeira em Praga como resultado da influência dos novos colonos.[1]
Venceslau e Cunegunda tiveram cinco filhos conhecidos:
- Vladislau III da Morávia (c. 1228 – 3 de janeiro de 1247)[2]
- Otacar II da Boêmia (c. 1230 – 26 de agosto de 1278)[3]
- Beatriz (c. 1231 – 27 de maio de 1290), que se casou com Otão III de Brandemburgo[4]
- Inês (morta em 10 de agosto de 1268), que se casou com Henrique III de Meissen
- Uma filha que morreu jovem
Início do reinado
[editar | editar código]Em 6 de fevereiro de 1228, Venceslau foi coroado como co-governante do Reino da Boêmia com seu pai.[5] Em 15 de dezembro de 1230, Otacar morreu e Venceslau sucedeu-o como o Rei sênior da Boêmia.[5]
Seu início de reinado foi preocupado pela ameaça à Boêmia representada por Frederico II, Duque da Áustria. O expansionismo de Frederico causou a preocupação e protesto de vários outros governantes. Em 1236, o Sacro Imperador Romano Frederico II estava envolvido em uma guerra contra a Liga Lombarda. O Imperador exigiu que Venceslau e outros governantes do Sacro Império Romano lhe emprestassem parte de suas próprias tropas para seu esforço de guerra. Venceslau liderou um grupo de príncipes que expressaram sua relutância em desviar quaisquer tropas da defesa de seus próprios territórios, citando medo de invasão do Ducado da Áustria. Eles solicitaram intervenção imperial na situação.[6]
Em junho de 1236, o Imperador impôs um banimento imperial ao Duque da Áustria. Tropas enviadas contra o Duque o forçaram a fugir de Viena para Wiener Neustadt. Ele continuaria a governar um Estado remanescente no ano seguinte. O Imperador declarou governo imperial direto tanto na Áustria quanto no Ducado da Estíria, também mantido pelo Duque em fuga. Ekbert von Andechs-Meranien, antigo Bispo de Bamberg foi instalado como governador nos dois Ducados. Ekbert governaria de fevereiro até sua morte em 5 de junho de 1237.[7] Venceslau dificilmente ficou satisfeito com essa aparente expansão da autoridade imperial direta perto de suas fronteiras. Venceslau e o Duque Frederico formaram uma aliança contra o Imperador. Frederico, o Imperador, escolheu levantar o banimento em 1237 em vez de manter outra frente aberta. Venceslau conseguiu negociar a expansão da Boêmia ao norte do Danúbio, anexando territórios oferecidos pelo Duque Frederico a fim de formar e manter sua aliança.[8]
Venceslau e Frederico também encontraram outro aliado na pessoa de Otão II, Duque da Baviera. Em junho de 1239, Venceslau e Otão deixaram o Reichstag em Eger, abandonando o serviço do excomungado Imperador Frederico II. Apesar de sua intenção de eleger um anti-rei, tal eleição não ocorreria até 1246. Em 1246, Henrique Raspe, Landegrave da Turíngia, foi eleito Rei da Germânia em oposição ao Imperador Frederico II e Conrado IV da Germânia.[8]
Invasão mongol
[editar | editar código]
Em 1241, Venceslau repeliu com sucesso uma incursão na Boêmia por forças servindo sob Batu Khan e Subutai do Império Mongol como parte da Invasão mongol da Europa. Os mongóis invadiram o Reino da Polônia, a Silésia e a Morávia, liderados por Baidar, Kadan e Orda Khan com uma força de cerca de 20 000 mongóis, causando muita destruição.[8]
Durante a invasão mongol da Polônia, o Duque Henrique II, o Piedoso da Silésia, cunhado de Venceslau, inicialmente pediu sua ajuda para combater os mongóis. No entanto, como Venceslau estava vindo em seu auxílio em Legnica com uma força de 50 000 soldados, a impaciência forçou Henrique II a atacar os mongóis sem a ajuda da Boêmia, o que resultou na devastadora Batalha de Legnica.[9] Após a vitória mongol, Venceslau recuou para proteger a Boêmia. Ele reuniu reforços da Turíngia e da Saxônia ao longo do caminho, antes de se refugiar nas regiões montanhosas da Boêmia, cujo terreno reduziria a mobilidade da cavalaria mongol. Quando uma vanguarda mongol atacou Kłodzko, a cavalaria boêmia os derrotou facilmente nos desfiladeiros da montanha.[10][11][12] Após seu fracasso contra o exército de Venceslau, os mongóis liderados por Baidar e Kadan se afastaram da Boêmia e da Polônia e foram para o sul para se reunir com Batu e Subutai na Hungria, que haviam obtido uma vitória pírrica sobre os húngaros na Batalha de Mohi.[8]
Quando Subutai soube em 1242 que o Grande Khan Ögedei havia morrido no ano anterior, o exército mongol recuou para o leste, porque Subutai tinha três príncipes de sangue em seu comando e Gêngis Khan havia deixado claro que todos os descendentes do Khagan (Grande Khan) deveriam retornar à capital mongol de Karakorum para o kurultai que elegeria o próximo Khagan. Tal foi o sucesso de Venceslau contra os invasores que cronistas enviaram mensagens ao Imperador Frederico II sobre sua "defesa vitoriosa".[13]
Ducado da Áustria para os Premíslidas
[editar | editar código]Em 15 de junho de 1246, Frederico II, Duque da Áustria, foi morto na Batalha do Rio Leitha contra Béla IV da Hungria.[14] Sua morte encerrou o reinado da dinastia Babemberga na Áustria.[14] A questão de sua sucessão resultaria em anos de disputas entre vários herdeiros. A política externa de Venceslau tornou-se focada em adquirir a Áustria para a Dinastia Premíslida. Enquanto isso, o Imperador Frederico II conseguiu mais uma vez colocar a Áustria sob governo imperial direto. No entanto, o governador imperial Otto von Eberstein teve que lidar com uma rebelião austríaca, impedindo benefícios imediatos da anexação do Ducado.[15]
O Privilegium Minus, o documento que havia elevado a Áustria a Ducado em 17 de setembro de 1156, permitia que a linha feminina da Casa de Babemberga sucedesse ao trono. Gertrudes, Duquesa da Áustria, sobrinha do falecido Frederico II, assim pôde reivindicar o Ducado por direito próprio. Venceslau arranjou seu casamento com seu filho mais velho, Vladislau, Margrave da Morávia. Vladislau foi declarado jure uxoris Duque da Áustria e conseguiu garantir o apoio de parte da nobreza austríaca. Em 3 de janeiro de 1247, Vladislau morreu subitamente e o plano inicial de Venceslau foi anulado. Gertrudes continuou sua reivindicação e passou a se casar com Hermano VI, Margrave de Baden.[15]
A rebelião
[editar | editar código]Em 1248, Venceslau teve que lidar com uma rebelião da nobreza boêmia, liderada por seu próprio filho Otacar II. Otacar havia sido atraído por nobres descontentes para liderar a rebelião, durante a qual recebeu o apelido de "o Rei mais jovem" (mladší král). Venceslau conseguiu derrotar os rebeldes e aprisionou seu filho.[8] Otacar II deteve o título de Rei da Boêmia de 31 de julho de 1248 a novembro de 1249.[8]
No final de 1250, tanto o Imperador quanto Hermano VI estavam falecidos. O último nunca tendo sido aceito pelos nobres austríacos, Gertrudes e seu único filho Frederico I, Margrave de Baden continuaram sua reivindicação. Venceslau liderou uma invasão bem-sucedida da Áustria, completada em 1251. Venceslau libertou Otacar II e o nomeou Margrave da Morávia. Venceslau fez Otacar ser proclamado Duque da Áustria e aclamado pela nobreza. A fim de garantir direitos dinásticos sobre a Áustria, Venceslau fez outra mulher Babemberga ser proclamada Duquesa e prometida a seu filho. Margarida, Duquesa da Áustria, era irmã do Duque Frederico II e tia de Gertrudes. Ela também era viúva de Henrique (VII) da Germânia, que havia morrido em 1242. No entanto, Margarida era muito mais velha que Otacar. O casamento deles ocorreu em 11 de fevereiro de 1252.[8]
Venceslau não desfrutou de sua vitória por muito tempo. Ele morreu em 23 de setembro de 1253 e Otacar II sucedeu-o.[8]
Cidades fundadas por Venceslau
[editar | editar código]Referências
[editar | editar código]- 1 2 Wihoda 2015, p. 299.
- ↑ Dvornik 1962, p. 26.
- ↑ Sturner 1992, p. 295.
- ↑ Lyon 2013, p. 241.
- 1 2 Krofta 1968, p. 435.
- ↑ Poole 1968, p. 101.
- ↑ Aeiou Encyclopedia: article "Ekbert von Andechs-Meranien"
- 1 2 3 4 5 6 7 8
Chisholm, Hugh, ed. (1911). «Ottakar I.». Encyclopædia Britannica (em inglês) 11.ª ed. Encyclopædia Britannica, Inc. (atualmente em domínio público) - ↑ Hildinger, Erik (12 de junho de 2006). «Mongol Invasions: Battle of Liegnitz». History Net 12-6-2006
- ↑ Hickman, Kenneth. «Mongol Invasions: Battle of Legnica». ThoughtsCO.com 29-8-2016
- ↑ de Hartog, Leo. Genghis Khan: Conqueror of the World. Tauris Parke Paperbacks (17-1-2004). p. 173. ISBN 978-1860649721
- ↑ Zimmermann, Wilhelm. A Popular History of Germany from the Earliest Period to the Present Day . Nabu Press (24-2-2010). p. 1109. ISBN 978-1145783386
- ↑ Christianity, Europe, and (Utraquist) Bohemia
- 1 2 Pál Engel, Realm of St. Stephen: A History of Medieval Hungary, transl. Tamás Pálosfalvi, ed. Andrew Ayton, (I.B. Tauris, 2005), 106.
- 1 2 (DE) Erich Zöllner, Geschichte Österreichs: von den Anfängen bis zur Gegenwart, (Oldenbourg Verlag, 1990), 111.
Fontes
[editar | editar código]- Dvornik, Francis (1962). The Slavs in European History and Civilization. [S.l.]: Rutgers University Press
- Krofta, Kamil (1968). «Bohemia to the Extinction of the Premyslids». In: Tanner, J.R.; Previte-Orton, C.W.; Brooke, Z.N. The Cambridge Medieval History. VI. [S.l.]: Cambridge University Press
- Lyon, Jonathan R. (2013). Princely Brothers and Sisters: The Sibling Bond in German Politics, 1100-1250. [S.l.]: Cornell University Press
- Poole, Austin Lane (1968). «Germany in the Reign of Frederick II». The Cambridge Medieval History. VI. [S.l.]: Cambridge University Press
- Sturner, Wolfgang (1992). Friedrich II:Teil 1 Die Konigscheffschaft in Sizilien un Deutschland 1194-1220 (em alemão). [S.l.]: Wissenschaftliche Buchgesellschaft
- Wihoda, Martin (2015). Vladislaus Henry: The Formation of Moravian Identity. Traduzido por Millerova, Katerina. [S.l.]: Brill
