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Hist�ria do Rio S�o Francisco
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Rio S�o Francisco | 01/11/2001 | Fonte: Rota Brasil Oeste

Cerca de um ano ap�s a descoberta de Pedro Alvarez Cabral, o navegador Am�rico Vesp�cio chegou � foz de um enorme rio que desaguava no mar. A data era 04 de outubro de 1501, dia de S�o Francisco, santo em cuja homenagem os navegadores europeus batizaram o rio. Para as diversas na��es ind�genas que habitavam aquela regi�o, aquelas �guas tinham um nome antigo: Opar�, que significa algo como �rio-mar�.

Desde ent�o, o S�o Francisco passou a ser visitado regularmente pelas naus europ�ias e, mais tarde, seria o principal pavimento para a coloniza��o dos sert�es goianos, o chamado Brasil-Central. No primeiro momento, por�m, o terreno desconhecido e a resist�ncia dos �ndios dificultaram o dom�nio da regi�o.

Duas d�cadas depois de seu descobrimento, em 1522, o primeiro donat�rio da capitania de Pernambuco, o portugu�s Duarte Coelho, funda a cidade de Penedo, em Alagoas. Com a autoriza��o da coroa portuguesa, em 1543 come�a a cria��o de gado na regi�o, atividade econ�mica que marca a hist�ria do vale do S�o Francisco que chegou a ser chamado de � Rio-dos-Currais�. Estes foram os primeiros passos para o in�cio da coloniza��o.

Mesmo assim, a explora��o estava limitada ao litoral, principalmente por causa das tribos ind�genas que defendiam seus territ�rios no interior. Os Pankararu, Atikum, Kimbiwa, Truka, Kiriri, Tuxa e Pankarare, s�o alguns dos remanescentes atuais das popula��es que originalmente ocupavam o local.

Apesar disso, lendas sobre pedras preciosas e riquezas inacredit�veis atra�am diversos aventureiros para a regi�o. Guiados pela cobi�a, estes colonizadores foram dizimando os �ndios, que fugiam dali para o planalto central. Assim, ergueram-se os primeiros e pequenos arraiais, iniciando o dom�nio da regi�o, onde o ouro e as pedras preciosas.

Em 1553, o rei D. Jo�o III, ordenou ao Governador Geral Tom� de Souza a explora��o das margens interiores do rio. A organiza��o da empreitada ficou a cargo de Bruza Espinosa, que teve em seu lado o Padre Aspilcueta Navarro para formar a primeira companhia de penetra��o. O roteiro dessa viagem e uma carta do Padre Navarro s�o os primeiros documentos descritivos sobre o S�o Francisco.

A partir da�, as �guas do rio foram navegadas por d�zias de expedicion�rios que, aos poucos, consolidaram o dom�nio sobre a explora��o do S�o Francisco. A ocupa��o, entretanto, ocorreu principalmente atrav�s das sesmarias, tendo sido o S�o Francisco ocupado parte pela Casa da Torre de Garcia D�vila e parte pela Casa da Ponte, de Ant�nio Guedes de Brito. O primeiro, Garcia D�vila, apossa-se das terras em 1573, sendo mais de 70 l�guas entre o Rio S�o Francisco e o Parna�ba no Piau�.

Conflitos

Em 1637, os holandeses invadiram o povoado de Penedo por causa de sua localiza��o estrat�gica, na foz do S�o Francisco. Ali constru�ram um forte batizado Maur�cio, em homenagem a Maur�cio de Nassau. O dom�nio holand�s permaneceu forte at� 1645, quando os portugueses retomaram a regi�o.

Outro fator importante da ocupa��o nesta �poca, foram as miss�es religiosas, iniciadas por padres capuchinhos bret�es a partir de 1641. Com isso, as na��es ind�genas sumiam do mapa, atacadas por doen�as, miscigena��o e pela acultura��o.

Em 1675, jazidas de ouro s�o encontradas em afluentes do S�o Francisco pela bandeira de Louren�o de Castanho que assassina os �ndios catagu�ses, habitantes originais da regi�o. Desde ent�o, dezenas de bandeirantes navegaram o rio, entre eles: Matias Cardoso, Domingos Jorge Velho, Domingos Sert�o, Fern�o Dias Paes, Borba Gato e Domingos Mafrense.

Nesta �poca, os portugueses tamb�m enfrentaram a resist�ncia dos escravos fugitivos. Os quilombos formavam uma verdadeira rep�blica negra que desafiou por muito tempo o dom�nio da Coroa. Em 20 de dezembro de 1695, uma tropa mercen�ria, contratada por Portugal e os usineiros de a��car da capitania de Pernambuco, destruiu o �ltimo foco da resist�ncia armada dos escravos, ligadas ao famoso Quilombo dos Palmares.

Relevo

O Vale do S�o Francisco � uma depress�o alongada que parte da Serra da Canastra, na parte sul da bacia, sendo formada pela Serra do Espinha�o a leste e a Serra Geral de Goi�s a oeste, com altitudes variam de 1.000 a 1.300 metros do n�vel do mar. J� no M�dio S�o Francisco, o curso d��gua encontra-se com a Serra da Tabatinga, ao norte, cujas alturas s�o de 800 a 1.000 metros, formando o divisor com o vale do Parna�ba, no Piau�.

Nesse ponto, o vale toma a dire��o leste, margeado pela chapada do Araripe, ao norte, com 800 metros de altitude, divisor de �guas com o vale do Cariri, no Cear�, sendo ao sul limitado pela Bacia de Tucano e Vaza-Barris, onde se localiza o raso da Catarina.

Dos divisores de �guas de suas nascentes, onde as altitudes variam de 1.600 a 600 metros, o Alto S�o Francisco apresenta topografia levemente ondulada, entalhada em arenitos, ard�sias e calc�rio. No M�dio S�o Francisco, pr�ximo aos limites de Goi�s at� a divisa de Maranh�o e Piau�, os chapad�es constituem as fei��es predominantes, com vertentes sulcadas por vales profundos. As altitudes situam-se entre 800 a 900 metros. No Baixo S�o Francisco, perto da foz e do n�vel de base, o rio perde velocidade e d� origem a dep�sitos sedimentares.

Solos

H� v�rios tipos de solos na Bacia do S�o Francisco, desde solos arenosos, at� solos argilosos. Muitas �reas disp�em de solos salinos, ou areia pura, ambos in�teis para a agricultura. As margens e ilhas s�o formadas por solos transportados, que s�o chamados de aluvi�es, e sempre foram utilizados pelos ribeirinhos para cultura de subsist�ncia, de feij�o, batata, milho ou mandioca, aproveitando as vazantes, ou lameiros.

Vegeta��o

A cobertura vegetal da Bacia do S�o Francisco � bastante variada, sendo formada em sua maior parte pelos cerrados e pela caatinga. Mas em sua extens�o encontramos �reas de mata, nas zonas �midas, e de mata caducif�lia, em regi�es de boa precipita��o com solos profundos e f�rteis. Como exemplo podemos citar os vales dos rios Carinhanhas, Corrente e Grande, na Bahia, e do Verde Grande, na Bahia e em Minas Gerais. Nessas matas, a vegeta��o � alta, densa e com esp�cies da chamada �madeira de lei�. H� tamb�m no S�o Francisco uma forma��o vegetal pr�pria de terrenos alagadi�os, cujas esp�cies, na grande maioria, t�m frutos ou sementes que fazem parte da alimenta��o dos peixes de �gua doce.




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