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Cálculo vetorial - Um Livro Colaborativo

4.3 Cálculo com o operador nabla


4.3.1 Definição matemática de divergente, gradiente e rotacional


No cálculo vetorial, o operador ∇ ⁡→, pronunciado nabla ou del, é um símbolo usado para denotar uma série de operadores diferenciais definidos em campos escalares e vetorias, como gradiente, divergente e rotacional. Ele é definido simbolicamente como:

∇ ⁡→ ≡i→ ∂ ∂x + j→ ∂ ∂y + k→ ∂ ∂z (4.1)

Rigorosamente falando, o operador del não é um operador diferencial, mas um mnemônico que ajuda a lembrar de uma série de operadores diferenciais:

∇ ⁡→f = i→∂f ∂x + j→∂f ∂y + k→∂f ∂z(Gradiente), ∇ ⁡→ ⋅F→ = ∂F1 ∂x + ∂F2 ∂y + ∂F3 ∂z (Divergente), ∇ ⁡→ ×F→ = i→ ∂F3 ∂y − ∂F2 ∂z + j→ ∂F1 ∂z − ∂F3 ∂x + k→ ∂F2 ∂x − ∂F1 ∂y (Rotacional).

O rotacional pode ser representado pelo seguinte determinante simbólico, que funciona como um mnemônico para lembrar facilmente de sua definição:

∇ ⁡→×F→ = i→ j→ k→ ∂ ∂x ∂ ∂y ∂ ∂z F1 F2 F3 .

Exemplo 4.3.1. Calule o gradiente do campo escalar dado por f(x,y,z) = xy + z.

∇ ⁡→f = i→∂f ∂x + j→∂f ∂y + k→∂f ∂z = yi→ + xj→ + k→ (4.2)

Exemplo 4.3.2. Calule o divergente e o rotacional do campo vetorial dado por F→ = (yz + x)i→ + z2j→ + z3k→.

∇ ⁡→ ⋅F→ = ∂F1 ∂x + ∂F2 ∂y + ∂F3 ∂z = 1 + 0 + 3z2 = 3z2 + 1 (4.3)

∇ ⁡→ ×F→ = i→ j→ k→ ∂ ∂x ∂ ∂y ∂ ∂z yz + x z2 z3 (4.4) = 0 − 2zi→ + y − 0 j→ + 0 − zk→ (4.5) = −2zi→ + yj→ − zk→. (4.6)

Exemplo 4.3.3. Dado o campo vetorial dado por F→ = x5i→ + y2j→, calcule o gradiente do divergente,∇ ⁡→∇ ⁡→ ⋅F→, de F→

∇ ⁡→ ⋅F→ = ∂F1 ∂x + ∂F2 ∂y + ∂F3 ∂z = 5x4 + 2y (4.7) ∇ ⁡→∇ ⁡→ ⋅F→ = 20x3i→ + 2j→ (4.8)

4.3.2 Operadores diferenciais de segunda ordem


Operadores diferenciais de segunda ordem podem ser definidos através da composição de operadores diferenciais de primeira ordem. Combinando o gradiente, rotacional e divergente, encontramos as seguintes possibilidades:

∇ ⁡→ ⋅∇ ⁡→f (Divergente do gradiente ou laplaciano) (4.9) ∇ ⁡→ ×∇ ⁡→f (Rotacional do gradiente) (4.10) ∇ ⁡→∇ ⁡→ ⋅F→ (Gradiente do divergente) (4.11) ∇ ⁡→ ⋅∇ ⁡→ ×F→ (Divergente do rotacional) (4.12) ∇ ⁡→ ×∇ ⁡→ ×F→ (Rotacional do rotacional) (4.13)

No caso do Laplaciano, temos

∇ ⁡→ ⋅∇ ⁡→f = ∇ ⁡→ ⋅ ∂f ∂xi→ + ∂f ∂yj→ + ∂f ∂zk→ = ∂2f ∂x2 + ∂2f ∂y2 + ∂2f ∂z2 (4.14)

O Laplaciano também pode ser denotado por ∇ ⁡→2f ou por Δf, ou seja, Δf = ∇ ⁡→2f = ∇ ⁡→ ⋅∇ ⁡→f.

O Laplaciano também pode ser definido para um campo vetorial F→ = F1i→ + F2j→ + F3k→ da seguinte forma:

∇ ⁡→2F→ = (∇ ⁡→2F 1)i→ + (∇ ⁡→2F 2)j→ + (∇ ⁡→2F 3)k→ = ∂2F 1 ∂x2 + ∂2F 1 ∂y2 + ∂2F 1 ∂z2 i→ + ∂2F 2 ∂x2 + ∂2F 2 ∂y2 + ∂2F 2 ∂z2 j→ + ∂2F 3 ∂x2 + ∂2F 3 ∂y2 + ∂2F 3 ∂z2 k→ = ∂2F→ ∂x2 + ∂2F→ ∂y2 + ∂2F→ ∂z2 .

Assim como estabelecemos uma expressão para o Laplaciano, podemos escrever todas as expressões dos operadores de segunda ordem usando as definições de gradiente, divergente e rotacional. Por exemplo, se F→ = F1i→ + F2j→ + F3k→, temos a seguinte expressão para o gradiente do divergente:

∇ ⁡→∇ ⁡→ ⋅F→ = ∇ ⁡→ ∂F1 ∂x + ∂F2 ∂y + ∂F3 ∂z = ∂2F 1 ∂x2 + ∂2F 2 ∂yx + ∂2F 3 ∂zx i→ + ∂2F 1 ∂xy + ∂2F 2 ∂y2 + ∂2F 3 ∂zy j→ + ∂2F 1 ∂xz + ∂2F 2 ∂yz + ∂2F 3 ∂z2 k→.

As demais expressões ficam de exercício para o leitor.

4.3.3 Identidades envolvendo o operador nabla


Nesta seção, discutimos alguma identidades envolvendo o operador ∇ ⁡→. Sejam f = f(x,y,z) e g = g(x,y,z) campos escalares e F→ = F→(x,y,z) e G→ = G→(x,y,z) campos vetoriais. Então, valem as identidades da tabela 4.1.


Tabela 4.1: Tabela do operador ∇ ⁡→


1. ∇ ⁡→ f + g = ∇ ⁡→f + ∇ ⁡→g


2. ∇ ⁡→ ⋅ F→ + G→ = ∇ ⁡→ ⋅F→ + ∇ ⁡→ ⋅G→


3. ∇ ⁡→ × F→ + G→ = ∇ ⁡→ ×F→ + ∇ ⁡→ ×G→


4. ∇ ⁡→ fg = f∇ ⁡→g + g∇ ⁡→f


5. ∇ ⁡→ ⋅ fF→ = ∇ ⁡→f ⋅F→ + f ∇ ⁡→ ⋅F→


6. ∇ ⁡→ × fF→ = ∇ ⁡→f ×F→ + f∇ ⁡→ ×F→


7.
∇ ⁡→ ⋅∇ ⁡→f = ∇ ⁡→2f = ∂2f ∂x2 + ∂2f ∂y2 + ∂2f ∂z2 ,
onde ∇ ⁡→2 = ∂2 ∂x2 + ∂2 ∂y2 + ∂2 ∂z2 é o operador laplaciano


8. ∇ ⁡→ × ∇ ⁡→f = 0


9. ∇ ⁡→ ⋅ ∇ ⁡→ ×F→ = 0


10. ∇ ⁡→ × ∇ ⁡→ ×F→ = ∇ ⁡→ ∇ ⁡→ ⋅F→ −∇ ⁡→2F→


11. ∇ ⁡→ ⋅ F→ ×G→ = G ⋅ ∇ ⁡→ ×F→ − F ⋅ ∇ ⁡→ ×G→


12. ∇ ⁡→ × F→ ×G→ = G→ ⋅∇ ⁡→F→ −G→ ∇ ⁡→ ⋅F→− − F → ⋅ ∇ ⁡→ G→ + F → ∇ ⁡→ ⋅ G→


13. ∇ ⁡→ F→ ⋅G→ = G→ ⋅∇ ⁡→F→ + F→ ⋅∇ ⁡→G→+ + F → × ∇ ⁡→ × G→ + G→ × ∇ ⁡→ × F →


14. ∇ ⁡→φ(r) = φ′(r)r̂



As demonstrações dos itens 1, 2 e 3 da tabela 4.1 vem diretamente da linearidade das derivadas parciais. De fato, no caso do item 1,

∇ ⁡→(f + g) = ∂(f + g) ∂x i→ + ∂(f + g) ∂y j→ + ∂(f + g) ∂z k→ = ∂f ∂x + ∂g ∂xi→ + ∂f ∂y + ∂g ∂yj→ + ∂f ∂z + ∂g ∂zk→ = ∂f ∂xi→ + ∂g ∂xi→ + ∂f ∂yj→ + ∂g ∂yj→ + ∂f ∂zk→ + ∂g ∂zk→ = ∇ ⁡→f + ∇ ⁡→g.

As demonstrações dos itens 2 e 3 são análogas ao do item 1. Os itens 4, 5 e 6 da tabela 4.1 são demonstrados a partir da propriedade da derivadas parciais do produto de duas funções. No caso do item 4,

∇ ⁡→(fg) = ∂(fg) ∂x i→ + ∂(fg) ∂y j→ + ∂(fg) ∂z k→ = f ∂g ∂x + g∂f ∂xi→ + f ∂g ∂y + g∂f ∂yj→ + f ∂g ∂z + g∂f ∂zk→ = f ∂g ∂xi→ + ∂g ∂yj→ + ∂g ∂zk→ + g ∂f ∂xi→ + ∂f ∂yj→ + ∂f ∂zk→ = f∇ ⁡→g + g∇ ⁡→f

O item 7 está demonstrado na expressão 4.14. Os itens 8 e 9 podem ser provados por simples inspeção, desde que assumimos que as funções envolvidas possuem a segunda derivada contínua:

∇ ⁡→ ×∇ ⁡→f = i→ j→ k→ ∂ ∂x ∂ ∂y ∂ ∂z ∂f ∂x ∂f ∂y ∂f ∂z = i→ ∂2f ∂z∂y − ∂2f ∂y∂z + j→ ∂2f ∂x∂z − ∂2f ∂z∂x + k→ ∂2f ∂y∂x − ∂2f ∂x∂y

Sob a regularidade exigida, as derivadas parciais podem ser comutadas e cada termo do rotacional é nulo, isto é:

∇ ⁡→ ⋅∇ ⁡→ ×F→ ≡ 0 (4.15)

A demonstração é análoga para o item 9 da tabela.

Para o item 10 da tabela, supondo F→ = F1i→ + F2j→ + F3k→, observemos que

∇ ⁡→×(∇ ⁡→×F→) = i→ j→ k→ ∂ ∂x ∂ ∂y ∂ ∂z ∂F3 ∂y − ∂F2 ∂z ∂F1 ∂z − ∂F3 ∂x ∂F2 ∂x − ∂F1 ∂y . (4.16)

Os termos à direita do item 10 são:

∇ ⁡→(∇ ⁡→ ⋅F→) = ∇ ⁡→ ∂F1 ∂x + ∂F2 ∂y + ∂F3 ∂z (4.17)

e

−∇ ⁡→2F→ = −∂2F→ ∂x2 − ∂2F→ ∂y2 − ∂2F→ ∂z2 . (4.18)

Vamos calcular apenas a compotente i→ de cada um dos três termos imediatamente acima. A componente i→ da expressão (4.16) é

∂ ∂y ∂F2 ∂x − ∂F1 ∂y − ∂ ∂z ∂F1 ∂z − ∂F3 ∂x , (4.19)

a componente i→ da expressão (4.17) é

∂2F 1 ∂x2 + ∂2F 2 ∂yx + ∂2F 3 ∂zx (4.20)

e a componente i→ do operador (4.18) é

−∂2F 1 ∂x2 − ∂2F 1 ∂y2 − ∂2F 1 ∂z2 . (4.21)

Agora, fica fácil ver que a soma das expressões (4.21) e (4.20) resulta na expressão (4.19). Analogamente, podemos demonstrar a igualdade das outras duas componentes para concluir a validade do item 10 da tabela. As demonstrações dos itens 11, 12 e 13, embora um pouco mais longas, são análogas a do item 10, e ficam como exercício. O demonstração do item 14 será feita na seção 4.8

Exercícios resolvidos


ER 4.3.1. Mostre que ∇ ⁡→ ⋅ ∇ ⁡→f ×∇ ⁡→g = 0→

Solução.

E = ∇ ⁡→ ⋅ ∇ ⁡→f ×∇ ⁡→g = ∇ ⁡→g ⋅ ∇ ⁡→ ×∇ ⁡→f + ∇ ⁡→f ⋅ ∇ ⁡→ ×∇ ⁡→gtab(11)comF→ = ∇ ⁡feG→ = ∇ ⁡g. = 0tab(8)

♢

ER 4.3.2. Simplifique ∇ ⁡→ × F→∇ ⁡→ ⋅F→ + F→ × ∇ ⁡→ ×∇ ⁡→ ×F→ + F→ ×∇ ⁡→2F→ e mostre que esta expressão equivale a (∇ ⁡→ ⋅F→)(∇ ⁡→ ×F→)

Solução.

E→ = ∇ ⁡→ × F→∇ ⁡→ ⋅F→ + F→ × ∇ ⁡→ ×∇ ⁡→ ×F→ + F→ ×∇ ⁡→2F→ = ∇ ⁡→ × F→∇ ⁡→ ⋅F→ + F→ × ∇ ⁡→ ×∇ ⁡→ ×F→ + ∇ ⁡→2F→ = ∇ ⁡→ × F→∇ ⁡→ ⋅F→ + F→ ×∇ ⁡→(∇ ⁡→ ⋅F→)tab(10) = ∇ ⁡→(∇ ⁡→ ⋅F→) ×F→ + (∇ ⁡→ ⋅F→)(∇ ⁡→ ×F→) + F→ ×∇ ⁡→(∇ ⁡→ ⋅F→),tab(6)comf = ∇ ⁡→ ⋅F→. = (∇ ⁡→ ⋅F→)(∇ ⁡→ ×F→)

Onde se usou que A→ ×B→ = −B→ ×A→.

♢

ER 4.3.3.

Verifique tab(10), isto é, ∇ ⁡→ ×∇ ⁡→ ×F→ = ∇ ⁡→∇ ⁡→ ⋅F→ −∇ ⁡→2F→ para

F→ = x2yi→ + xyzj→ + z2yk→.

Solução.

∇ ⁡→ ×F→ = i→ j→ k→ ∂ ∂x ∂ ∂y ∂ ∂z x2y xyz z2y = z2 − xyi→ + 0 − 0 j→ + yz − x2 k→

∇ ⁡→ ×∇ ⁡→ ×F→ = i→ j→ k→ ∂ ∂x ∂ ∂y ∂ ∂z (z2 − xy) 0 (yz − x2) = z − 0 i→ + 2z + 2xj→ + 0 + xk→

∇ ⁡→(∇ ⁡→ ⋅F→) = ∇ ⁡→(2xy + xz + 2yz) = (2y + z)i→ + (2x + 2z)j→ + (x + 2y)k→

∇ ⁡→2F→ = 2yi→ + 0j→ + 2yk→

Vemos que a identidade se verifica.

♢

Exercícios


E 4.3.1. Calcule o divergente e o rotacional do campo F→ para

  • F→ = x2i→ − 2j→ + yzk→
  • F→ = exyi→ − cos ⁡ (y)j→ + sen ⁡ 2(z)k→

Resposta.

  • ∇ ⁡→ ⋅F→ = 2x + y e ∇ ⁡→ ×F→ = zi→
  • ∇ ⁡→ ⋅F→ = yexy + sen ⁡ (y) + sen ⁡ (2z) e ∇ ⁡→ ×F→ = −xexyk→

E 4.3.2. Mostre que se u→ = ai→ + bj→ + ck→, onde a, b e c são constantes, e r→ = xi→ + yj→ + zk→, então:

  • ∇ ⁡→ ⋅ (u→ ×r→) = 0 .
  • ∇ ⁡→ × (u→ ×r→) = 2u→.

E 4.3.3. Dado f = 2xz4 − x2y, calcule ∇ ⁡→f e ∥∇ ⁡→f∥ no ponto P(2, − 2,1).

Resposta. ∇ ⁡→f = 10i→ − 4j→ + 16k→ e ∥∇ ⁡→f∥ = 293.

E 4.3.4. Mostre que (F→ ⋅∇ ⁡→)r→ = F→, onde F→ = f(x,y,z)i→ + g(x,y,z)j→ + h(x,y,z)k→.

E 4.3.5. Mostre que

∇ ⁡→2(fg) = f∇ ⁡→2g + 2∇ ⁡→f ⋅∇ ⁡→g + g∇ ⁡→2f.

E 4.3.6. Use a tabela do operador del para mostrar que:

  • (F→ ⋅∇ ⁡→)F→ = 1 2∇ ⁡→(F→ ⋅F→) −F→ × (∇ ⁡→ ×F→).
  • ∇ ⁡→ ⋅ (F→ ×r→) = r→ ⋅ (∇ ⁡→ ×F→).

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