Antissemitismo e educa��o feminina s�o rastros da Reforma Protestante
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| Impress�o das 95 teses de Lutero: em destaque, algumas das palavras mais repetidas ao longo do texto |
Desenvolvimento econ�mico, suic�dio, alfabetiza��o feminina e antissemitismo. A Reforma Protestante deixou rastros para al�m dos bancos das igrejas.
"Foi muito mais do que uma batalha sobre a teologia", diz Sascha Becker, pesquisador alem�o que investigou as principais consequ�ncias socioecon�micas desencadeadas pelas 95 teses de Martinho Lutero.
A Folha destacou seis dos 31 impactos apontados pelo professor do Departamento de Economia da Universidade de Warwick (Reino Unido).
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TAXA DE SUIC�DIO
Com base no censo da Pr�ssia do s�culo 19, Becker e o economista Ludger Woessmann observaram que os protestantes eram duas vezes mais propensos a cometer suic�dio do que os cat�licos.
A hip�tese deles: por estimular o pensamento independente e o individualismo religioso, o protestantismo gerou comunidades com menos la�os de conviv�ncia –ao contr�rio dos cat�licos, que eram mais integrados emocionalmente entre si.
Em uma nova an�lise, desta vez sobre a popula��o da Alemanha atual, a diferen�a entre suic�dios de cat�licos e protestantes sumiu. Os que mais se matam hoje em dia s�o aqueles sem religi�o (sobretudo jovens urbanos), o que refor�a a ideia de que n�o � a teologia luterana que pesa, mas sim a sensa��o de isolamento.
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ESCOLARIDADE FEMININA
Para Lutero, a B�blia deveria ser lida por todos os fi�is, fossem eles homens ou mulheres.
Ainda analisando dados da Pr�ssia do s�culo 19, Becker observou que "diferen�as entre �reas protestantes e cat�licas traduziam-se em diferen�as de escolaridade feminina".
Segundo o estudo, a reforma levou a um surto de constru��es de escolas para meninas em �reas protestantes e diminuiu o v�cuo de educa��o b�sica entre garotas e garotos das regi�es protestantes.
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DESENVOLVIMENTO ECON�MICO
O soci�logo Max Weber (1864-1920) atribuiu � "�tica de trabalho" protestante –mais especificamente � calvinista– uma especial sintonia com o desenvolvimento econ�mico capitalista.
Benito Arru�ada, economista espanhol, revisitou essa tese. Ele analisou dados da d�cada de 1990 de pa�ses desenvolvidos e, a partir de par�metros como horas trabalhadas e sucesso profissional (que usava dados de sal�rio e alcance de cargos de ger�ncia), encontrou poucas evid�ncias em favor da teoria de que protestantes trabalham mais e melhor.
De acordo com o artigo de Arru�ata, por�m, os valores das comunidades protestantes estimulam indiv�duos a estabelecer forte rede de "controle social m�tuo", o que levaria a uma maior efici�ncia das institui��es, cumprimento das leis e, consequentemente, a maior desenvolvimento econ�mico.
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SEGURIDADE SOCIAL
O historiador brit�nico Brian Pullan, professor em�rito da Universidade de Manchester, argumenta em seu trabalho "Catholics, Protestants and the Poor in Early Modern Europe" (Cat�licos, Protestantes e os Pobres na Europa Moderna Antiga), do Journal of Interdisciplinary History, que a Reforma Protestante tamb�m trouxe contribui��es para seguridade social.
Financiadas pelos fechamentos de mosteiros, leis de al�vio � pobreza teriam surgido nas partes protestantes da Alemanha e se espalharam pelo norte da Europa.
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ANTISSEMITISMO
Em 1543, Lutero publicou o livro "Sobre Judeus e suas Mentiras", no qual recomendava a queima de sinagogas.
A influ�ncia dessas ideias para a conduta dos protestantes � incerta. Sob a perspectiva socioecon�mica, entretanto, � poss�vel ir mais al�m.
Junto com o economista italiano Luigi Pascale, Becker mapeou ataques a comunidades judaicas e publica��es com conte�do antissem�tico no per�odo de 1450 a 1900 na Alemanha. Foi percebido que a hostilidade a judeus era maior em �reas de maioria protestante.
Os protestantes n�o consideram a usura um pecado, o que permitiu que entrassem no mercado de empr�stimo de dinheiro e no setor banc�rio, ambos dominados pelos judeus. � prov�vel que a competi��o tenha gerado maior antagonismo entre os dois grupos.
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VOTOS PARA O PARTIDO NAZISTA
Na rep�blica de Weimar, na Alemanha do entreguerras, as regi�es cat�licas do pa�s votavam majoritariamente no Zentrum, partido centrista.
Jorg Spenkuch, da Universidade Northwestern, documentou uma maior tend�ncia dos protestantes a votar nos partidos extremistas, sobretudo no partido nacional-socialista de Adolf Hitler.
De acordo com o acad�mico, n�o h� consenso sobre o motivo pelo qual grande parte dos protestantes tendia �s plataformas mais radicais.
H� autores que atribuem o sucesso eleitoral do nazismo em regi�es protestantes a uma resist�ncia � cultura cat�lica. Outros atribuem a interesses econ�micos divergentes.
Sabe-se que Adolf Hitler foi batizado na Igreja Cat�lica. No best-seller "Minha Luta", o ditador alem�o diz seguir "princ�pios crist�os". H� um cap�tulo intitulado "Deus Aben�oe Nossa Luta" e uma passagem que diz: "Ao me defender dos judeus, estou lutando em favor do trabalho de Deus".
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Para o artigo completo de Becker, acesse "Causes and Consequences of the Protestant Reformation" ("Causas e Consequ�ncias da Reforma Protestante", 47 p�gs., dispon�vel em ingl�s).
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