Elisabeth Hesselblad
Elisabeth Hesselblad | |
|---|---|
| Santa Elisabeth Hesselblad | |
| Fundadora da Ordem do Santíssimo Salvador de Santa Brígida | |
| Nascimento | 4 de junho de 1870 Fåglavik, Suécia |
| Morte | 24 de abril de 1957 (86 anos) Roma, Itália |
| Veneração por | Igreja Católica |
| Beatificação | 9 de abril de 2000 Praça São Pedro por Papa João Paulo II |
| Canonização | 5 de junho de 2016 Praça São Pedro por Papa Francisco |
Santa Elisabeth Hesselblad (Fåglavik , 4 de junho de 1870 – Roma, 24 de abril de 1957), nascida Maria Elisabeth Hesselblad, foi uma freira brigitina sueca.[1]
Fundou uma nova congregação, a Ordem do Santíssimo Salvador de Santa Brígida, aprovada pelo Papa Bento XV em 1920. Criou igualmente um convento em Vadstena, na Suécia, que atualmente pertence a outra congregação.[1] Foi beatificada em 2000 e canonizada em 2016.
Biografia
[editar | editar código]Maria Elisabeth Hesselblad nasceu no dia 04 de junho de 1870, na cidade de Fåglavik, Suécia. Era a quinta dos treze filhos do casal Augusto Roberto e Caisa, uma família luterana muito pobre. Ela foi batizada no mês seguinte e recebida na Igreja da Suécia em sua paróquia de Hudene.[2]
Em 1886, ela teve que trabalhar para ajudar a família a sobreviver. Inicialmente, procurou trabalho na Suécia, mas acabou imigrando para os Estados Unidos em 1888, onde estudou enfermagem no Hospital Roosevelt, na cidade de Nova Iorque. Lá, trabalhou como enfermeira domiciliar, o que a colocou em contato com a fé católica de muitos dos pobres que cuidava. Em 1896, Elizabeth decidiu deixar o trabalho hospitalar para se dedicar à enfermagem particular. Tornou-se enfermeira e acompanhante de duas filhas adolescentes de uma família católica rica, os Cisneros.[3]
Ela desenvolveu um interesse pela Igreja Católica enquanto profunda oração e estudo pessoal a conduziam pelo caminho da conversão e, em 15 de agosto de 1902, Festa da Assunção, recebeu o batismo condicional de um padre jesuíta, Johann Georg Hagen, na capela do Mosteiro da Visitação de Georgetown em Washington, DC.[4] Hagen também se tornou seu diretor espiritual.[2] Dois dias depois, recebeu a Primeira Comunhão e partiu para a Europa.
Hesselblad abordou Hagen e pediu que fosse recebida na Igreja imediatamente, ao que Hagen respondeu que não a considerava preparada. No entanto, após interrogá-la longamente e após ponderação significativa, não viu razão para não a receber na Igreja.[3]
Vida religiosa
[editar | editar código]Hasselblad então fez uma peregrinação a Roma, onde recebeu o sacramento da Confirmação. Ela também visitou a casa de Brígida da Suécia, onde a santa havia passado a última metade de sua vida, o que a impressionou profundamente. Nesse momento, Hasselblad sentiu-se chamada a dedicar sua vida à obra da unidade cristã. Ela retornou brevemente a Nova Iorque, apenas para voltar a Roma, onde, em 25 de março de 1904, foi acolhida como hóspede pelas freiras do mosteiro carmelita ali instalado; a priora a acolheu após hesitar em aceitá-la devido à sua saúde frágil. No entanto, permitiu a entrada de Hasselblad sob a condição de um período de provação.[4] Contudo, foi nesse momento que ela adoeceu gravemente e chegou a receber a Unção dos Enfermos. Ela se recuperou lentamente e resistiu aos apelos de sua família para que retornasse à Suécia.
Ela solicitou à Santa Sé permissão para fazer votos religiosos sob a Regra da Ordem que Santa Brígida havia fundado. Hasselblad recebeu permissão especial do Papa Pio X em 1906, ocasião em que assumiu o hábito das Brigidinas, incluindo seu elemento distintivo de um véu com uma coroa simbólica.[5] Ela professou nas mãos de Hagen em 22 de junho de 1906, Festa do Sagrado Coração.
Hesselblad tentou reavivar o interesse pela ordem e pela sua fundadora tanto na Suécia como em Roma. A sua proposta de estabelecer um mosteiro da ordem no local onde Brígida tinha vivido não recebeu voluntários dos poucos mosteiros da ordem ainda existentes. Desistindo da intenção de seguir o modo de vida estabelecido na ordem, propôs um que incluísse o cuidado dos doentes. Para este fim, juntaram-se a ela três jovens da Inglaterra, que recebeu a 9 de novembro de 1911, com as quais a nova congregação foi estabelecida. A sua missão específica era rezar e trabalhar, especialmente pela conversão do povo escandinavo à Igreja Católica.[4]
Hesselblad retornou à sua terra natal, a Suécia, em 1923, onde conseguiu estabelecer uma comunidade em Djursholm, enquanto trabalhava cuidando dos pobres doentes. A nova congregação foi estabelecida na Inglaterra em 1931, após receber a aprovação da Santa Sé.[6] Nesse mesmo ano, Hesselblad obteve a Casa de Santa Brígida em Roma para sua nova congregação. Uma fundação foi feita na Índia em 1937, que atraiu muitos novos membros.[5] Sua ordem recebeu aprovação canônica em 7 de julho de 1940.
Hesselblad ficou conhecida como "a segunda Brígida". Durante a Segunda Guerra Mundial – e depois dela – ela realizou muitas obras de caridade em nome dos pobres e daqueles que sofriam devido às leis raciais e também promoveu um movimento pela paz que envolvia cristãos e não cristãos.[2] A guerra também a viu salvar a vida de mais de sessenta judeus do Holocausto.[3]
Seu zelo apostólico contribuiu para a conversão do ministro batista Piero Chuminelli – autor de um relato biográfico de Brígida da Suécia – e ela também teve laços estreitos com o ex-rabino-chefe de Roma, Israel Zolli, que se converteu em 1946.[7]
Morte
[editar | editar código]A saúde de Hesselblad deteriorou-se quando as autoridades preparavam a visita canônica de sua ordem. Em 23 de abril de 1957, ela deu sua bênção às irmãs e ergueu as mãos em um gesto solene, murmurando: "Vão para o Céu com as mãos cheias de amor e virtudes". Ela recebeu os sacramentos em seguida e morreu em Roma em 24 de abril de 1957 (Quarta-feira Santa), nas primeiras horas da manhã.[7]
Beatificação e Canonização
[editar | editar código]O processo de canonização teve início formal em Roma, em 5 de julho de 1988, presidido pelo Cardeal Vigário Ugo Poletti, e foi concluído em dezembro de 1990 e, no mesmo ano, transferido para a Congregação para as Causas dos Santos. O Papa João Paulo II proclamou Elisabeth Hasselblad Venerável em 26 de março de 1999, após reconhecer que ela havia vivido uma vida cristã exemplar, marcada por virtudes heroicas.[8] O milagre solicitado para sua beatificação foi investigado em 1996 e ratificado em Roma, em 17 de outubro de 1998.
Em 9 de abril de 2000, o Papa João Paulo II a beatificou na Praça São Pedro, junto aos beatos Mariano de Jesús Euse Hoyos, Francisco Xavier Seelos, Ana Rosa Gattorno e Mariam Thresia Chiramel.[9]
Em 2004, Beata Elisabeth Hasselblad foi reconhecida como uma Justa entre as Nações pelo Yad Vashem, devido ao seu trabalho em auxiliar judeus durante a Segunda Guerra Mundial.[10][11]
O milagre para canonização foi investigado na diocese de origem, Santa Clara, em Cuba, em fevereiro de 2014 – o milagre em questão, a cura de uma criança, ocorreu na década de 2000 – e foi validado em 2015 pelo Conselho Médico, pelos consultores teológicos e pelos cardeais e bispos.[8]
O Papa Francisco aprovou o segundo milagre atribuído a ela em 14 de dezembro de 2015, o que permitiria sua futura canonização;[12] a data foi decidida em um consistório ordinário de cardeais em 15 de março de 2016[13] e foi celebrada na Praça de São Pedro em 5 de junho de 2016, junto com o agora Santo Estanislau Paczynski.[14][15]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- 1 2 Per Beskow. «Elisabeth Hesselblad» (em sueco). Nationalencyklopedin – Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 18 de dezembro de 2015
- 1 2 3 «St. Mary Elizabeth Hesselblad - Saints & Angels». Catholic Online (em inglês). Consultado em 16 de abril de 2026
- 1 2 3 Woodham, Emily (2 de junho de 2023). «Saint Mary Elizabeth Hesselblad Feast Day: June 4». Diocese of Boise (em inglês). Consultado em 16 de abril de 2026
- 1 2 3 «Maria Elisabetta Hesselblad». www.vatican.va. Consultado em 16 de abril de 2026. Cópia arquivada em 9 de julho de 2025
- 1 2 «Saint Mary Elizabeth Hesselblad» (em inglês). Consultado em 16 de abril de 2026
- ↑ «Bridgettine Convent». bridgettine.org. Consultado em 16 de abril de 2026. Cópia arquivada em 23 de janeiro de 2016
- 1 2 Clairval, Abbaye Saint-Joseph de (22 de julho de 2001). «Blessed Mary Elisabeth Hesselblad». Abbaye Saint-Joseph de Clairval (em inglês). Consultado em 16 de abril de 2026
- 1 2 «Maria Elisabeth Hesselblad». www.causesanti.va (em italiano). Consultado em 16 de abril de 2026
- ↑ «Beatificazioni del Santo Padre Giovanni Paolo II». www.vatican.va. Consultado em 16 de abril de 2026
- ↑ «Righteous Among the Nations Honored by Yad Vashem» (PDF). www.yadvashem.org. Consultado em 16 de abril de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 25 de abril de 2015
- ↑ kath.net (15 de dezembro de 2015). «Papst spricht vormalige Protestantin und Judenretterin heilig». kath.net katholische Nachrichten (em alemão). Consultado em 16 de abril de 2026
- ↑ «Promulgazione di Decreti della Congregazione delle Cause dei Santi». press.vatican.va. Consultado em 16 de abril de 2026
- ↑ «Concistoro per il voto su alcune Cause di Canonizzazione». press.vatican.va. Consultado em 16 de abril de 2026
- ↑ Chappell, Bill (15 de março de 2016). «Pope Francis Sets Canonization Date For Mother Teresa: Sept. 4». NPR (em inglês)
- ↑ «Cappella Papale per la Canonizzazione dei Beati Stanislao di Gesù Maria Papczyński e Maria Elisabetta Hesselblad». press.vatican.va. Consultado em 16 de abril de 2026
Ligações externas
[editar | editar código]- Nascidos em 1870
- Mortos em 1957
- Naturais da Gotalândia Ocidental
- Suecos expatriados nos Estados Unidos
- Enfermeiros dos Estados Unidos
- Enfermeiras
- Convertidos do luteranismo ao catolicismo romano
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