Anos Rebeldes
| Anos Rebeldes | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Formato | minissérie |
| Gêneros | drama romance |
| Criação | Gilberto Braga |
| Baseado em | 1968: o Ano Que não Terminou de Zuenir Ventura e Os Carbonários de Alfredo Sirkis |
| Direção | Dennis Carvalho |
| Elenco | |
| Tema de abertura | "Alegria, Alegria" por Caetano Veloso |
| País de origem | Brasil |
| Idioma original | português |
| Episódios | 20 |
| Produção | |
| Duração | 40 minutos |
| Formato | |
| Formato de imagem | 480i (SDTV) |
| Exibição original | |
| Emissora | TV Globo |
| Transmissão | 14 de julho - 14 de agosto de 1992 |
| Programas relacionados | |
| Cidadão Brasileiro Amor e Revolução Os Dias Eram Assim | |
Anos Rebeldes é uma minissérie brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 14 de julho a 14 de agosto de 1992, em 20 capítulos.
Escrita por Gilberto Braga, com colaboração de Sérgio Marques, Ricardo Linhares e Ângela Carneiro, é livremente Inspirada nos livros 1968 – O Ano Que Não Terminou de Zuenir Ventura e Os Carbonários de Alfredo Sirkis. A direção foi de Dennis Carvalho (também diretor geral), Ivan Zettel e Silvio Tendler.[1]
Contou com a atuação de Malu Mader, Cássio Gabus Mendes, Cláudia Abreu, Marcelo Serrado, José Wilker, Betty Lago e Kadu Moliterno.
Sinopse
[editar | editar código]O cenário é a cidade do Rio de Janeiro da classe média. A trama segue o romance entre os jovens Maria Lúcia e João Alfredo, e a trajetória de um grupo de colegas do tradicional Colégio Pedro II, desde 1964, quando se forma e se instala no Brasil o regime de ditadura militar, até 1985, altura em que a política governamental terá já influenciado definitivamente os seus destinos.
Maria Lúcia é uma jovem individualista, traumatizada com a história do pai, Orlando Damasceno, um jornalista conhecido e membro do Partido Comunista, que sempre colocou seus ideais acima da realização pessoal. Quando ela conhece João Alfredo, percebe que ele tem o mesmo perfil do pai e tem medo de se entregar à paixão. João, por sua vez, é um jovem de classe média extremamente preocupado com as questões sociais do país. Ao se apaixonar por Maria Lúcia, ele fica dividido entre o relacionamento afetivo e a militância política.
O melhor amigo de João, Edgar, também se apaixona por Maria Lúcia e passa a disputar o amor da jovem com João Alfredo. Com o perfil oposto ao do amigo, Edgar não se envolve com as questões sociais do país, preferindo investir na profissão e na felicidade pessoal.
Apesar de se amarem, Maria Lúcia e João Alfredo vivem em conflito por causa da política e da ideologia de cada um. O namoro dos dois fica ainda mais difícil quando ele decide entrar para a luta armada. Após muitos encontros e desencontros, os dois acabam se separando definitivamente. Ela se casa com Edgar, e João, perseguido pela ditadura, é obrigado a sair do país.
Entre os companheiros do movimento está Heloísa, filha do poderoso banqueiro Fábio Brito, que ajudou a financiar o golpe militar de 1964. De garota rica e mimada, Heloísa dá uma reviravolta em sua vida ao entrar para luta armada.
O destino dos personagens está diretamente ligado ao momento político do país, que não atua, na minissérie, apenas como pano de fundo, como ocorreu com o período histórico da minissérie Anos Dourados, também de Gilberto Braga.
Elenco
[editar | editar código]| Interprete | Personagem |
|---|---|
| Malu Mader | Maria Lúcia Damasceno |
| Cássio Gabus Mendes | João Alfredo Galvão |
| Cláudia Abreu | Heloísa Andrade Brito |
| Marcelo Serrado | Edgar Ribeiro |
| Pedro Cardoso | Galeno Quintanilha |
| José Wilker | Fábio Brito |
| Betty Lago | Natália Andrade Brito |
| Kadu Moliterno | Professor Inácio Avelar |
| Geraldo Del Rey | Orlando Damasceno |
| Bete Mendes | Carmen Damasceno |
| Ivan Cândido | Abelardo Galvão |
| Norma Blum | Valquíria Galvão |
| Gianfrancesco Guarnieri | Dr. Salviano |
| Deborah Evelyn | Sandra |
| Rubens Caribé | Marcelo |
| Mila Moreira | Regina Ribeiro |
| Carlos Zara | Dr. Queiróz |
| Maria Lúcia Dahl | Yone Queiróz |
| André Pimentel | Valdir Santos da Silva |
| Tuca Andrada | Ubaldo |
| Marcelo Novaes | Olavo |
| André Barros | Bernardo Andrade Brito |
| Paula Newlands | Lavínia Queiroz |
| Maurício Ferraza | Gustavo |
| Thales Pan Chacon | Nelson |
| Denise Del Vecchio | Dolores |
| Geórgia Gomide | Zuleika |
| Teresinha Sodré | Adelaide |
| Sônia Clara | Glória |
| Roberto Pirillo | Capitão Rangel |
| Fátima Freire | Idalina Quintanilha Rangel |
| Francisco Milani | Camargo |
| Castro Gonzaga | Teobaldo Damasceno |
| Lourdes Mayer | Marta Damasceno |
| Stepan Nercessian | Caramuru |
| Stella Freitas | Dagmar |
| Yaçanã Martins | Kira |
| Sílvia Salgado | Solange |
| Benvindo Siqueira | Xavier |
| Maria Rita | Zilá |
| Zeni Pereira | Talita |
| Nildo Parente | Pedro Paulo |
| Carlos Gregório | Alberto |
| Enrique Díaz | Pedro |
| Élida L'Astorina | Ângela |
| Emílio de Mello | Toledo |
| Edyr de Castro | Zulmira |
| Jonathan Nogueira | Guilherme Galvão |
| Leandro Figueiredo | José Rodolfo Galvão |
| Bernardo Jablonski | Juarez |
| Marjorie Andrade | Maria Isabel Soares |
| Carla Jardim | Jaqueline |
| Mário Cardoso | Capitão Junqueira |
| Patrícia Naves | Vera |
| Malu Valle | Célia |
| Jorge Coutinho | Pai Betão |
| Paulo Carvalho | Sérgio |
| Fausto Galvão | Michael |
| Helio Zachi | Fausto |
| Clara Cresta | Leila |
| Kadu Braz | Igor |
Participações especiais
[editar | editar código]| Interprete | Personagem |
|---|---|
| Susana Vieira | Mariana |
| Herson Capri | Comandante |
| Eva Wilma | Joana |
| Maria Padilha | Maria Satamini |
| Odilon Wagner | Ralf Haguenauer |
| Paulo Figueiredo | Belotti |
| Emiliano Queirós | Acir |
| Malu Galli | Jurema |
| Cininha de Paula | Mariléia |
| Moacyr Deriquém | Diretor de teatro |
| Paulo Reis | Policial |
| Joyce de Oliveira | Dona Marli |
Produção
[editar | editar código]Anos Rebeldes pode ser considerada a continuação indireta de Anos Dourados, minissérie exibida em 1986, que retratava os anos 50. Gilberto Braga começou a escrever a minissérie em 1991, porém teve que interrompê-la devido à novela O Dono do Mundo.[2]
Desde o início dos anos 1980, a Globo vinha produzindo obras de ficção que retratavam temas da história brasileira. O incentivo à produção de séries pela Globo surgiu de uma tentativa de aproximar o mundo apresentado pela teleficção e a realidade empírica brasileira.[3] Para melhor compor seus personagens, alguns atores tiveram aulas de política, sendo que o elenco foi reunido em torno de Bete Mendes, Francisco Milani e Gianfrancesco Guarnieri, que foram participantes ativos durante a época.[4]
Grande parte das cenas foi filmada em estúdio. O Teatro Opinião e parte do cinema Paissandu foram reconstituídas pelo cenógrafo Mário Monteiro e pela produtora de arte Cristina Médicis.[5]
O cineasta Sílvio Tendler, através de uma extensa pesquisa em fotos, recortes de jornais, e arquivos da própria TV Globo, Cinemateca Brasileira de São Paulo e Arquivo Nacional, foi o responsável pelos fotogramas em preto e branco que eram transmitidos ao longo da minissérie. " Achei o convite do Gilberto Braga curioso e, ao mesmo tempo, genial. Afinal, tenho o maior interesse em recuperar fotograma por fotograma da história do Brasil, seja na televisão ou no cinema. E "Anos Rebeldes" vai possibilitar isso, já que é uma minissérie ambientada no Rio de Janeiro, entre 1965 e 1978" - disse Sílvio Tendler na época da estreia.[6] Algumas cenas foram gravadas em preto e branco e em 16mm para se fundirem com o material de arquivo.[7]
Pouco tempo antes de sua estreia, a minissérie teve que ser reescrita do 11º ao 14º capítulo. O vice-presidente de operações da TV Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni), quis que Gilberto Braga a reescrevesse pois, de acordo com ele, o autor havia exagerado na parte política e deixado o romance, fio condutor da trama, de lado. "Na sinopse que aprovei, a revolução de 68 aparecia como pano de fundo de uma história de amor. Além disso, se eu quisesse uma minissérie política teria feito a encomenda a outro autor. O Gilberto é um mestre em contar histórias sobre o sentimento e o cotidiano das pessoas", justificou Boni.[8] As gravações tiveram de ser temporariamente suspensas.
Anos Rebeldes ganhou uma versão literária, adaptada por Flávio de Campos. O livro homônimo foi lançado pela Editora Globo, em 29 de julho de 1992.[9]
Isabel Diegues, filha de Nara Leão e Cacá Diegues, interpretou a mãe na minissérie.[10]
Anos rebeldes pode ser considerada uma narrativa de caráter histórico devida sua forma de representar a experiência do passado recente do Brasil, operada pelos indivíduos e/ou agentes sociais envolvidos na produção e ou recepção.[11] A obra trata-se de um testemunho das lutas sobre a memória dos anos 1960 no Brasil que ocorreram em 1980, mostrando como foram apropriadas e representadas pela teleficção. Deixando entrever de que forma essas lutas pareceram repercutir no seio da sociedade brasileira do início da década de 1990.[12]
Exibição
[editar | editar código]Foi reprisada entre 7 de março a 31 de março de 1995, em 16 capítulos, às 22h30 substituindo Boca Do Lixo e sendo substituída por Desejo no Festival Globo 30 anos.
Foi reprisada em janeiro de 2005, pelo canal Multishow, em comemoração aos 40 anos da TV Globo. A minissérie foi reapresentada na TV por assinatura Viva para comemorar 1º ano do canal de 30 de maio de 2011 à 24 de junho de 2011, às 23h45, substituindo Anos Dourados e sendo substituída por A, E, I, O... Urca.[13] E foi reapresentada uma segunda vez pelo Viva entre 27 de maio e 21 de junho de 2013 comemorando o 3º ano do canal, novamente substituindo Anos Dourados e sendo substituída por A Casa das Sete Mulheres.[14]
Outras Mídias
[editar | editar código]Em outubro de 2003, a minissérie foi lançada em DVD numa parceria entre a Globo Vídeo e Som Livre.[15]
Prêmios
[editar | editar código]Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA):
- Prêmio da Crítica
- Melhor Atriz: Cláudia Abreu como Heloísa.
Trilha sonora
[editar | editar código]| Anos Rebeldes | |
|---|---|
| Trilha sonora de vários intérpretes | |
| Lançamento | 1992 |
| Gênero | Vários |
| Gravadora | Som Livre |
- "Baby" - Gal Costa e Caetano Veloso
- "Sapore di Sale" - Gino Paoli
- "Carta ao Tom" - Toquinho e Vinícius
- "Can't Take My Eyes off You" - Frankie Valley & The Four Seasons
- "Mascarada" - Emílio Santiago
- "Alegria Alegria" - Caetano Veloso
- "Going Out of My Head" - Sérgio Mendes
- "Monday Monday" - The Mamas & The Papas
- "There's a Kind of Hush" - Herman's Hermits
- "Soy Loco Por Ti America" - Caetano Veloso
- "Discussão" - Sylvinha Telles
- "Call Me" - Chris Montez
- "Senza Fine" - Ornella Vanoni
- "Guantanamera" - Edom e Felipe
- "The House Of The Rising Sun" - Edom e Felipe
- Outras Canções Não Incluídas
"Roda" - Gilberto Gil
"(I Can't Get No) Satisfaction" - Rolling Stones
"O Bêbado e a Equilibrista" - Elis Regina
"A Banda" - Nara Leão
"I Want To Hold Your Hand" - The Beatles
"Heróis da liberdade" - Roberto Ribeiro
"Arrastão" - Elis Regina
"Bandeira Branca" - Dalva de Oliveira
"Carry On Wayward Son" - Kansas
"Guarda Come Dondolo" - Edoardo Vianello
"Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores (Caminhando)" - Geraldo Vandré
"Como Nossos Pais" - Elis Regina
"Bachianas Brasileiras Nº.4: I. Prelúdio" - Heitor Villa-Lobos
Ver também
[editar | editar código]Referências
[editar | editar código]- ↑ Nilson Xavier. «Anos Rebeldes - Teledramaturgia». Teledramaturgia. Consultado em 21 de junho de 2014
- ↑ «"Agosto", de Rubem Fonseca, Será uma das Minisséries». 15 de março de 1992. Consultado em 25 de janeiro de 2018
- ↑ ABDALA JUNIOR, Roberto. «Brasil anos 1990: teleficção e ditadura — entre memórias e história». Topoi (Rio J.), Rio de Janeiro. 13 (25): 94-111, jul./dez. 2012. Consultado em 22 de março de 2024
- ↑ «Retrato Colorido de um Tempo Negro»
- ↑ «Anos Rebeldes»
- ↑ «Ficção em Ritmo de Relato Histórico»
- ↑ «Globo Revive os Anos Rebeldes»
- ↑ «Gilberto Braga Refaz Série 'Anos Rebeldes'». 19 de maio de 1992. Consultado em 25 de janeiro de 2018
- ↑ «'Anos Rebeldes' Ganha Sua Versão Literária»
- ↑ «Anos Rebeldes»
- ↑ ABDALA JUNIOR, Roberto. «Brasil anos 1990: teleficção e ditadura — entre memórias e história». Topoi (Rio J.), Rio de Janeiro. 13 (25): 94-111, jul./dez. 2012. Consultado em 22 de março de 2024
- ↑ ABDALA JUNIOR, Roberto. «Brasil anos 1990: teleficção e ditadura — entre memórias e história». Topoi (Rio J.), Rio de Janeiro. 13 (25): 94-111, jul./dez. 2012. Consultado em 25 de março de 2024
- ↑ «Anos Rebeldes" volta à TV em tempos de "Amor & Revolução». IG. 28 de maio de 2011. Consultado em 25 de janeiro de 2018
- ↑ «Malu Mader protagoniza duas minisséries de época no Viva». F5. 26 de abril de 2013. Consultado em 25 de janeiro de 2018
- ↑ «Minissérie "Anos Rebeldes" chega às lojas em DVD». Folha Ilustrada. 2 de outubro de 2003. Consultado em 25 de janeiro de 2018
Bibliografia
[editar | editar código]- Atencio, Rebecca J. (2014). «A Prime-Time Miniseries and Impeachment». Memory’s Turn: Reckoning with Dictatorship in Brazil (em inglês). Madison: University of Wisconsin Pres. pp. 59–81. ISBN 9780299297244
- Atencio, Rebecca J. (2011). «A Prime Time to Remember: Memory Merchandising in Globo's Anos Rebeldes». In: Bilbija, Ksenija; Payne, Leigh A. Accounting for Violence: Marketing Memory in Latin America (em inglês). Durham: Duke University Press. pp. 41–68. ISBN 9780822350422
- Abdala Junior, Roberto (2009). Memórias da Ditadura Civil-militar e os "rebeldes" Anos Oitenta (Tese de Doutorado em História). Belo Horizonte: UFMG
- Abdala Junior, Roberto (2012). «Brasil anos 1990: teleficção e ditadura - entre memórias e história». Topoi. 13 (25): 94–111. ISSN 2237-101X. doi:10.1590/2237-101X013025006
- Abdala Junior, Roberto (2017). Memórias da ditadura, TV e os "rebeldes" anos 1980. Curitiba: Editora Prismas. 458 páginas. ISBN 978-85-5507-598-8
- Santana, André (2017). «Há 25 anos, estreava a minissérie Anos Rebeldes». Observatório da Televisão. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2019
- Schneider, Nina; Atencio, Rebecca J. (2016). «Reckoning with Dictatorship in Brazil: The Double-Edged Role of Artistic-Cultural Production» (requer pagamento). Latin American Perspectives (em inglês). 43 (5): 12–28. ISSN 0094-582X. doi:10.1177/0094582x16647715