Canudos
Canudos | |
|---|---|
| Hino | |
| Lema | O sertanejo é, antes de tudo, um forte |
| Gentílico | canudense |
![]() | |
| Coordenadas: 9° 57′ 50″ S, 39° 09′ 50″ O | |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Bahia |
| Municípios limítrofes | Euclides da Cunha (sul); Jeremoabo (leste); Uauá e Monte Santo (oeste) e Macururé e Chorrochó (norte) |
| Distância até a capital | 410[1] km |
| Fundação | 30 de junho de 1933 (93 anos) |
| Emancipação | 25 de fevereiro de 1985 (41 anos) |
| Distritos | Lista
|
| Governo | |
| • Prefeito(a) | Jilson Cardoso de Macedo[2] (PSD, 2025–2028) |
| Área | |
| • Total [3] | 3 565,377 km² |
| Altitude | 402 m |
| População | |
| • Total (Censo IBGE/2022[4]) | 16 105 hab. |
| Densidade | 4,5 hab./km² |
| Clima | Semiárido[5] (BSh) |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| CEP | 48520-000 |
| IDH (PNUD/2010[6]) | 0,562 — baixo |
| PIB (IBGE/2021[7]) | R$ 153 150,512 mil |
| • Posição | BA: 259° |
| • Per capita (IBGE/2021[7]) | R$ 9 098,77 |
| Sítio | www.canudos.ba.gov.br (Prefeitura) www.camaracanudos.ba.gov.br (Câmara) |
Canudos é um município brasileiro do estado da Bahia. Está a uma altitude de 402 metros e encontra-se inserido no Polígono das Secas e no vale do rio Vaza-Barris. O município possui uma área de 3.565,377 km² e sua população, conforme o censo do IBGE de 2022, era de 16 105 habitantes.[8]
Etimologia
[editar | editar código]Segundo Euclides da Cunha, em sua obra Os Sertões (1902), em 1876 o local era uma fazenda às margens do rio Vaza-Barris. Segundo relatos do autor, a população que vivia na fazenda era vista como suspeita e ociosa, e muitas vezes andava armada. Eles também fumavam cachimbos de barro, feitos a partir de canudos-de-pito, encontrados nas margens do rio, que eram bastante longos.[9]
História
[editar | editar código]O povoamento da região de Canudos ocorreu nos séculos XVII e XVIII, com a chegada e fixação de vaqueiros ligados à Casa da Torre, no contexto da expansão da pecuária desse latifúndio. Ao mesmo tempo, jesuítas criaram missões no Nordeste Baiano para a proteção e catequese dos indígenas.[10][11][12]
Na Fazenda Canudos, pertencente à Casa da Torre, se formou, no século XVIII, um povoado de mesmo nome, o qual, em 1890, era uma aldeia abandonada, constituída de 50 casas.[9][13][14][15]
Em 1784, foi descoberto pelo menino vaqueiro Domingos da Motta Botelho, em uma área entre os atuais municípios de Uauá e Canudos, o Meteorito do Bendegó, o maior já encontrado no Brasil. Desde 1888, esse meteorito se encontra no Museu Nacional.[16][17][18]

Em 1893, o líder messiânico cearense Antônio Conselheiro e seus seguidores, após longas andanças pelo Semiárido brasileiro, se fixaram na aldeia abandonada de Canudos e refundaram-na, sob o nome de Belo Monte. A povoação atraiu milhares de pessoas, entre sertanejos, escravos recém-libertos e indígenas, sendo considerada uma uma "utopia cristã". Seus habitantes eram autossuficientes, com roças e rebanhos coletivos. Chegou a ter, em seu auge, cerca de 25 mil habitantes.[19][20] , em comparação no mesmo período, a cidade de Aracaju tinha aproximadamente 20 mil habitantes, a cidade de Natal 16 mil e João Pessoa 25 mil[21]. Belo Monte começou a ser vista como uma ameaça pelos coronéis da região e pelos governos baiano e o brasileiro. Desse modo, iniciou-se a Guerra de Canudos em outubro de 1896, na qual participaram de um lado os fiéis de Conselheiro e do outro a polícia baiana e o Exército Brasileiro. O estopim dessa guerra foi o boato de que os conselheiristas invadiriam a cidade de Juazeiro para pegar à força uma encomenda de madeira de Conselheiro. As três primeiras investidas militares contra Belo Monte fracassaram. A quarta ocorreu em outubro de 1897, cerca de quinze dias após a morte de Antônio Conselheiro, e culminou na destruição da comunidade e no fim da Guerra.[20][22]

O engenheiro e jornalista Euclides da Cunha esteve na Guerra de Canudos e seus relatos sobre a guerra, as características do Sertão e da sua gente originaram sua obra mais conhecida, "Os Sertões" (1902).[22]
Por volta de 1910, os pouquíssimos sobreviventes da Guerra de Canudos fundaram outro povoado de nome Canudos, no local da antiga comunidade de Belo Monte. Era a segunda Canudos da região.[14][15]
O Lei Estadual n° 8518, de 30 de junho de 1933, elevou o povoado de Canudos à categoria de distrito, subordinado ao município de Monte Santo. Poucos meses depois, em 19 de setembro de 1933, o distrito de Canudos foi transferido para o novo município de Cumbe (a partir de 1938, denominado Euclides da Cunha).[13]
Em 1940, Getúlio Vargas visitou Canudos e propôs a construção de uma barragem e de um açude no local, iniciada em 1950. Com isso, muitos dos habitantes do vilarejo de Canudos começaram a deixá-lo, partindo para outras localidades da região, como Bendegó, Uauá, Euclides da Cunha e Feira de Santana. Além disso, começou a se formar, nos pés da barragem em construção, em uma antiga fazenda denominada Cocorobó, a 20 km da segunda Canudos, um vilarejo, denominado Cocorobó ou Canudos, sendo a terceira Canudos. Com o término das obras, o local onde ficava a segunda Canudos desapareceu por sob as águas do Açude de Cocorobó em 1969, mas um pequeno bairro do vilarejo ficou emerso, e hoje é chamado de Canudos Velho.[14][15][23]
A Lei Estadual nº 4.405, de 25 de fevereiro de 1985, elevou à categoria de município o distrito de Canudos, o qual se desmembrou de Euclides da Cunha. O novo município foi instalado em 1° de janeiro de 1986.[13]
Em épocas de seca, é possível ver as ruínas da primeira Canudos.[24]
Cidades-irmãs
[editar | editar código]Canudos possui as seguintes cidades-irmãs:
- Monte Santo, Brasil[25]
- Uauá, Brasil[25]
- Euclides da Cunha, Brasil
- Quixeramobim, Brasil
Clima
[editar | editar código]Canudos é um município localizado na região Nordeste do Brasil e caracterizado por um clima semiárido,[5] de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger. A região apresenta temperaturas elevadas ao longo do ano, com uma média anual de 23,8 °C,[26] o que a torna uma das regiões mais quentes do país. A precipitação na região é escassa e mal distribuída, concentrando-se principalmente entre os meses de dezembro e abril, o que pode levar a longos períodos de seca e afetar a agricultura e outras atividades econômicas locais.
Organização Político-Administrativa
[editar | editar código]O Município de Canudos possui uma estrutura político-administrativa composta pelo Poder Executivo, chefiado por um Prefeito eleito por sufrágio universal, o qual é auxiliado diretamente por secretários municipais nomeados por ele, e pelo Poder Legislativo, institucionalizado pela Câmara Municipal de Canudos, órgão colegiado de representação dos munícipes que é composto por 11 vereadores também eleitos por sufrágio universal.[27]
Atuais autoridades municipais de Canudos
[editar | editar código]- Prefeito: Jilson Cardoso de Macedo - PSD (2021/-)[28]
- Vice-prefeito: José Albino de Carvalho "Bino" - PDT (2021/-)[28]
- Presidente da Câmara: Rômulo Sá Rebelo de Araújo - PSD (2021/-)[28]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Índice Geral, Folha de S.Paulo (10 de setembro de 1998). «Açude não ajuda cidade em Canudos (BA)». Folha de S.Paulo. Consultado em 25 de janeiro de 2022
- ↑ «Eleições 2024 – Perfil do Prefeito Eleito Jilson Cardoso». O Tempo Eleições. Consultado em 7 de maio de 2025
- ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (10 de outubro de 2013). «Cidades e Estados». IBGE). Consultado em 19 de janeiro de 2022
- ↑ «Canudos (BA) - panorama». IBGE Cidades. Consultado em 20 de dezembro de 2023
- 1 2 «Cultura de umbu é fonte de renda para 350 famílias no semiárido da Bahia». Canal Rural. 1 de agosto de 2011. Consultado em 6 de janeiro de 2022
- ↑ «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2013. Consultado em 12 de fevereiro de 2016
- 1 2 «Produto Interno Bruto dos Municípios». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 25 de fevereiro de 2024
- ↑ «Canudos (BA) - panorama». IBGE Cidades. Consultado em 20 de dezembro de 2023
- 1 2 Cunha, 1905, p. 182.
- ↑ Cunha, 1905, p. 101.
- ↑ Mecenas, Ane (1 de agosto de 2023). «"Mando dar essa terra porque pertence aos índios": alianças e disputas entre criadores de gado, jesuítas e Kiriri no sertão de dentro da América portuguesa (1669-1757)». Revista Territórios e Fronteiras. 16 (1): 342–363. ISSN 1984-9036. doi:10.22228/rtf.v16i1.1186
- ↑ Sales Souza, Evergton (27 de setembro de 2019). «Missionários, índios e sociedade colonial no nordeste da Bahia: Natuba, séculos XVII e XVIII». Revista de Indias. 79 (276). 339 páginas. ISSN 1988-3188. doi:10.3989/revindias.2019.010
- 1 2 3 «Canudos (BA) - histórico». IBGE Cidades. Consultado em 20 de dezembro de 2023
- 1 2 3 Fonseca, Adilson (18 de janeiro de 2019). «Em Canudos, a história de Antônio Conselheiro». Bahia Noite e Dia. Consultado em 20 de dezembro de 2023. Arquivado do original em 9 de março de 2019
- 1 2 3 Almeida, Marcos Vinícius (9 de junho de 2019). «Destruída duas vezes, Canudos sobrevive em meio a escombros e miséria». Folha de S.Paulo. Consultado em 20 de dezembro de 2023
- ↑ «Memória Sertão Cratera Meteorito de Bendegó». UNIVASF. 26 de setembro de 2017. Consultado em 25 de fevereiro de 2024
- ↑ «Bendegó». Museu Nacional. Consultado em 25 de fevereiro de 2024
- ↑ «Imagens mostram destruição na área interna do Museu Nacional; meteorito foi uma das poucas peças que resistiu ao fogo». G1. 3 de setembro de 2018. Consultado em 25 de fevereiro de 2024
- ↑ Channel Brasil, History (9 de outubro de 2019). «COMEÇA A GUERRA DE CANUDOS». History. Consultado em 21 de janeiro de 2022
- 1 2 Teixeira, Rusny Resende (11 de setembro de 2020). «Guerra de Canudos: o que foi?». Politize!. Consultado em 20 de dezembro de 2023
- ↑ Censo, IBGE. «IBGE Censo de 1900» (PDF). 14 de dezembro de 2025
- 1 2 «Guerra de Canudos». Atlas Histórico do Brasil - FGV. Consultado em 20 de dezembro de 2023
- ↑ «Canudos». Sisaleira. Consultado em 20 de dezembro de 2023
- ↑ Lyrio, Alexandre (5 de junho de 2013). «Com a estiagem, cidade de Canudos volta a aparecer após 17 anos». Correio. Consultado em 28 de janeiro de 2022
- 1 2 SECULT - Secretaria de Cultura do Bahia. Sertão quer preservar arte e cultura popular.
- ↑ «Médias climatológicas de Canudos - Bahia». amantesdotempo.com.br. 18 de setembro de 2020. Consultado em 16 de abril de 2023
- ↑ MEIRELLES, Hely Lopes. Direito municipal brasileiro. 18. ed. São Paulo: Malheiros, 2017.
- 1 2 3 «Prefeito e vereadores de Canudos tomam posse; veja lista de eleitos». G1. 1 de janeiro de 2021. Consultado em 2 de novembro de 2022
Bibliografia
[editar | editar código]- CUNHA, Euclides da. Os Sertões. 3ª . ed. [S. l.]: Laemmert & C, 1905. 618 p. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0c/Os_sert%C3%B5es_1905.pdf. Acesso em: 20 dez. 2023.
Ligações externas
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