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Espondeu

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Pés métricos e acentos
Dissílabos
◡ ◡pirríquio, díbraco
◡ –Iambo
– ◡Troqueu, coreu
– –Espondeu
Trissílabos
◡ ◡ ◡Tríbraco
– ◡ ◡dátilo
◡ – ◡Anfíbraco
◡ ◡ –Anapesto, antidátilo
◡ – –Báquio
– ◡ –Crético, anfímacro
– – ◡Antibáquio
– – –molosso
Pés de quatro sílabas

Espondeu é um pé métrico da versificação grega e latina formado por duas sílabas longas, representadas pelo esquema – –.[1][2][3][4] Cada longa vale dois tempos básicos, de modo que o pé reúne quatro tempos.[2]

Na análise acentual de versos modernos, o mesmo nome pode designar duas sílabas fortes consecutivas. Esse emprego se refere à tonicidade, enquanto o espondeu antigo se define pela duração das sílabas.[5][6]

Nome e quantidade silábica

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O termo português veio do latim spondēu-, proveniente do grego spondeĩos, "relativo a libações".[1] Na métrica quantitativa, as duas posições longas distinguem o espondeu do troqueu, formado por longa e breve, e do iambo, formado por breve e longa.[7]

O espondeu e o dátilo têm o mesmo total de quatro tempos, distribuídos de modo diferente. O primeiro reúne duas longas. O segundo reúne uma longa e duas breves:[2][6]

Distribuição dos quatro tempos na métrica quantitativa
Pé Esquema Distribuição
Espondeu – – 2 + 2
Dátilo – ◡ ◡ 2 + 1 + 1

A palavra latina omnes exemplifica o espondeu, com duas sílabas longas. A quantidade pertence à sílaba inteira e não deve ser confundida com a posição do acento da palavra.[7]

Na poesia antiga

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No hexâmetro dactílico, espondeus podem ocupar o lugar de dátilos sem alterar o total de tempos do pé. O quinto pé é normalmente um dátilo, mas também existem versos com espondeu nessa posição. A escolha entre as duas formas altera a distribuição das sílabas dentro do verso.[6]

O espondeu também pode substituir o anapesto em metros anapésticos. Nesse caso, as duas breves iniciais do anapesto são reunidas em uma longa, conservando os quatro tempos do conjunto. Substituições por espondeus também ocorrem em posições admitidas pelos metros iâmbicos antigos.[8][6]

Uso acentual em português

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Na análise de José Oiticica, o espondeu é um dos grupos rítmicos que podem integrar versos em português. O exemplo "Céu, mar e eu, só!" é dividido em dois espondeus:[9]

Céu, mar | e eu, só!

Essa divisão reúne duas posições fortes em cada grupo e liga a conjunção e ao pronome eu.[nota 1] O exemplo pertence à análise acentual proposta por Oiticica. Não significa que o português reproduza a oposição entre sílabas longas e breves do grego e do latim.[9][10]

Ver também

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Notas

  1. ↑ A barra vertical separa os grupos rítmicos. As vírgulas pertencem à frase e não determinam, sozinhas, a divisão dos pés.

Referências

  1. 1 2 «Espondeu». Infopédia, Porto Editora. Consultado em 26 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 30 de agosto de 2022
  2. 1 2 3 Alceu Dias Lima (2003). «De metrificação e poesia latina». ALFA: Revista de Linguística. 47 (1): 99-109. ISSN 1981-5794. Consultado em 26 de outubro de 2026
  3. ↑ Paulo Camelo (2004). O ritmo no poema. Recife: Paulo Camelo. ISBN 978-85-904262-2-6
  4. ↑ Nilza Azzi (2015). O verso medido: Teoria e prática. São Paulo: Edicon. ISBN 978-85-29009-85-8
  5. ↑ «Guide to Prosody» (em inglês). Poetry at Harvard. Consultado em 26 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 9 de outubro de 2025
  6. 1 2 3 4 Robert de Brose (2015). «Da fôrma às formas: metro, ritmo e tradução do hexâmetro». Cadernos de Tradução. 35 (2): 124-160. doi:10.5007/2175-7968.2015v35n2p124. Consultado em 26 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 18 de junho de 2026
  7. 1 2 Charles Anthon (1856). A System of Latin Prosody and Metre, from the Best Authorities, Ancient and Modern (em inglês). Nova Iorque: Harper & Brothers. pp. 132–136, 162–164
  8. ↑ Tarsila de Oliveira Delfine Doná (2014). Métrica e ritmo das Odes de Horácio (PDF) (Dissertação de Mestrado em Letras Clássicas). São Paulo: Universidade de São Paulo. p. 43. Consultado em 26 de outubro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 17 de novembro de 2023
  9. 1 2 José Oiticica (28 de julho de 1949). «Curso de Literatura» (PDF). Ação Direta (57). Rio de Janeiro. p. 2. Consultado em 26 de outubro de 2026
  10. ↑ Alcmeno Bastos. Alguns conceitos básicos de poesia (PDF). [S.l.]: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Letras. pp. 7–9. Cópia arquivada (PDF) em 22 de junho de 2024

Leitura adicional

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Ligações externas

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