Hengqin
Ilha da Montanha
横琴岛 | |
|---|---|
| Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin | |
| País | |
| Província | Guangdong |
| Cidade-prefeitura | Zhuhai |
| Governo | |
| • Coordenador da Comissão de Gestão | Meng Fanli (Guangdong) |
| • Coordenador da Comissão de Gestão | Sam Hou Fai (RAEM) |
| Área | |
| • Total | 106,46 km² |
| População | |
| • Total (final de 2024) | 49,117 hab. |
Hengqin Dao (também conhecida por "Ilha da Montanha") é uma ilha de 96 km² pertencente à cidade de Zhuhai (uma cidade que faz parte da Província de Cantão da República Popular da China). É adjacente à ilha da Taipa e à ilha de Coloane e está ligada ao istmo de Cotai (Macau) pela Ponte Flor de Lótus. É habitada por 3000 habitantes.
Hengqin, antigamente, era formada por 2 ilhas, a "Da Hengqin" e a "Xiao Hengqin". Estas 2 ilhas foram recentemente ligadas por um aterro de terra. Os portugueses chamavam a ilha de "Da Hengqin" por "Montanha" e à ilha de "Xiao Hengqin" por "Dom João". Em 1938, juntamente com a ilha da Lapa (a actual península de Wanzai), estas 2 ilhas foram ocupadas oficialmente pelos portugueses.
História
[editar | editar código]Antes da ocupação oficial portuguesa, a ilha de D. João e a ilha da Montanha, que ficavam perto de Macau, já eram povoadas e frequentadas por missionários portugueses. Antigamente, durante a ocupação portuguesa, a ilha de D. João possuía uma leprosaria. Em 1941, o Exército Japonês conseguiu ameaçar as tropas portuguesas a abandonar aquelas ilhas pouco povoadas. Consequentemente, estas ilhas foram ocupadas por japoneses. No final da Segunda Guerra Mundial, a China conseguiu reocupá-las.
Há propostas para tornar a ilha de Hengqin numa área turística com muitos hotéis e estâncias de luxo. Hengqin começou, recentemente, a experimentar um grande desenvolvimento, com novas áreas residenciais a serem edificadas.
Macau, devido à falta de terrenos, queria integrar a ilha de Hengqin na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) e Macau expressou o seu desejo ao Governo Central Chinês. Mas, o Governo Central não autorizou esta integração. Porém, no dia 1 de setembro de 2005, o Governo Central permitiu a isenção de taxas aos empresários de Macau e de Hong-Kong e permitiu uma maior flexibilidade no controlo da imigração desta ilha chinesa para promover o investimento.
Em 2009, o desenvolvimento de Hengqin foi elevado a estratégia nacional, com a constituição oficial da Nova Área de Hengqin em Zhuhai como uma zona económica de nível nacional. Hengqin tornou-se, assim, uma zona de demonstração para a exploração de novos modelos de cooperação entre Guangdong, Hong Kong e Macau, sob o princípio "Um País, Dois Sistemas". Em 2021, a região foi elevada à categoria de Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, passando a ser gerida conjuntamente por Guangdong e Macau.
Geografia
[editar | editar código]Hengqin é a maior das 146 ilhas de Zhuhai. A sua área é aproximadamente o triplo da área da RAEM. É uma ilha predominantemente rural e possui paisagens espetaculares, vastos campos de cultivo, largas baías, lindas praias, cavernas e rochas com um aspeto estranho, ar fresco e não poluído e uma vegetação natural rica.
Planos recentes dão conta do desenvolvimento urbanístico da ilha, que acolherá milhares de habitantes num futuro próximo.[1]
Desenvolvimento Conjunto entre Zhuhai e Macau
[editar | editar código]Em 2006, o Governo da Província de Guangdong aprovou o Programa do Plano Geral de Desenvolvimento e Construção da Ilha de Hengqin. A 10 de Janeiro de 2009, Xi Jinping, então Vice-Presidente da República Popular da China, declarou durante uma visita a Macau que o Governo Popular Central decidira desenvolver a Ilha de Hengqin. Este desenvolvimento seria estudado e executado conjuntamente pelos governos de Guangdong e Macau, devendo articular-se com a estratégia de diversificação económica de Macau.
A 24 de Junho de 2009, o Conselho de Estado aprovou o Plano Geral de Desenvolvimento de Hengqin, integrando a ilha na Zona Económica Especial de Zhuhai e implementando um sistema de gestão por "linhas separadas" para o controlo aduaneiro. O objectivo era transformar Hengqin numa zona de demonstração de novos modelos de cooperação entre Guangdong, Hong Kong e Macau sob o princípio "Um País, Dois Sistemas". O Conselho de Estado deferiu o pedido de Macau para relocalizar a Universidade de Macau para a ilha, autorizando a Assembleia Popular Nacional a conceder jurisdição a Macau sobre o novo campus, que passaria a ser regido pelas leis da Região Administrativa Especial e sujeito a uma gestão de isolamento face ao restante território de Hengqin. Paralelamente, foram iniciados estudos para estender as infra-estruturas de transporte à ilha, incluindo auto-estradas e vias rápidas.
A 20 de Dezembro de 2012, foi alienado o primeiro terreno destinado especificamente a empresas de Macau, adquirido pela Macau Legend Development Limitada por 250 milhões de renminbi. O lote de 30,000 metros quadrados situa-se no eixo central da Ponte Flor de Lótus e do Posto Fronteiriço de Hengqin, ligando-se aos terminais ferroviários. A empresa anunciou a construção de um centro comercial de luxo com 153 000 metros quadrados de área bruta e um investimento de 1,6 mil milhões de renminbi. O projecto destaca-se pela arquitectura de estilo Manuelino, fundindo influências orientais e ocidentais para criar um marco visual na Nova Área de Hengqin.
A 5 de Setembro de 2021, as autoridades centrais publicaram o Projecto Geral de Construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. O documento define quatro objectivos - uma nova plataforma para a diversificação económica de Macau, um novo espaço para a vida e emprego dos residentes de Macau, uma nova demonstração da prática "Um País, Dois Sistemas" e um novo patamar para o desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. A 17 de Setembro de 2021, foi oficialmente inaugurado o órgão de gestão da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin (em chinês: 橫琴粵澳深度合作區).
Embora a Ilha da Montanha pertença à cidade de Zhuhai, nela coexistem sistemas jurídicos distintos. A regra geral é a aplicação das leis da República Popular da China sob jurisdição local. Contudo, o campus da Universidade de Macau e a Zona do Posto Fronteiriço de Macau em Hengqin regem-se pelas leis de Macau, sendo considerados, para efeitos práticos, parte do território de Macau. Nestas zonas específicas, os veículos circulam pela esquerda, acompanhando o sistema de trânsito de Macau.
Ver também
[editar | editar código]Ligações externas
[editar | editar código]Referências
- ↑ BBC News. «China and Macau to develop island». Consultado em 15 de setembro de 2009
