Irajá Abreu
Irajá Abreu | |
|---|---|
Irajá Abreu em 2019 | |
| Senador pelo Tocantins | |
| Período | 1 de fevereiro de 2019 em exercício |
| Deputado federal pelo Tocantins | |
| Período | 1 de fevereiro de 2011 a 1 de fevereiro de 2019 |
| Primeiro-secretário do Senado Federal | |
| Período | 2021 a 2023 |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 3 de fevereiro de 1983 (43 anos) Goiânia, Goiás, Brasil |
| Progenitores | Mãe: Kátia Abreu Pai: Irajá Silvestre |
| Partido | PFL 2003 a 2007 DEM 2007 a 2011 PSD desde 2011 |
| Profissão | Empresário e produtor rural |
Irajá Silvestre Filho nasceu em Goiânia, em 3 de fevereiro de 1983, e é um empresário, produtor rural e político brasileiro, conhecido como Irajá Abreu. Filiado ao Partido Social Democrático, é senador pelo Tocantins, com mandato de 2019 a 2027, após exercer dois mandatos como deputado federal, de 2011 a 2019.[1][2]
Filho da ex-senadora Kátia Abreu, foi eleito para a Câmara em 2010, aos 27 anos, e para o Senado em 2018, aos 35, tornando-se o senador mais jovem eleito no Brasil. Na Câmara, presidiu a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. No Senado, ocupou a primeira-secretaria entre 2021 e 2023 e apresentou propostas sobre regularização fundiária e compra de terras por estrangeiros, além de relatar o projeto de legalização de cassinos e outros jogos.[3][4][5][6][7][8]
Biografia
[editar | editar código]Irajá é o filho mais velho de Kátia Abreu e do pecuarista Irajá Silvestre, morto em um acidente aéreo em 1987, e irmão de Iratã Abreu e Iana Abreu.[9] Ao ficar viúva, sua mãe tinha 25 anos, estava grávida da terceira filha e assumiu a propriedade rural da família no Tocantins.[10][11]
Formação e carreira profissional
[editar | editar código]Graduou-se em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, no Centro Universitário Luterano de Palmas, onde estudou de 2001 a 2007, e também tem formação em Administração de Empresas.[2][3] Começou a trabalhar aos 11 anos como auxiliar de escritório, foi aprendiz aos 14 e abriu sua primeira empresa aos 16, após ser emancipado. Exerceu atividades como empresário e produtor rural antes de ingressar na Câmara dos Deputados.[3]
Carreira política
[editar | editar código]Filiação partidária e Câmara dos Deputados
[editar | editar código]Ingressou no Partido da Frente Liberal em 2003 e permaneceu na legenda, que passou a se chamar Democratas, até 2011, quando se filiou ao PSD.[12][2] Nas eleições de 2010, recebeu 39.301 votos pelo DEM e foi eleito deputado federal pelo Tocantins, aos 27 anos, o mais jovem do estado naquela eleição.[13][3]
Tomou posse em 1 de fevereiro de 2011 e se licenciou do mandato em maio de 2013 para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Regularização Fundiária do Tocantins. Retornou à Câmara em 4 de outubro de 2013 e foi reeleito em 2014 pelo PSD, com 62.859 votos, a segunda maior votação do estado para deputado federal.[2][14] Presidiu a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural de março de 2015 a maio de 2016.[2]
Em abril de 2016, votou contra a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff.[15] No mesmo ano, durante o governo de Michel Temer, apoiou a PEC do Teto dos Gastos Públicos em sua votação em primeiro turno na Câmara.[16] Votou a favor da reforma trabalhista em abril de 2017 e, em agosto, contra o parecer que recomendava barrar a denúncia por corrupção passiva contra Temer, posicionando-se pelo prosseguimento da investigação.[17][18]
Na avaliação de 2017 do Ranking dos Políticos, recebeu o prêmio de primeiro colocado no critério de qualidade legislativa e ficou entre os vinte primeiros na classificação geral dos parlamentares federais.[19]
Senado Federal
[editar | editar código]Foi eleito senador em 2018 com 214.355 votos, equivalentes a 16,82% dos votos válidos, e tomou posse em 1 de fevereiro de 2019. Aos 35 anos, idade mínima para concorrer ao cargo, tornou-se o senador mais jovem eleito no Brasil.[3][20][4] Em 2 de fevereiro de 2021, foi escolhido primeiro-secretário da Mesa do Senado para o biênio de 2021 a 2023, função responsável pela supervisão dos serviços administrativos da Casa.[5][21]
Nas eleições de 2022, concorreu ao governo do Tocantins pelo PSD e terminou em quarto lugar, com 63.048 votos, ou 7,61% dos votos válidos. Após a derrota, manteve seu mandato no Senado, previsto para terminar em 2027.[22] Em 2025, passou a integrar como titular as comissões de Assuntos Econômicos e de Serviços de Infraestrutura, além de atuar como suplente nas comissões de Meio Ambiente, de Relações Exteriores e Defesa Nacional e de Constituição, Justiça e Cidadania.[1]
Em agosto de 2026, desistiu de disputar a reeleição após divergências sobre os acordos eleitorais do PSD no Tocantins e anunciou apoio à candidatura de Ronaldo Dimas ao Senado.[23]
Propostas legislativas
[editar | editar código]Como relator da Medida Provisória 910/2019, apresentou em março de 2020 mudanças nas regras de regularização de terras da União e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Seu parecer propunha permitir a regularização de ocupações anteriores a 25 de maio de 2012 e o uso de imagens de satélites e drones nas vistorias.[24] A medida perdeu a validade em maio de 2020 sem ser votada, e Irajá retomou pontos do relatório no Projeto de Lei 510/2021, de sua autoria. A proposta recebeu críticas do senador Paulo Rocha|, que afirmou que as novas regras poderiam favorecer a grilagem e o desmatamento de terras públicas.[6]
Também apresentou o Projeto de Lei 2.963/2019, aprovado pelo Senado em dezembro de 2020 e enviado à Câmara, para modificar as restrições à compra de imóveis rurais por estrangeiros. O texto previa limites de aquisição por município e por nacionalidade dos compradores. Irajá defendeu a proposta como uma forma de ampliar investimentos e empregos, enquanto o senador Rogério Carvalho se opôs a ela por considerar que poderia prejudicar a soberania e a segurança alimentar do país.[7]
Foi relator do Projeto de Lei 2.234/2022, sobre a legalização de cassinos, bingos, jogo do bicho e apostas em corridas de cavalos. A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania aprovou seu parecer em 19 de junho de 2024, por catorze votos a doze. Em outubro de 2026, o projeto ainda aguardava deliberação do plenário do Senado.[8]
Controvérsias
[editar | editar código]Separar controvérsias numa se(c)ção específica pode não ser a melhor maneira de se estruturar um artigo, pois pode gerar peso indevido para pontos de vista negativos. (Julho de 2025) |
Licenciamento ambiental e críticas ao projeto de lei
[editar | editar código]O Projeto de Lei 2.163/2011, apresentado por Irajá, propunha dispensar estudos de impacto e licenciamento ambiental para empreendimentos agropecuários, florestais e de reflorestamento. Em março de 2018, o advogado Maurício Guetta, do Instituto Socioambiental, criticou a proposta por considerar que a dispensa poderia facilitar infrações ambientais e anistiar multas. A Repórter Brasil questionou o possível benefício à Fazenda Aliança, herdada de sua mãe, onde Irajá havia sido multado pelo Ibama em R$ 120 mil em 2010 por desmatamento sem licença. Ele recebeu outra multa de R$ 10 mil em 2014 por descumprimento de uma determinação do órgão.[25]
Irajá negou que tivesse legislado em benefício próprio e afirmou que o projeto buscava preservar, melhorar e recuperar a qualidade ambiental das propriedades rurais. Também contestou as autuações do Ibama, que classificou como ilegais e arbitrárias, e afirmou que as questionava judicialmente.[25]
Investigação por suspeita de estupro
[editar | editar código]Em 23 de novembro de 2020, uma modelo de 22 anos registrou um boletim de ocorrência em São Paulo e acusou Irajá de estupro. Ela relatou ter sido dopada após acompanhá-lo a uma casa noturna e ter acordado em um flat enquanto sofria o abuso. Irajá negou a acusação, que classificou como caluniosa e difamatória,[26] e afirmou que a relação havia sido consensual.[27]
Em junho de 2022, a Justiça de São Paulo determinou o arquivamento do inquérito a pedido do Ministério Público, que não encontrou elementos suficientes para sustentar a acusação de estupro. O pedido de arquivamento apontou a ausência de indícios de violência ou de uma ação do investigado que tivesse reduzido a capacidade de resistência da mulher.[27]
Irregularidades trabalhistas em suas fazendas
[editar | editar código]Em julho de 2019, a Justiça do Trabalho de Gurupi condenou Irajá ao pagamento de R$ 50 mil por danos morais coletivos por irregularidades na contratação e nas condições de trabalho em duas fazendas de eucalipto, em Ponte Alta e Aliança do Tocantins. Uma fiscalização de 2016 havia encontrado falta de treinamento para prevenção de acidentes, de exames periódicos e de manutenção das instalações elétricas. A sentença considerou fraudulenta a contratação dos trabalhadores por uma empresa da qual ele era sócio, pois os serviços eram prestados em suas propriedades, e determinou que ele respondesse pelas obrigações trabalhistas e corrigisse os problemas.[28]
Em resposta à condenação, Irajá afirmou que as irregularidades haviam sido corrigidas conforme as exigências do Ministério Público do Trabalho. Também declarou que não fora pessoalmente notificado e que não tivera condições de exercer o direito de defesa no processo.[28]
Contatos com Daniel Vorcaro
[editar | editar código]Em setembro de 2026, foram divulgadas conversas de Irajá com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, obtidas pela Polícia Federal após a apreensão do celular do empresário. Nas mensagens de 2024 e 2025, o senador encaminhou informações sobre o projeto de legalização dos jogos e pediu orientação a Vorcaro. O gabinete de Irajá afirmou que os contatos tratavam do Projeto de Lei 2.234/2022 e faziam parte das conversas do relator com empresários e outros participantes do debate sobre a proposta.[29]
Desempenho eleitoral
[editar | editar código]| Ano | Cargo | Partido | Votos | Percentual dos votos válidos | Resultado | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2010 | Deputado federal | DEM | 39.301 | 5,40% | Eleito | [13] |
| 2014 | Deputado federal | PSD | 62.859 | 8,57% | Eleito | [14] |
| 2018 | Senador | PSD | 214.355 | 16,82% | Eleito | [3][20] |
| 2022 | Governador | PSD | 63.048 | 7,61% | Não eleito | [22] |
Referências
- 1 2 «Senador Irajá». Senado Federal. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 3 4 5 «Biografia do deputado Irajá Abreu». Câmara dos Deputados. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 3 4 5 6 Da Redação (18 de janeiro de 2019). «Irajá (PSD)». Agência Senado. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 Da Redação (9 de outubro de 2018). «Nova bancada tem o senador mais jovem já eleito no Brasil». Agência Senado. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 «Definida Mesa do Senado para os próximos dois anos». Senado Federal. 2 de fevereiro de 2021. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 Rodrigo Baptista (22 de abril de 2021). «Depois de MP caducar, Senado aprecia projeto de regularização fundiária». Agência Senado. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 Roberto Fragoso (16 de dezembro de 2020). «Estrangeiros poderão comprar terras rurais brasileiras». Rádio Senado. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 «PL 2234/2022». Senado Federal. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ João Fellet (6 de maio de 2017). «Em crise com ruralistas, Kátia Abreu flerta com esquerda e critica 'reacionários'». BBC Brasil, via Terra. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ Da Redação (5 de outubro de 2014). «Katia Abreu obtém mais um mandato no Senado». Agência Senado. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ Kátia Abreu (7 de fevereiro de 2019). «O campo me trouxe até aqui». Conexão Tocantins. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ Redação (23 de novembro de 2020). «Modelo acusa senador de estupro em São Paulo». Veja. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 «Jornal da Câmara: resultados das eleições de 2010» (PDF). Câmara dos Deputados. 5 de outubro de 2010. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 «Tocantins: resumo da apuração do primeiro turno de 2014». Folha de S.Paulo. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ «Placar do impeachment: veja como votaram os deputados de cada Estado». UOL. 18 de abril de 2016. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ «Câmara aprova PEC do Teto dos Gastos Públicos em 1º turno» (PDF). Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ «Reforma trabalhista: Como votou cada deputado». Exame. 27 de abril de 2017. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ «Como votaram os deputados sobre a denúncia contra Temer». GZH. 2 de agosto de 2017. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ Redação (23 de novembro de 2017). «Irajá Abreu recebe prêmio como o melhor parlamentar do Brasil em Qualidade Legislativa 2017». Atitude Tocantins. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 «Eduardo Gomes e Irajá vão representar o Tocantins no Senado». Rádio Senado. 7 de outubro de 2018. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ Lara Kinue (3 de fevereiro de 2021). «Eleito 1º secretário da Mesa, Irajá defende racionalização de gastos no Senado». Rádio Senado. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 «Derrotados nas urnas, 15 senadores devem voltar aos mandatos». UOL. 3 de outubro de 2022. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ Maju Cotrim (18 de agosto de 2026). «EXCLUSIVO! Irajá abre o jogo sobre desistência, revela "gota d'água", anuncia apoio ao Senado e diz que Laurez "perdeu o rumo"». Gazeta do Cerrado. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ Da Redação (12 de março de 2020). «Irajá sugere alterar MP da regularização fundiária, votação fica para terça». Agência Senado. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 Ana Magalhães (28 de março de 2018). «Deputado que mais desmatou, filho de Kátia Abreu legisla a favor de empresários rurais». Repórter Brasil, via UOL. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ Alfredo Henrique e Thaiza Pauluze (23 de novembro de 2020). «Modelo acusa o senador Irajá Silvestre Filho (PSD) de estupro». Folha de S.Paulo. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 Weudson Ribeiro (20 de junho de 2022). «Justiça arquiva inquérito sobre suspeita de estupro pelo senador Irajá». UOL. Consultado em 6 de outubro de 2026
- 1 2 «Condenado por irregularidades com servidores de fazendas, senador Irajá alega que problemas foram corrigidos». Gazeta do Cerrado. 23 de julho de 2019. Consultado em 6 de outubro de 2026
- ↑ Do UOL, em São Paulo (30 de setembro de 2026). «'Cadê nossas norueguesas?': as mensagens do senador do PSD-TO para Vorcaro». UOL. Consultado em 6 de outubro de 2026