Língua uaurá
| Wauja | ||
|---|---|---|
| Pronúncia: | [waˈuʐa] ou [waˈuʂa] | |
| Outros nomes: | Waurá, uaurá | |
| Falado(a) em: | ||
| Região: | Parque Indígena do Xingu | |
| Total de falantes: | 672 (Siase/SESAI, 2020) | |
| Família: | Arawak Arawak Oriental Baixo Amazonas Xingu Wauja | |
| Escrita: | Alfabeto latino e alfabeto fonético internacional | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | -- | |
| ISO 639-2: | --- | |
| ISO 639-3: | wau
| |
| Glottolog: | waur1244
| |
A língua wauja ([waˈuʐa] ou [waˈuʂa]),[1] também conhecida como uaurá ou waurá (nomes não reconhecidos pelo povo), é uma língua da família arawak falada no Parque Indígena do Xingu, localizado no estado do Mato Grosso, Brasil.
A língua conta com aproximadamente 672 falantes,[2] divididos em três aldeias, porém apenas uma delas é reconhecida pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI).[3] No cotidiano, a língua wauja é o principal meio de comunicação usado pela população, o que mostra uma situação privilegiada quando comparada a outras populações indígenas. O uso do wauja perde espaço para a língua portuguesa apenas no ambiente escolar e dentro de cidades próximas.[4]
Dentro da família arawak, uma característica marcante é a morfologia aglutinante com aspectos polissintéticos, o que se mostra presente na língua wauja.[5] Graças às similaridades com a língua mehinako, elas já foram classificadas como uma única língua,[5] porém hoje são conhecidas como idiomas diferentes.
Etimologia
[editar | editar código]O termo wauja é um endônimo que significa "nossa cuia",[6] referindo-se aos instrumentos utilizados pelo povo, famosos pela sua habilidade com cerâmica. Esses instrumentos auxiliam na alimentação, funcionando como uma colher, usada pelas mulheres para servir a comida para os demais.[6] Esse objeto demonstrando grande importância simbólica e cultural.
A população wauja evita sofrer influência da sociedade exterior para manter sua identidade, incentivando muito o conhecimento da própria cultura.[7] Aspectos culturais como a cuia são extremamente importantes para a manutenção desses conhecimentos. Isso reflete uma grande ligação entre os símbolos culturais e a vivência cotidiana desse povo.
Distribuição
[editar | editar código]Os falantes língua wauja encontra-se limitados geograficamente às 3 aldeias do povo, Piyulaga, Piyuluene e Ulupuene,[1] localizadas no Parque do Xingu. Todos os indivíduos da população, desde cedo, são introduzidos à língua mãe devido à sua importância na vivência desse povo, ou seja, apresenta uma taxa de falantes nativos de 100%, fator que contribui para a língua permanecer em atividade.
Línguas relacionadas
Graças à proximidade geográfica dos wauja com os povos mehinaku e os yawalapiti (kustenau é considerada uma língua extinta), existe um intercâmbio linguístico muito forte. Em relação ao alfabeto, os mehinaku e os wauja apresentam o mesmo segmento vocálico e muitas consoantes em comum, como consequência, a grafia de diversas palavras acaba sendo muito semelhante ou até idêntica.[8] Também contam com empréstimos da língua portuguesa em algumas palavras.
Segue uma lista de comparação de algumas palavras na língua portuguesa, língua wauja e língua mehinako, respectivamente:
| Português | Wauja | Mehinaku |
|---|---|---|
| peneira | mana | mana |
| lixo | meyei | meyei |
| corda | nutaí | nunutai |
| brinquedo | mahintxulai | masikulai |
| balanço | balãsu | (não conhecida) |
Mapa de línguas Arawak
| Arawak |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
História
[editar | editar código]Investigações arqueológicas de estudiosos como Dole e Heckenberger apontam que alguns grupos étnicos que hoje residem no Xingu vieram do sudoeste da bacia amazônica e estabeleceram-se no estado Mato Grosso entre os anos de 800 e 900 depois de uma migração de motivo desconhecido.[9] Existem poucas informações sobre a história linguística dessa população, visto que os estudos linguísticos dela são recentes e os registros anteriores a esses estudos são superficiais ou inexistentes.
O primeiro registro sobre os wauja foi em 1884, registrado pelo etnólogo Karl von den Steinen em sua primeira expedição na região Centro-Oeste do Brasil.[10] Com anotações de diversos grupos indígenas, as obras do etnólogo tinham maior foco em retratar questões culturais e a organização social dos povos, ou seja, com poucas informações sobre a história e evolução da língua, o que se mostra insuficiente para a realização de um estudo comparativo na atualidade.
Dentro da aldeia de Piyulaga encontra-se a EEIEB Piyulaga (Escola Estadual Indígena de Educação Básica Piyulaga), a única escola dos wauja, que possui um projeto pedagógico intercultural e multilíngue.[11] Dessa forma, busca manter as tradições culturais e linguísticas, usando a escrita como principal forma de registro do povo, estimulando também o respeito entre diferenças culturais.
O ambiente escolar é precário, possuindo apenas três salas voltadas aos 3°, 4° e 5° anos do Ensino Fundamental.[4] Atualmente, o material pedagógico destinado aos alunos é fornecido pelo Governo do Estado do Mato Grosso. Ainda não existe nenhum material específico voltado para o aprendizado da língua wauja, fazendo com que alguns professores criassem um projeto voltado a esse objetivo,[11] que segue ainda não finalizado.
Fonologia
[editar | editar código]Consoantes
[editar | editar código]O inventário fonológico dos wauja conta com 15 segmentos consonantais,[12] advindos originalmente de 24 fones, que, em alguns casos, acabam por não ter distinção a não ser na vibração das cordas vocais, o que pode considerar alguns fones como alófones (variações fonéticas) de outros. Como exemplo, é possível observar os fones oclusivos bilabiais desvozeado [p], aspirado [pʰ] e vozeado [b], definindo /p/ como fonema e os demais como seus alófonos.
| Bilabial | Alveolar | Pós-alveolar | Retroflexa | Palatal | Velar | Uvular | Glotal | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Oclusiva | p | t | k | ɢ | ||||
| Africadas | ts | tʃ | ||||||
| Fricativas | z | ʐ | h | |||||
| Nasais | m | n | ||||||
| Lateral | l | |||||||
| Tepe | ɾ | |||||||
| Aproximante | w | j |
Além das consoantes apresentadas na tabela, também existem os segmentos [ʔ], [β] e [ɲ], não sendo considerados consoantes pela possibilidade de substituição por outro segmento sem perda de sentido, como [ɲ] pode ser substituído por [j] ou [β] pode ser substituído por [w], ou pela falta de evidências para determinação do status fonológico, como [ʔ], que ocorre em contextos específicos e tem sua ocorrência previsível.[13]
| Vozeados | Aspirados | Desvozeados |
|---|---|---|
| b | pʰ | p |
| tʰ | t | |
| ʐ | ʂ | |
| kʰ | k | |
| z | s |
Vogais
[editar | editar código]Assim como nas consoantes, dentro das vogais existe a ocorrência de diversas variações. O inventário fonológico conta com 5 vogais e 22 fones, que podem se diferenciar em orais, nasais e longos.[14]
| Anterior | Central | Posterior | |
|---|---|---|---|
| Alta | i | ɨ | u |
| Média Fechada | e | ||
| Média Aberta | |||
| Baixa | a |
| Anterior | Central | Posterior | |
|---|---|---|---|
| Alta | i, ĩ, i:, ɪ | ɨ, ɨ̃, ɨ: | u, ũ, u:, ʊ |
| Média Fechada | e, ẽ, e: | ə | |
| Média Aberta | ɛ, ɛ̃, ɛ: | ɐ | |
| Baixa | a, ã, a: |
Existem dois tipos nasalização dentro do grupo das vogais, a fraca ou leve, quando as consoantes nasais precedem vogais, e a forte ou pesada, que ocorre sem consoantes nasais. Além disso, ainda são encontradas as vogais longas (caracterizadas pelo uso de ":"), porém, dentro das informações existentes sobre a língua wauja, existem apenas duas frases em que a troca pela vogal longa resulte em contraste. Dessa forma, esses registros são insuficientes para que as vogais longas sejam consideradas como fonemas ao invés de alófones.[15]
Para melhor entendimento, seguem exemplos abaixo:
| Vogal | Wauja | Português | |
|---|---|---|---|
| Nasalização leve | [ũ] | [nũta'i] | "corda" |
| Nasazalização pesada | [ɨ̃] | [ɨ̃:'taj] | "arco" |
| Vogal | Wauja | Português | |
|---|---|---|---|
| Contraste 1 | [i] | [wi'tʃa] | baixo |
| [i:] | [wi:'tʃa] | assovio (vento) | |
| Contraste 2 | [ɨ] | [wɨ'ka] | torrar beiju |
| [ɨ:] | [wɨ:'ka] | assovio (pessoa) |
Fonotática
[editar | editar código]Inicialmente, as consoantes devem ser divididas em dois grupos, C1, que corresponde às consoantes que aparecem na posição inicial das palavras, e C2, que corresponde às que aparecem nas posições medial e final das palavras. De todas as consoantes, apenas as que não ocorrem em posição inicial de palavras são /ɢ/, /ɾ/ e /l/ (que, na verdade, até podem ocorrer no início de palavras, porém apenas em empréstimos do português).[16]
Além disso, as sílabas fonológicas sempre devem possuir pelo menos um segmento vocálico, podendo ter um núcleo simples (V) ou ramificado (Vg),[16] que ocorre quando há o encontro de uma vogal com a consoante aproximante bilabial /w/ ou palatal /j/, representadas pelo "g". Quando analisados os padrões silábicos CV e V, nota-se que o padrão CV mostra-se mais produtivo, o que o levou a ser classificado como padrão silábico universal da língua wauja no estudo realizado por Clements e Keyser (1983).
Para melhor entendimento, seguem os moldes silábicos "C1V", "C2V" e "CVg":[17]
| C1 | /p/,/t/,/ts/,/tʃ/,/k/,/h/,/s/,/ʐ/,/m/,/n/,/w/,/j/ |
|---|---|
| V | /a/,/e/,/i/,/ɨ/,/u/ |
| C2 | /p/,/t/,/ts/,/tʃ/,/k/,/h/,/s/,/ʐ/,/m/,/n/,/w/,/j/,/ɢ/,/ɾ/,/l/ |
|---|---|
| V | /a/,/e/,/i/,/ɨ/,/u/ |
| C | /p/,/t/,/ts/,/ɢ/,/ʐ/,/m/,/n/,/l/,/ɾ/ |
|---|---|
| Vg | V(/a/,/e/,/i/,/ɨ/,/u/)
g(/j/,/w/) |
Como é possível ver, nem todas as consoantes podem ser usadas antes de um vogal de núcleo ramificado.
Prosódia
[editar | editar código]Por mais que sejam raras, palavras monossilábicas aparecem em wauja. Nesse caso, todas as palavras monossilábicas são consideradas tônicas.[18]
Por outro lado, nas palavras com duas ou mais sílabas a tonicidade é indefinida, pois serve como meio para diferenciar os significados de mesmas palavras. A grande maioria das palavras possui duas sílabas, em que qualquer uma das duas pode ser a tônica, ou seja, a tonicidade é "livre".[18]
Já nas palavras trissilábicas, a tonicidade sempre cairá na penúltima sílaba, ou seja, é "fixa" nesse grupo de palavras.[19]
Ademais, a tonicidade de uma palavra também pode ser alterada com a adição de um sufixo monossilábico, deslocando-a para a última sílaba da palavra.[20]
Ortografia
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O sistema de escrita wauja é derivado do alfabeto latino, e, assim como o português, é lido da esquerda para a direita. Composto por 15 consoantes e 5 vogais, o alfabeto wauja não possui letras maiúsculas. Esse sistema é adotado pelos professores que atuam na Escola de Piyulaga, mas, algumas mudanças entre a grafia de crianças e adultos pode ser vista, como é apresentado no "o", que os adultos têm a preferência por usar "o", para diferenciá-lo do "o" tradicional da língua portuguesa, porém alguns do público mais jovem acham isso desnecessário, visto que a vogal [o] não existe no wauja.[21]
| Wauja | AFI | Exemplo |
|---|---|---|
| a | a | caneta |
| e | ɛ | peste |
| i | ɪ | ouvido |
| o | ɨ | pɨa ("trilha" em tupi moderno) |
| u | u | urso |
| g | ɢ | galão |
| r | ɾ | touro |
| ỹ | ɲ | Rainha |
| x | tʃ | tchau |
| j | ʐ | |
| w (antes de vogal)
w (depois de vogal) |
w | wafer
show |
| y (antes de vogal)
i (depois de vogal) |
j | iogurte
maior |
| p | p | mapa |
| t | t | pote |
| ts | ts | pizza |
| k | k | casa |
| s | s | sofá |
| h | h | carro |
| m | m | moer |
| n | n | nadar |
| l | l | lança |
Gramática
[editar | editar código]Pronomes
[editar | editar código]Pronomes pessoais
[editar | editar código]O wauja apresenta três pronomes pessoais no singular, referentes às primeira, segunda e terceira pessoa, e três no plural, também referentes às primeira, segunda e terceira pessoa, totalizando assim 6 pronomes pessoais. Além disso, também são usados prefixos pronominais para demarcar as pessoas do discurso em verbos,[22] tornando a presença dos pronomes pessoais optativa, geralmente usada para dar mais ênfase. Caso o contexto comunicativo seja de perguntas e respostas, quando feita uma pergunta, o uso dessas marcações restringe-se apenas aos pronomes, enquanto situações de resposta podem pode ser usado tanto o prefixo quanto o pronome.
No caso da terceira pessoa, não existe um prefixo, ou seja, é necessário o uso do pronome para a distinção de número.[23] Os prefixos também apresentam alomorfes, podendo aparecer de diferentes maneiras. Segue uma tabela com os pronomes pessoais, seus respectivos prefixos e alomorfes:
| Pronomes Pessoais | Pessoa | Prefixos | Alomorfes |
|---|---|---|---|
| /'natu/ 1s | "eu" | {nu-} | |n-|, |nɨ-| |
| /'pitsu/ 2s | "você" | {pi-} | |p-|, |pɨ-| |
| /'ʐa/ 3s | "ele/ela" | {∅-} | - |
| /'ajtsu/ 1p | "nós" | {aj-} | |a-|, |aw-|, |ew-|, |aɨ-|, |i-| |
| /'jitsu/ 2p | "vocês" | {ji-} | |j-|, |je-|, |jɨ-|, |ju-| |
| /'nala/ 3p | "eles/elas" | {∅-} | - |
Pronomes possessivos
[editar | editar código]Os pronomes possessivos em wauja são na verdade prefixos que indicam posse, então se assemelham muito aos prefixos variados dos pronomes pessoais. Os nomes podem ser considerados como alienáveis,[24] aqueles em que pode ou não existir a posse, atribuído, por exemplo, a objetos, e inalienáveis,[24] aqueles em que a posse é obrigatória, como em partes do corpo. No caso da falta de especificação de um possuidor em um nome inalienável, deve ser usado o sufixo {-j}.[25]
Em oposição aos prefixos dos pronomes pessoais, existe uma indicação de posse para a terceira pessoa, sem distinguir singular de plural.[26] Assim, o entendimento acaba dependendo exclusivamente da situação comunicativa. Segue uma tabela dos prefixos de posse.
| Pessoa e número | Prefixos possessivos |
|---|---|
| 1° singular | {nu-} |
| 2° singular | {pi-} |
| 1° plural | {a-} |
| 2° plural | {ji-} |
| 3° pessoa | {ɨ-} |
Pronomes demonstrativos
[editar | editar código]Os estudos atuais apontam a existência de apenas dois pronomes demonstrativos em wauja, referindo-se a dois graus de distância entre o falante e o outro na comunicação. Esses pronomes são /'kata/, que significa "esse(a)" e /'kala/, que significa "aquele(a)". Sua ocorrência geralmente é no início de frases, porém sua ordem não é fixa.[27]
Substantivos
[editar | editar código]Número
[editar | editar código]Representando seres animados ou inanimados, os nomes em wauja não apresentam marcas de singular, dual ou plural,[28] dependendo da utilização de expressões númericas, quantificadores ou sufixos coletivizadores para essa determinação. Em relação aos quantificadores, existem apenas dois, /ahã'tãj/, que indica "pouco" e /kijã'kã/, que indica "muito".[29] Segue uma tabela indicando os sufixos coletivizadores existentes.
| Inanimados | {-taku}/{-tsaku} | plantação/conjunto | |
|---|---|---|---|
| Animados | Não-humanos | {-pahɨ} | conjunto de animais |
| {-tupa} | conjunto de animais com localização específica | ||
| Humanos | {-nãw} | grupo |
Verbos
[editar | editar código]Existe forte presença de sufixos e prefixos no contexto verbal em wauja. Enquanto os prefixos são exclusivamente pronominais, vistos anteriormente, os sufixos podem expressar o tempo, modo e aspecto do verbo.[30] O verbo pode ser intransitivo, precisando apenas um sujeito, ou transitivo, precisando de mais de um sujeito.
Os sufixos de tempo marcam o presente, o passado e o futuro,[31] enquanto os de aspecto podem ser perfectivos ou imperfectivos,[32] relacionando-se ao andamento de uma ação, podendo ela estar concluída, como é o caso do perfectivo, ou em andamento, como é o caso do imperfectivo. O imperfectivo pode indicar duas circunstâncias, uma se referindo a uma ação contínua e outra se referindo a um hábito, existindo distinção na marcação.
O modo de um verbo pode ser determinado pela presença ou não de sufixos. Caso exista um sufixo indicando tempo ou aspecto, o verbo encontra-se no indicativo, caso contrário, ou seja, não existam sufixos que indiquem tais marcas, o verbo encontra-se no imperativo positivo,[33] também podendo aparecer na forma negativa caso seja acrescentada a palavra /a'mijaN/ no início da frase imperativa.[34]
Segue a tabela de sufixos que definem tempo e aspecto:
| Tempo | Presente | {-∅} | |
|---|---|---|---|
| Passado | {-unɨ} | ||
| Futuro | {-we} | ||
| Aspecto | Perfectivo | {-wiu} | |
| Imperfectivo | Contínuo | {-paj} | |
| Habitual | {-∅} |
Sentença
[editar | editar código]A ordem dos constintuintes em wauja segue o padrão SVO, não sendo afetado independentemente da natureza das sentenças ou orações. Além disso, o padrão sintático predominante em wauja é o acusativo, ou seja, o sujeito dos verbos transitivos e intransitivos se assemelham, diferindo apenas do objeto.[35]
Vocabulário
[editar | editar código]Sistema de numeração
[editar | editar código]As informações sobre o sistema de numeração wauja são escassas, apresentando apenas a contagem dos números de 1 até 10. A base numérica é 5, pois a contagem baseia-se nas mãos do corpo humano, ou seja, quando esse valor é ultrapassado, os números seguintes são representados como a soma de cinco com outro número.[36]
Segue uma tabela apresentando os números:
| Wauja | Números |
|---|---|
| [pa'wã] | um |
| [me'pi'jãwã] | dois |
| [ka'mãwã'kula] | três |
| [me'pijã'wã'wãka] | quatro |
| [pawɨʐũ'kũ] | cinco |
| [pa'wã tapu'ta] | seis |
| [me'pijã'wã tapu'ta] | sete |
| [ka'mãwã'kula tapu'ta] | oito |
| [me'pijã'wã'wãka tapu'ta] | nove |
| [pa'wãʐu'kũ pa'wãʐu'kũ] | dez |
Expressões em wauja
[editar | editar código]Segue uma tabela com algumas expressões em wauja.[37]
| Wauja | Português |
|---|---|
| pixutowiu! | Bom dia!/Boa tarde!/Boa noite! |
| pawojotai? | Tudo bem? |
| katsa umapai pixupona? | Qual é seu nome? |
| katsa itsakalapai pixamokaliu? | Quantos anos você tem? |
| ayiu! | Vamos! |
| katsa patukutapaii? | O que você quer? |
| aya nitsenu | Vamos comigo |
| kanatsa pitsu? | De onde você é? |
| nukupona (nome) | Meu nome é (nome) |
| piiyigou? | Pode pegar? |
| anumana | Vem aqui |
| awojojopai nipitsi naixapai maiki | Eu gosto de comer pamonha |
| piyapé payãku ujupai? | Você vai para casa hoje? |
Ver também
[editar | editar código]Referências
- 1 2 Postigo 2014, pp. 27.
- ↑ «Waujá - Povos Indígenas no Brasil». pib.socioambiental.org. Consultado em 2 de março de 2025. Cópia arquivada em 9 de setembro de 2025
- ↑ Postigo 2014, pp. 27-28.
- 1 2 Postigo 2014, pp. 57.
- 1 2 Postigo 2014, pp. 52-53.
- 1 2 Awetí 2014, pp. 44.
- ↑ Postigo 2014, pp. 61.
- ↑ Corbera Mori 2012, pp. 196-205.
- ↑ «Waujá - Povos Indígenas no Brasil». pib.socioambiental.org. Consultado em 17 de fevereiro de 2025. Cópia arquivada em 9 de setembro de 2025
- ↑ «Waujá - Povos Indígenas no Brasil». pib.socioambiental.org. Consultado em 17 de fevereiro de 2025. Cópia arquivada em 9 de setembro de 2025
- 1 2 Postigo 2014, pp. 58.
- ↑ Postigo 2014, pp. 87.
- ↑ Postigo 2014, pp. 79.
- ↑ Postigo 2014, pp. 91.
- ↑ Postigo 2014, pp. 90.
- 1 2 Postigo 2014, pp. 99.
- ↑ Postigo 2014, pp. 100.
- 1 2 Postigo 2014, pp. 106.
- ↑ Postigo 2014, pp. 107.
- ↑ Postigo 2014, pp. 107-108.
- ↑ Postigo 2014, pp. 125.
- ↑ Postigo 2014, pp. 177.
- ↑ Postigo 2014, pp. 159.
- 1 2 Postigo 2014, pp. 137.
- ↑ Postigo 2014, pp. 138.
- ↑ Postigo 2014, pp. 140.
- ↑ Postigo 2014, pp. 180-181.
- ↑ Postigo 2014, pp. 146.
- ↑ Postigo 2014, pp. 189.
- ↑ Postigo 2014, pp. 156.
- ↑ Postigo 2014, pp. 160.
- ↑ Postigo 2014, pp. 162.
- ↑ Postigo 2014, pp. 210.
- ↑ Postigo 2014, pp. 211.
- ↑ Postigo 2014, pp. 197.
- ↑ Postigo 2014, pp. 187-188.
- ↑ «Vol. 3 // Lições do Idioma Wauja by Descolonizando o Brasil - Issuu». issuu.com (em inglês). 11 de setembro de 2018. Consultado em 2 de março de 2025. Cópia arquivada em 4 de agosto de 2024
Bibliografia
[editar | editar código]- Postigo, Adriana Viana (2014). Língua wauja (arawak) [uma descrição fonológica e morfossintática] (Tese de Doutorado). Araraquara-SP: UNESP. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2025
- Awetí, Makaulaka Mehinako (2014). Uma descrição preliminar das classes de palavras da Língua Mehináku, com foco especial na classe dos nomes (PDF) (Tese de Mestrado). Brasília: Universidade de Brasília. Cópia arquivada (PDF) em 12 de agosto de 2024
- Corbera Mori, Angel (2012). «Waurá e Mehináku: um breve estudo comparativo»: 196-205