Raimundo Carrero
| Raimundo Carrero | |
|---|---|
| Nascimento | Raimundo Carrero de Barros Filho |
| Morte | Recife (PE) |
| Residência | Recife |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Ocupação | Escritor e jornalista |
| Prémios | Prémio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (1995, 2015) Prêmio Jabuti (2000) |
| Movimento literário | Armorial |
| Magnum opus | A minha alma é irmã de Deus |
Raimundo Carrero de Barros Filho (Salgueiro, 20 de dezembro de 1947 - Recife, 16 de junho de 2026[1][2]) foi um jornalista e escritor brasileiro.
Música antes da Literatura
[editar | editar código]Antes de se iniciar na literatura, e ser conhecido como um grande escritor, Raimundo Carrero participou, ainda em Salgueiro, como saxofonista do grupo musical "Loving Black Ties", e depois, já no Recife, na época da Jovem Guarda, de um conjunto musical, Os Tártaros, como saxofonista.[3]
A gente tinha um saxofonista meio fraquinho, aí um amigo, não me lembro mais quem (olha quanto tempo) disse que conhecia um rapaz de Salgueiro, que tocava as músicas muito bem. Foi através desse amigo que conhecemos Raimundo Carrero.
— Walter Alves, [3]
Formação
[editar | editar código]Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco.[4]
Carreira profissional
[editar | editar código]Como jornalista, trabalhou no Diario de Pernambuco[5] durante 25 anos, tendo exercido vários cargos, como os de crítico literário e editor chefe da redação.
Foi assessor de imprensa na Fundação Joaquim Nabuco e funcionário da Universidade Federal de Pernambuco. Integrou o Conselho Municipal (Recife) de Cultura durante oito anos e o Movimento de Cultura Popular.
Até 1998 foi presidente da Fundação de Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco (Fundarpe).[2][5]
Perna Cabeluda
[editar | editar código]Em sua atuação como jornalista, criou um personagem de ficção que ficou famoso em todo o estado, chamado "Perna Cabeluda", que perdurou e foi objeto de estudo e enredo de filme.[4][6]
Carreira literária
[editar | editar código]No início da década de 1970 participou ativamente, como romancista e contista, do Movimento Armorial, idealizado pelo escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, cuja principal orientação era e é a realização da uma obra erudita com base nos símbolos e insígnias da cultura popular,[Nota 1] tendo também colaborado para sua formação os escritores Hermilo Borba Filho e Gilberto Freyre, de quem foi assessor.
Em 11 de outubro de 2004 foi eleito para a cadeira 3 da Academia Pernambucana de Letras, tomando posse em 20 de janeiro de 2005.
Seu livro Somos pedras que se consomem foi incluído entre os dez melhores livros de 1995, escolhidos pelo jornal O Globo (RJ), e entre as dez melhores obras de ficção de 1995, selecionadas pelo Jornal do Brasil (RJ).
Desde a década de 1990 ministrava a própria Oficina de Criação Literária,[2][5] que revelou alguns escritores nacionalmente conhecidos e premiados, como Marcelino Freire. Depois de seu AVC, afastou-se por um tempo, depois voltou, mas não com a mesma frequência de antes.[7] Nos últimos meses, já não ministrava.
No ano 2000 foi agraciado com o Prêmio Jabuti na categoria contos pelo livro As Sombras Ruínas da Alma. Em 2010, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura pelo romance Minha Alma é Irmã de Deus.
Em 2018, a Cepe publicou o volume Condenados à Vida, que reúne sua tetralogia composta pelos livros Maçã agreste (1989), Somos pedras que se consomem (1995), O amor não tem bons sentimentos (2008) e Tangolomango (2013).
Em outubro de 2010, aos 62 anos, o escritor teve um acidente vascular cerebral (AVC) e, desde então, passou a apresentar várias comorbidades.[8]
Raimundo Carrero morreu aos 78 anos, no Recife, na madrugada do dia 16 de junho de 2026. A causa da morte foi um câncer, de acordo com a família do escritor. Segundo sua família, Raimundo Carrero ficou uma semana internado no Hospital Esperança, na Ilha do Leite, no Centro do Recife. Ele foi à unidade de saúde após sentir dores e descobriu que estava com um câncer em estágio avançado próximo do pulmão.[9]
No comunicado da morte, os parentes de Carrero disseram que, neste “momento de dor, a família agradece as manifestações de carinho, solidariedade e respeito recebidas de amigos, leitores, admiradores e de todos que tiveram suas vidas tocadas por sua trajetória”.
| “ | "Ao longo de sua vida, Raimundo dedicou-se à literatura com paixão, sensibilidade e compromisso, construindo uma obra que marcou gerações de leitores e contribuiu de forma significativa para a cultura pernambucana e brasileira." | ” |
Principais obras
[editar | editar código]Ficção
[editar | editar código]- A história de Bernarda Soledade - A tigre do sertão (1975)[1]
- As sementes do sol - O semeador (1981)
- A dupla face do baralho - Confissões do comissário Félix Gurgel (1984)
- Sombra severa (1986)
- Viagem no Ventre da Baleia (1987)
- Maçã agreste (1989)
- Sinfonia para vagabundos (1992)
- Extremos do arco-íris (1992)
- Somos pedras que se consomem (1995)
- As sombrias ruínas da alma (1999)
- Ao redor do escorpião...uma tarântula? (2000)
- O Senhor dos Sonhos (2003)
- O Amor não tem bons sentimentos (2008)
- Minha alma é irmã de Deus (2010)
- Seria uma sombria noite secreta (2011)
- Tangolomango (2013)
- Romance do Bordado e da Pantera Negra (2014) - em coautoria com Ariano Suassuna
- O senhor agora vai mudar de corpo (2015)
- Condenados a Vida (2018)
- Colégio de Freiras (2019)
- Estão matando os meninos (2020)
Ensaios
[editar | editar código]- Os segredos da ficção (2005)
- A preparação do escritor (2009)
Biografia
[editar | editar código]- O arco e o escudo - Biografia de Orlando Parahym
Obras publicadas no exterior
[editar | editar código]- Ombre sévère, traduzido por Paula Anacaona, collection Terra, Editions Anacaona, Paris, 2015.
- Bernarda Soledade, Tigresse do sertão, traduzido por Paula Anacaona, collection Terra, Editions Anacaona, Paris, 2014.
Prêmios literários
[editar | editar código]- 1984
- Prêmio José Condé, Governo de Pernambuco[5]
- 1986
- Prêmio Lucilo Varejão, prefeitura do Recife[5]
- 1987
- Prêmio Oswald de Andrade - Revelação Nacional, Rio Grande do Sul[5]
- 1995
- Troféu APCA de Melhor Romancista do Ano, da Associação Paulista de Críticos de Arte[5]
- Prêmio Machado de Assis (melhor romance de 1995), da Biblioteca Nacional.[2]
- 2000
| Precedido por Charles Kiefer / Rubens Figueiredo / João Inácio Padilha |
Prêmio Jabuti - Contos e Crônicas 2000 |
Sucedido por Mário Pontes / Rodolfo Konder / Lygia Fagundes Telles |
2009
- Prêmio Machado de Assis - Melhor Romance, com Minha alma é irmã de Deus.
2010
- Prêmio São Paulo de Literatura - Melhor Livro do Ano, com Minha alma é irmã de Deus.
2015
- Novamente vencedor do Troféu APCA Melhor Romancista do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte.
Projetos relacionados
[editar | editar código]Notas e referências
Notas
- ↑ Raimundo sempre declarou ter em Ariano um de seus mestres.
Referências
- 1 2 Cultural, Instituto Itaú. «Raimundo Carrero». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 21 de dezembro de 2020. Cópia arquivada em 5 de fevereiro de 2023
- 1 2 3 4 «Raimundo Carrero». www.tirodeletra.com.br. Consultado em 21 de dezembro de 2020
- 1 2 «Raimundo Carrero: a música antes da literatura». Revista Continente. Consultado em 18 de junho de 2026
- 1 2 «Pernambuco decreta luto oficial de três dias pela morte do escritor Raimundo Carrero». Rádio Brasil de Fato. 16 de junho de 2026. Consultado em 19 de junho de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 Editora, CEPE. «RAIMUNDO CARRERO - CEPE Editora». RAIMUNDO CARRERO - CEPE Editora. Consultado em 21 de dezembro de 2020. Cópia arquivada em 24 de dezembro de 2024
- ↑ «Perna Cabeluda driblou a ditadura e colocou violência contra a mulher nas páginas do Diario». Diario de Pernambuco. Consultado em 19 de junho de 2026
- ↑ «Biografia de Raimundo Carrero». Consultado em 19 de junho de 2026
- ↑ Guedes, Diogo (13 de setembro de 2014). «Raimundo Carrero revela primeiro capítulo do seu novo romance, O senhor agora vai mudar de corpo». JC. Consultado em 16 de junho de 2026
- ↑ «Escritor Raimundo Carrero morre aos 78 anos no Recife». G1. 16 de junho de 2026. Consultado em 16 de junho de 2026
- ↑ Guedes, Diogo (13 de setembro de 2014). «Raimundo Carrero revela primeiro capítulo do seu novo romance, O senhor agora vai mudar de corpo». JC. Consultado em 16 de junho de 2026
- ↑ «Escritor Raimundo Carrero morre aos 78 anos no Recife». G1. 16 de junho de 2026. Consultado em 16 de junho de 2026
- ↑ Tribuna do Norte [ligação inativa]
