Visite sous-marine du Maine
| Visite sous-marine du Maine | ||||
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| Visite sous-marine du Maine Visita Submarina ao Maine (bra) | ||||
Cena do filme | ||||
| Título em inglês | Divers at Work on the Wreck of the "Maine" | |||
| França 1898 • preto e branco • aprox. 1 minuto (20 metros) min | ||||
| Direção | Georges Méliès | |||
| Produção | Georges Méliès | |||
| Cinematografia | Georges Méliès | |||
| Companhia produtora | Star Film | |||
| Distribuição | Star Film | |||
| Lançamento | 1898 | |||
| Idioma | mudo | |||
| Cronologia | ||||
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Visite sous-marine du Maine (bra: Visita Submarina ao Maine) é um curta-metragem mudo francês de 1898, dirigido por Georges Méliès e lançado pela Star Film. Registrado sob o número 147 do catálogo Star Film, foi anunciado com o subtítulo descritivo plongeurs et poissons vivants ("mergulhadores e peixes vivos") e circulou nos Estados Unidos como Divers at Work on the Wreck of the "Maine"; na Grã-Bretanha, foi distribuído sob os títulos Divers at Work on a Wreck Under Sea e Divers at Work on a Wreck Under Water.[1]
Enredo
[editar | editar código]Os destroços do encouraçado norte-americano USS Maine jazem no fundo da baía de Havana. Três mergulhadores, com escafandros clássicos e longas mangueiras de ar ligadas à superfície, aproximam-se dos destroços e recuperam um corpo, amarrando-o a uma corda para que seja içado; em seguida, continuam a explorar os destroços.[1]
Contexto histórico
[editar | editar código]Em 15 de fevereiro de 1898, o USS Maine explodiu na baía de Havana, então sob domínio espanhol, matando cerca de 260 tripulantes. O incidente, cuja causa nunca foi definitivamente esclarecida, foi amplamente explorado pela imprensa sensacionalista dos Estados Unidos sob o lema "Remember the Maine!" e serviu de estopim imediato para a Guerra Hispano-Americana, declarada poucos meses depois, embora o conflito já viesse sendo pressionado pela Guerra de Independência de Cuba e por interesses políticos e econômicos dos Estados Unidos. O afundamento gerou grande repercussão internacional e inspirou diversas reconstituições cinematográficas da época, entre elas as de Méliès.
Produção
[editar | editar código]O efeito de imersão submarina
[editar | editar código]Para simular a sensação de estar debaixo d'água sem os meios técnicos de filmagem subaquática real — inexistentes em 1898 —, Méliès posicionou um grande aquário de vidro com peixes vivos entre a câmera e o cenário onde os mergulhadores atuavam, de modo que os peixes atravessassem o quadro em primeiro plano ao longo de toda a cena. Uma tela de gaze pintada, colocada diante da lente, reforçava o efeito de tremulação característico da água.[1][2] O corpo recuperado pelos mergulhadores é um manequim.[1]
O recurso já era usado por Méliès apenas três anos após o surgimento do cinematógrafo, num período em que a linguagem técnica do cinema ainda estava em formação.[nota 1] Méliès reempregaria e refinaria o mesmo recurso em filmes posteriores, como A Sereia (1904), no qual chegou a texturizar o vidro do aquário para imitar o brilho da água, e em Viagem à Lua (1902), onde submergiu o próprio modelo do foguete no aquário.
Contexto no catálogo
[editar | editar código]Registrado sob o número 147 do catálogo da Star Film, Visite sous-marine du Maine é precedido por Visite de l'épave du Maine (#146) e seguido por Assaut d'escrime (École de Joinville) (#148) — encerrando o pequeno grupo de reconstituições produzidas por Méliès sobre o afundamento do Maine, iniciado em Quais de La Havane (Explosion du cuirassé Le Maine) (#144–145).[1] O filme foi produzido dentro do período de primavera a outono de 1898, intervalo em que os filmes de número 143 a 168 do catálogo foram produzidos.[3]
O filme, juntamente com os demais da série sobre a Guerra Hispano-Americana, foi exibido no teatro de ilusões de Méliès, o Théâtre Robert-Houdin, em Paris.[1] Segundo o historiador do cinema John Frazer, é o filme mais bem-sucedido dessa série; uma crítica francesa publicada em 1 de maio de 1898 descreveu-o como "do maior interesse" (du plus vif intérêt).[4] A recepção, no entanto, variou conforme o interesse político local: quando exibido em Sherbrooke, no Canadá francês, em junho de 1898, o público reagiu de forma negativa e pediu a reapresentação de filmes já vistos sobre a Paixão de Cristo.[4]
Preservação
[editar | editar código]O filme sobreviveu e está disponível em domínio público no Wikimedia Commons. Uma cópia integrou a coleção do Paisley Philosophical Institution, na Escócia, e foi doada à National Film Library de Londres (atual BFI National Archive) na década de 1930.[4]
Vídeo
[editar | editar código]Notas
- ↑ Não localizamos fonte acadêmica que atribua explicitamente a Méliès o pioneirismo desse efeito específico; a observação decorre da cronologia documentada (1898, apenas três anos após o início do cinema comercial), quando praticamente toda técnica cinematográfica era, por definição, nascente.
Ver também
[editar | editar código]Referências
- 1 2 3 4 5 6 Malthête, Jacques; Mannoni, Laurent (2008). L'œuvre de Georges Méliès. Paris: Éditions de La Martinière. p. 338. ISBN 9782732437323
- ↑ Ezra, Elizabeth (2000). Georges Méliès. Manchester: Manchester University Press. ISBN 0-7190-5395-1
- ↑ Malthête, Jacques; Mannoni, Laurent (2008). L'œuvre de Georges Méliès. Paris: Éditions de La Martinière. p. 30. ISBN 9782732437323
- 1 2 3 Bottomore, Stephen (2007). Filming, faking and propaganda: The origins of the war film, 1897–1902. Utrecht: Utrecht University. pp. VI.5–6