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Banco do Estado do Paraná

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Banestado
Razão socialBanco do Estado do Paraná S.A.
Sociedade de economia mista
AtividadeServiços financeiros
Fundação15 de outubro de 1928
Encerramento2010
SedeCuritiba, Paraná
Proprietário(s)Estado do Paraná
Sucessora(s)Itaú

O Banco do Estado do Paraná S.A., conhecido pela sigla Banestado, foi uma sociedade de economia mista controlada pelo Governo do Paraná. A instituição foi criada em 1928 e teve sua sede em Curitiba. A privatização foi concluída em 17 de outubro de 2000, quando o Itaú venceu o leilão de controle acionário. Embora o banco tenha sido vendido naquele ano, a extinção formal do Banco Banestado S.A. foi noticiada em janeiro de 2010, após a transferência de direitos e obrigações para empresas do grupo Itaú.[1]

História

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Fundação e primeiros anos

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A história institucional publicada pela Associação dos Funcionários Aposentados do Banestado (AFAB) registra que o banco foi fundado em 15 de outubro de 1928, por iniciativa de Affonso Alves de Camargo, então presidente do Estado do Paraná. Segundo a mesma fonte, suas atividades começaram em 28 de novembro daquele ano, na agência matriz instalada na esquina das ruas XV de Novembro e Monsenhor Celso, em Curitiba. As primeiras agências no interior foram abertas em Paranaguá, Jacarezinho e Cambará.[2]

A autorização federal para o funcionamento consta do Decreto nº 18.485, de 11 de novembro de 1928, que autorizou o “Banco do Estado do Paraná” a operar como sociedade anônima de crédito real, com sede em Curitiba. O decreto foi publicado no Diário Oficial da União em 22 de novembro de 1928.[3] Assim, a data de fundação, a autorização legal e o início das operações correspondem a marcos distintos da formação da instituição.

Expansão e estrutura

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O Banestado ampliou sua rede e suas atividades ao longo do século XX, acompanhando a expansão agrícola, comercial e industrial do Paraná. Na tabela do Banco Central referente a dezembro de 1996, o conglomerado aparecia com o Banco do Estado do Paraná como instituição principal e com Banestado Leasing, Banestado CVM e Banco del Paraná entre as instituições ligadas. O conjunto registrava 392 agências, 12.886 funcionários, ativos de R$ 6,114 bilhões e patrimônio líquido de aproximadamente R$ 453,99 milhões.[4]

Crise e saneamento pelo Proes

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A estabilização monetária e a perda das receitas obtidas com a inflação agravaram os problemas de diversos bancos estaduais na década de 1990. No caso do Banestado, o livro do Banco Central registra que uma inspeção realizada no segundo semestre de 1997 estimou em R$ 4,1 bilhões o valor necessário para o saneamento da instituição; pela fórmula então negociada, metade desse montante teria de ser aportada pelo Estado do Paraná.[4]

Em 30 de maio de 1998, a União e o Paraná assinaram o contrato relacionado ao Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária (Proes). A opção adotada foi a privatização do banco, acompanhada da criação de uma agência de fomento. O financiamento previsto podia chegar a R$ 3,85 bilhões, corrigidos pela taxa Selic até a liberação, que ocorreu ao longo de 1999. O processo enfrentou resistência política e exigiu três aditivos; o último prorrogou o prazo para a venda até 30 de novembro de 2000, depois do qual o banco seria federalizado.[4]

O mesmo estudo reproduz resultados de uma verificação do Banco Central realizada em 1998 e 1999. A análise de 162 clientes identificou 738 irregularidades em 525 operações; segundo o relatório citado, 93% dos negócios examinados apresentavam algum tipo de irregularidade, incluindo problemas na concessão, na cobrança ou em renegociações. Na Banestado Leasing, a verificação apontou deficiências em 76% das operações ajustadas.[4]

Privatização

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Depois de quase dois anos de saneamento, o Banestado foi levado a leilão em 17 de outubro de 2000, na Bolsa de Valores de Curitiba. O Banco Central registrou cinco instituições pré-qualificadas: Itaú, Bradesco, Unibanco, Santander e ABN Amro Real. O Itaú arrematou a participação colocada à venda por R$ 1,625 bilhão, com ágio de cerca de 303% sobre o preço mínimo.[4][5]

Os dados do Banco Central sobre bancos estaduais privatizados especificam que foram vendidos 94,42% do capital total. O preço mínimo era de R$ 403 milhões e o preço obtido no leilão foi de R$ 1,625 bilhão; somadas a oferta aos empregados e as sobras, as receitas da operação chegaram a R$ 1,79926 bilhão.[6]

A cobertura da Folha de S.Paulo informou que Bradesco, Unibanco e Itaú apresentaram propostas no leilão. A disputa final ocorreu entre Unibanco e Itaú, que elevou sua oferta até R$ 1,625 bilhão; o pagamento estava previsto para 24 de outubro, quando a nova diretoria assumiria o banco.[7] O Relatório Anual do Banco Central de 2000 também registrou a venda por US$ 869 milhões, com ágio de 303%, em valores convertidos para a moeda norte-americana na documentação da época.[8]

Pós-privatização

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Após a venda, o Itaú passou a ser o sucessor do Banestado nas relações com clientes e empregados. Em 2001, a marca Banestado começou a ser substituída pela marca Itaú; a transição das contas foi anunciada para 18 de junho daquele ano, enquanto a manutenção temporária da marca e da sede no Paraná fazia parte dos compromissos assumidos na privatização.[9] Em 2010, o Banco Central aprovou a extinção do Banco Banestado S.A.; segundo a notícia publicada à época, seus direitos e obrigações foram distribuídos entre o Banco Itaucard e a Itauleasing.[1]

Caso das contas CC5 e CPI do Banestado

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Na segunda metade da década de 1990, a agência do Banestado em Foz do Iguaçu esteve entre as instituições autorizadas pelo Banco Central a operar contas CC5 em condições especiais. Essas contas eram destinadas a não residentes; em Foz do Iguaçu, a autorização permitia depósitos em espécie acima do limite de R$ 10 mil aplicável às demais instituições. Em depoimentos à CPI, representantes do Banco Central disseram que a medida, adotada em 1996, pretendia evitar pressão sobre o câmbio provocada pelo comércio fronteiriço e pela atuação de sacoleiros. Investigações posteriores examinaram se o mecanismo também havia facilitado remessas ilegais e operações que poderiam configurar lavagem de dinheiro.[10]

Segundo informação apresentada pela Assembleia Legislativa de São Paulo durante a CPMI, a Operação Macuco, da Polícia Federal, identificou mais de 20 mil operações de remessa que movimentaram cerca de US$ 30 bilhões, partindo de Foz do Iguaçu para 137 contas da agência do Banestado em Nova York. O número é uma estimativa atribuída à operação e às investigações parlamentares, não uma conclusão de que todos os valores tivessem origem ilícita; em depoimento registrado pela Folha, representante do Banco Central afirmou que o valor de US$ 30 bilhões não era conhecido pela instituição.[11][10]

O Ministério Público Federal também ajuizou, em dezembro de 2003, ação de improbidade administrativa contra pessoas físicas e jurídicas, alegando que mudanças nas regras cambiais e autorizações excepcionais para cinco agências de Foz do Iguaçu haviam permitido ocultar a identificação de remetentes. A existência da ação e as alegações foram noticiadas pela Folha; elas não equivalem, por si só, a condenação dos envolvidos.[12]

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito foi instalada em 18 de junho de 2003. Em 14 de dezembro de 2004, o relator José Mentor apresentou seu relatório, que sugeria o indiciamento de 91 pessoas e estimava em R$ 150 bilhões as remessas irregulares por meio de contas CC5. O relatório, porém, não foi votado: a comissão encerrou seus trabalhos em 27 de dezembro de 2004 após divergências entre o relator e o presidente, senador Antero Paes de Barros.[13][14]

Ver também

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Referências

  1. 1 2 «BC aprova extinção do Banestado». Gazeta do Povo. 7 de janeiro de 2010. Consultado em 6 de outubro de 2026
  2. ↑ «História do Banestado». Associação dos Funcionários Aposentados do Banestado. Consultado em 6 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 15 de junho de 2026
  3. ↑ «Decreto nº 18.485, de 11 de novembro de 1928». LexML Brasil. 11 de novembro de 1928. Consultado em 6 de outubro de 2026
  4. 1 2 3 4 5 Salviano Junior, Cleofas (2004). Bancos estaduais: dos problemas crônicos ao Proes (PDF). [S.l.]: Banco Central do Brasil. Consultado em 6 de outubro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 5 de outubro de 2026
  5. ↑ «Concentração bancária no Brasil: uma análise da década de 1990» (PDF). Banco Central do Brasil. 2001. Consultado em 6 de outubro de 2026
  6. ↑ «Bancos estaduais privatizados» (PDF). Banco Central do Brasil. Consultado em 6 de outubro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 1 de outubro de 2025
  7. ↑ «Privatização: Itaú bate concorrentes e fica com Banestado». Folha de S.Paulo. 18 de outubro de 2000. Consultado em 6 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 5 de julho de 2022
  8. ↑ «Boletim do Banco Central do Brasil: Relatório Anual 2000 — Finanças públicas» (PDF). Banco Central do Brasil. 2001. Consultado em 6 de outubro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 29 de julho de 2024
  9. ↑ «Marca Banestado começa a ser extinta». Folha de Londrina. 30 de maio de 2001. Consultado em 6 de outubro de 2026
  10. 1 2 «"Sacoleiras pressionavam o câmbio", diz BC para justificar regras das CC-5». Folha de S.Paulo. 4 de julho de 2003. Consultado em 6 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2024
  11. ↑ «Ex-diretores da área internacional do Banco Central depõem na CPI do Banestado». Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. 16 de outubro de 2003. Consultado em 6 de outubro de 2026
  12. ↑ «Ex-presidentes do BC são acusados em ação». Folha de S.Paulo. 4 de dezembro de 2003. Consultado em 6 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 30 de julho de 2022
  13. ↑ «Relatório da CPI do Banestado aponta evasão de R$ 150 bi». Consultor Jurídico. 14 de dezembro de 2004. Consultado em 6 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 25 de julho de 2025
  14. ↑ «CPI do Banestado terminou em pizza, diz presidente da OAB». Consultor Jurídico. 28 de dezembro de 2004. Consultado em 6 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 27 de dezembro de 2023