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Banco do Estado do Ceará

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BEC
Razão socialBanco do Estado do Ceará S/A
S.A. de economia mista (até 1999); empresa de capital aberto
AtividadeServiços financeiros
Fundação23 de junho de 1964
Encerramento21 de dezembro de 2005 (venda)
incorporado pelo Bradesco em 2006
SedeFortaleza, Ceará, Brasil
Área(s) servida(s)Ceará, com agências em outros estados
Proprietário(s)Governo do Estado do Ceará (1964–1999)
União (1999–2005)
Empregados856 (2005)
ProdutosBanco comercial e múltiplo, crédito, câmbio, seguros
SubsidiáriasBEC Distribuidora, BEC Corretora de Seguros, BEC Financeira, BEC Crédito Imobiliário, BEC Turismo
Sucessora(s)Bradesco
Websitewww.bec.com.br

O Banco do Estado do Ceará S/A (BEC) foi um banco estatal brasileiro, sediado em Fortaleza, fundado em 23 de junho de 1964 durante o governo de Virgílio Távora, com o objetivo de ser o instrumento financeiro da política de desenvolvimento do Ceará.[1] Federalizado em 1999 no âmbito do PROES, foi vendido em leilão na Bovespa em 21 de dezembro de 2005 ao Banco Bradesco por 700 milhões de reais,[2] tendo suas agências migrado para a marca Bradesco ao longo de 2006.

História

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Fundação e expansão (1964–1987)

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O BEC iniciou suas atividades em 23 de junho de 1964, no governo de Virgílio Távora, criado para atuar como agente financeiro do governo estadual e viabilizar o crédito em setores considerados prioritários para a economia cearense.[1] A interiorização da rede começou em 1969, e a partir de 1976 o banco passou a manter agências fora do estado, como no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em 1987, foi transformado em banco múltiplo.[1]

Auge (1987–1994)

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No início da década de 1990, durante o governo de Ciro Gomes, o banco alcançou seu melhor momento: entrou na lista das cinquenta maiores instituições financeiras do país e passou a ser apontado entre os bancos de menor risco da América Latina — a revista The Economist teria o classificado naquele período como um dos menos arriscados da região.[1] É desse período a imagem de banco "modelo" repetida em publicações posteriores, embora a avaliação se referisse ao risco creditício da instituição, não a sua governança.

Crise e federalização (1995–1999)

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Em 1995, o governo do estado anunciou a intenção de privatizar o banco, iniciando um período de forte controvérsia. Segundo avaliação sindical posterior, entre 1995 e 1998 o BEC teria passado por demissões e fechamento de agências, com queda do patrimônio líquido — narrativa contestada pelos gestores da época, que atribuíram a situação à retração econômica e ao processo de ajuste do setor bancário estadual. A disputa motivou a instalação de uma CPI na Assembleia Legislativa do Ceará, que não chegou a concluir os trabalhos.[1]

No âmbito do PROES, o estado assinou em 1998 a carta de federalização do banco, aprovada pela Assembleia Legislativa, e em maio de 1999 a União assumiu formalmente o controle da instituição, que passou à gestão do Banco Central do Brasil, em operação que envolveu a transferência de cerca de 954 milhões de reais em obrigações.[1]

Privatização (1999–2005)

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O BEC foi incluído no Programa Nacional de Desestatização pelo Decreto nº 3.286, de 14 de dezembro de 1999. O processo teve trajetória litigiosa: ações questionando a transferência da conta única do governo estadual a um banco privado tramitaram no Supremo Tribunal Federal, gerando liminares — depois cassadas — que suspenderam o leilão. Em dezembro de 2002, o leilão chegou a ser revogado pelo Banco Central, mas o processo foi retomado no governo seguinte.[3]

O leilão foi realizado na Bovespa em 21 de dezembro de 2005, ofertando um bloco de 82 459 053 ações ordinárias — 89,17% do capital social do banco, avaliado em 542,7 milhões de reais. Participaram da disputa os bancos Bradesco e GE Capital, enquanto Itaú e Unibanco, embora habilitados, não apresentaram propostas. Na fase de envelopes, o GE Capital ofereceu 542,8 milhões de reais e o Bradesco, 561 milhões; como a diferença foi inferior a 20%, seguiu-se a disputa viva-voz, decidida no décimo lance: o Bradesco arrematou o bloco por 700 milhões de reais, prêmio de 28,98% sobre o valor mínimo.[3][2]

Incorporação pelo Bradesco (2006)

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A liquidação financeira e a assinatura do contrato ocorreram em 3 de janeiro de 2006. Em junho do mesmo ano, as agências do BEC passaram a operar sob a marca Bradesco, e a pessoa jurídica do banco cearense foi progressivamente incorporada ao grupo.[3]

Ver também

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Referências

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  1. 1 2 3 4 5 6 «Histórico do BEC». CUT-CE. 12 de fevereiro de 2003. Consultado em 6 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 25 de maio de 2023
  2. 1 2 «Bradesco compra banco do CE por R$ 700 mi». Folha de S.Paulo. 22 de dezembro de 2005. Consultado em 6 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 12 de novembro de 2020
  3. 1 2 3 «Bradesco compra o BEC». Associação Cearense do Ministério Público. 23 de dezembro de 2005. Consultado em 6 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 23 de maio de 2025
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